segunda-feira, 2 de julho de 2018

Comentários a Ética a Nicômaco – Aristóteles




Comentários a Ética a Nicômaco – Aristóteles.1


Na vida, nos fazemos ou participamos de coisas que nos levam a um fim, mesmo que desejemos uma coisa que leva a outra, considerando que, se fosse infinito, isso seria inútil, portanto, o fim disso tudo é um bem, ou mesmo o sumo bem. Este sumo bem deve ser primeiramente entendido em sua ciências ou faculdades constitutivas. E os estudos que isso determinam, estão os mais prestigiosos, sendo entre eles a política, pois essa é a determinante das demais ciências que devem ser estudadas, as quais o cidadão deve aprender e sua extensão. A política então, como utilizadora das demais ciências, atua sobre o devemos ou não fazer, de forma se constituir o bem humano, no sentido mais completo, o bem do Estado.
Esclarece que há necessidade da instrução, e que esta é que determina o bom juízo sobre as coisas; quanto aos jovens, não se preocupam tanto com a principal dessas instruções, a política, pois seu movimento está na ação.
Todo nosso labutar tem seu objetivo de possuir os mais diversos tipos de bens, entendido que estes são afetos aos fins particulares imaginados em acontecer, portanto, deveriam toda essa procura resumir-se na procura do bem em si, aquele que não é conseguido nas ações. Tal bem final, que se eleva sobre nossos próprios fins é o bem absoluto, o sumo bem; sua procura se reveste da condição de ser uma procura mestra, que deveria estar no ideário não só dos indivíduos, mas também no seu coletivo, dentro da ordem da política.
No item III, considera que a política (a arte de conduzir bem a pólis) tem dependências éticas que podem relativizar esse bem supremo, em função mesmo do complexo resultante de seus frutos, pois para os corajosos, o martírio, bem como os doentes e os que não tem moderação. Nesse aspecto, não se deve exigir muito dos jovens, pois estes por falta de experiência e preparação, tem grande dificuldade na finalização também desse bem, motivados pela sua forma que é o agir e não meditar.
Na continuidade, é lembrado que o final da ética é o obter a felicidade, sendo esta percebida ou tomada de consciência forma diferente seja pelo sábio ou pelo comum, sendo para este tomada como felicidade ao prazer, obtenção da riqueza ou se ostentar. Entretanto, pode haver entre os comuns a percepção de que sobre os bens de natureza imediata, deve existir um que continua a existir e sede da bondade entre todos os que o precedem. Por influência de Platão, admite que existem caminhos para isso, sendo um o que emana das ações para o que principia ou, como segunda via, do que principia para o agir. Aristóteles, mesmo nessa concordância, no move a ideia de podemos ou devemos começar pela nossa prática própria dos atos, lastreados por exigência no conhecimento e nos respeitos aos hábitos, esclarecimentos, uma boa educação.
Sobre a Vida.
A vida classificada por Aristóteles se dispõe em a) a identificação da fruição de prazeres com o sendo a felicidade, sendo que neste caso tida pelo filósofo como uma vida animal e de escravidão; b) a vida pública – política – que oferece honrarias e privilégios, como sendo a felicidade, neste caso considerada com algo negativo, pois é uma coisa concedida pelo Estado, mas também imaginando que existe aqueles que, não obstante ser concedida, pensarem na honra como uma confirmação da sua bondade, sendo essa o espelhamento da sua vivência ; e, c) não muito distante de todos, a vida de contemplação.
Entretanto, na continuidade, deixa claro a contrariedade existente entre o filósofo e o ideário platônico relativamente ao que seria ou como poderia se apresentar a ideia do bem universal, do sumo-bem. Para tanto, enumera-o como podendo assumir a característica de substância (um algo tangível de alguma forma), por exemplo, Deus; ou de qualidade, como as virtudes, ou mesmo ainda, como um bem de relação, ou seja, aquele que utilidade no momento que se faz necessário; o que resta disso é que, assim sendo, isso não suporta uma conceituação que se mostra como uma ideia comum. Considerando esses aspectos peculiares, entende que não pode haver um único conhecimento, uma única ciência que totalize a ideia de um bem universal de forma imaginada, abstrata, mesmo que entre os seguidores de Platão tenham a sagacidade de diferenciar entre os bens produzidos em si mesmos daqueles subsidiários, constitutivos ou mesmo preservativos dos anteriores, resolvendo assim a situação de identificar o bem procurado em si daquilo que o condicionou, sendo por utilidade ou por gozo. Isso resulta outras questões, pois se bem idealizado é um resultado de uma expressão comum derivada da casualidade ou por analogia, tornaria - se tanto vazia como inatingível.
Nossa percepção que achar um fim absoluto que abarcou todas as finalidades relativizadas, as quais foram assim submetidas pela nossa variedade de atos. Neste aspecto, o filósofo chama de bem absoluto ou incondicional aquilo que é desejado em si mesmo e não de forma subsidiária ou interesse de outra coisa, portanto, cabendo nessa definição o que denominamos de felicidade. Dai, considera que esta é algo absoluto e autossuficiente, considerada como a finalidade de nossas ações, no caso do homem, como bem supremo, o seu trabalho intelectual, exatamente por que isso nos distingue na criação, mostrado esse trabalho no exercício da virtuosidade.
Nota, na complementação, a existência de duas classes de bens: aqueles do exterior; e aqueles do interior, sendo que postula a procura pelos bens da alma, na expectativa de que o homem desfruta de uma felicidade no viver bem e no agir bem. Nesse aspecto, também pode ser comparada a felicidade as virtudes cultivadas, o saber do dia a dia, o saber do pensar – filosófico, bem como o prosperar, o ser honrado. Mas isso é conquistado na ação, que exige uma complementação do prazer e de alegria por que e pelo que se faz, tornando a felicidade o bem mais nobre e aprazível, com todos os seus atributos juntos, jamais separados. A felicidade não está apartada também dos bens exteriores.
Por fim, cabe a Aristóteles responder como se obtém a felicidade, questionando se isso não passa pelo aprender, treino ou hábito, ou mesmo um presente dos deuses. Por considerar que seja o melhor dos bens, também pode ser um dom divino, mas que pode ser obtida pelo estudo e metodismo, como uma prática da vida da cidade, na qual serve de orientação para que os cidadãos possam ser conformados a bondade e da nobilidade de suas ações, pois, não sendo um estado natural, pré-existente, fica nos braços da superação das vicissitudes cotidianas.
Ainda nesse contexto, não é a morte a mediadora do entendimento se fomos felizes ou não, pois a felicidade deve superar todos os percalços de nossa existência, os quais podem contrariá-la, conformados nós a prática constante das virtudes como um bem o mais duradouro em vida, subjugando mesmo o bem do conhecimento das ciências, e dai nenhum homem poderia ser diminuído pelo fato de nunca praticar ações classificadas como de ódio ou de mau caráter. Assim sendo, no descanso do túmulo somos afetados muito pouco pelos acontecimentos em vida.
Compreende que a felicidade deve ser louvada de forma sempre emular a prática das virtudes, e, por ser um princípio primeiro, infere a necessidade de muito mais estima e a perfeição de nossos atos da bondade.
Portanto, como visto, a virtude tem uma natureza de etapas a serem vencidas, pois está sob o jugo da conjugação de funcionamento perfeito do corpo e da alma, sobrando para o homem, na conceituação do verdadeiramente político, como sendo o que tem a honra reconhecida de ter entendido pelo zelo do estudo a virtude como algo acima das coisas, pois assim será um farol para seus demais concidadãos na prática da bondade e no seguimento da Lei, na contribuição aos demais conselhos tanto dos pais como amigos, que mitigam as irracionalidades de nossa alma.


