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Resenha
do vídeo Freud, Hobbes e o destino corpo político.
Inobstante
a questão do “afeto” não ter merecido de Freud a sua mais
completa definição, é tido no meio psicanalítico como objeto de
um maior e ulterior compreensão, resultando em um sem números de
ilações dos mais variados estudiosos. Os afetos são definidos
como sensações nascidas no organismo, estando nas pulsões, estas,
definidas como o limite existente entre o psíquico e o somático :
no somático, o afeto; no psíquico, por um representante ideativo.
Afetos compreendem todas as sensações que temos, não tendo uma
definição clara, mas manifestações claras, como por exemplo o
medo e o sentimento de insegurança.
O
questionamento que é feito é como um situação tão particular ao
sujeito, ou seja, que vê em todos os homens seus concorrentes,
permitiria a existência de um corpo social → político, onde se
ergueria e se sustentaria as relações entre os sujeitos.
É
apresentado a partir de Hobbes que isso se manifesta através do
medo, imposto como elemento que faz circular o elemento de
concordância com um líder, que os lembra de forma insistente o medo
da morte e outros acontecimentos, ou seja, que força os sujeitos
abrirem mão de seus desejos. Esse medo tem uma função de paralisia
da sociedade, e se transforma também no sentimento comum do medo
respeitoso a figuras de mando. O objeto a quem se dirige o medo
respeitoso é o poder soberano, tido como unificador do meio social.
Para
Freud, a questão é mais complexa e não se reduz a somente isso,
pois ele afirma que o primeiro sentimento ou afeto que temos, é o
nosso total desamparo nas fases iniciais de nossa vida, e esse afeto
“desamparo” nos perseguirá sempre e será nosso referencial de
comparação, sendo em cima desse desamparo que se estrutura o poder
soberano.
Mas
além disso tudo, Freud tem uma construção para explicar as
relações sociais, fundadas tanto na figura do Moisés bíblico, mas
anterior a isso, a questão da horda primitiva, ideia essa
apresentada ao mundo através do escrito “Totem e Tabu”, onde
Freud descreve, como um mito, a funcionalidade de grupos primitivos →
horda, lideradas por uma “pai primevo”, o qual mantinha pleno
controle do acesso sexual para si, não permitindo o concurso de
outros. No meio dessas hordas, os outros, além do “pai” primevo,
através de seu assassinato, pensaram em fundar uma nova relação
social que estaria distante das proibições anteriores; esse intento
falhou, pois no lugar do pai primevo, surgiram outros pais, os quais
tiveram que legislar pela proibição dos casamentos ou concursos
sexuas com mulheres da própria horda.
A
morte do pai primevo, inobstante ser o símbolo em uma sociedade de
um poder sem restrições, seus membros levavam em si a culpa pela
morte do pai primevo, ao mesmo tempo que se reconectaram ao pai, de
forma preencher o sentimento de vazio ali instaurado.
A
nossa sociedade, pelo processo do desamparo, tem na identificação
com a figura parental a sua ação mais imediata, e esse desamparo
permitirá que a figura do pai primevo sempre se emule a partir de
uma ordem acolhedora de identificação que se faça presente na
memória.
Discute-se
a questão da sociedade não corporificada nos sistemas ditos
democráticos, ao mesmo tempo que se afirma que há necessidade de
uma corporificação mínima que mantenha ou ajude a manter a
integridade do grupo, grupo esse que, para se tolerar internamente
como seus próprios “iguais”, transfere para os outros fora do
seu grupo, toda sua raiva e cólera. É o caso do movimento
fascista, tão atual, que se aproveita dos sintomas do desamparo para
incutir em cima do povo sua fala, voz, pela pregação constante do
medo da morte, da derrota, entre outras coisas.
É
nesse ambiente que se repete a questão do mito do pai primevo, ou
seja, o que pode transgredir ou não a Lei!. Essa identificação é
libidinal, segundo Freud, na medida que se identifica com líder suas
próprias deficiências, concluindo-se que a questão do fascismo é
endêmica nos regimes democráticos. É verdadeira a frase: “A
cadela do fascismo está sempre no cio!”.
O
grande questionamento de Freud a respeito dos estágios do
desenvolvimento das comunidades humanas → num primeiro momento
animistas; na sequência religiosos e, num terceiro momento,
científica, aplica ao desenvolvimento do sujeito, é porque ainda
temos em nós ainda a figura dos governos religiosos e outros, já
que supostamente vivemos no estágio científico, onde nosso
desenvolvimento nos permite um maior afastamento da condição
natural. É nesse questionamento que se pode afirmar que voltamos
sempre a repetição dessa figura ancestral do pai primevo, hoje
lembrado nos vários totens que se fazem presentes no nosso meio.
O
que podemos concluir disso?
Em
Freud, a grande questão é que nos recalcamos para viver em
sociedade e dela receber os benefícios da garantia da vida contra as
forças naturais desse planeta violento que vivemos. Esse não é um
pensamento simplista, mas sim reflete a grande realidade que
justifica a nossa existência. Fica claro pensar que Freud se
preocupa com a questão da civilização e do homem civilizado, ou
seja, do homem que faz suas escolhas ou tem o seu discurso no
entendimento dos seus procedimentos como um ato oriundo de sua
elaboração sobre as realidades que se acometem sobre nós,
portanto, consciente de sua importância e de sua colaboração. Esse
será sempre o grande objetivo a ser atingido, ou seja, o viver de
forma civilizada, não por imposição, mas por crença!!!