1Claret, Martin. Ética a Nicômaco – Aristóteles. Tradução: Pietro Nassetti. A história do livro e a coleção "A Obra-Prima de Cada Autor". UFES 2018.

A Angústia em Lacan, Heidegger, Kierkegaard




A Angústia em Lacan, Heidegger, Kierkegaard
Para entendermos a angústia, mister se faz não tentar entendê-la de forma estritamente conceitual, taxativa, pois não obstante ela se manifestar na ausência de significantes (o que para Lacan é fonte do significado), não pode se expressar por não ser simbolizada, como nos observa a psicanálise; isso não quer dizer que ela possa ser reduzida a uma simples compreensão. O pensamento filosófico é pródigo em apresentar vertentes que tentam desvendar esse papel da angústia, que parece ser a necessidade necessária, premente, inadiável e não reduzível do ser ai no mundo, pois, se de um lado, conceitualmente, pode-se chamar de angústia aquilo que se desenha no abafamento, na insegurança, na falta de empatia, no ressentimento, na dor, da qual, por poder ser “conceituada”, toma o título de doença e então pode ser “tratada” com os fármacos da psiquiatria; por outro lado, existe nela uma natureza não facilmente decifrável, do existencial, quase que incógnita, que se faz presente no sentir, indecifrável.
A situação se coloca como um problema e este entendido tanto como assunto controverso, de discussão acadêmica ou não; como também de um emergir, de um aparecer, sendo que, no primeiro caso, existe como uma materialização do saber ou do pensar filosófico/da pesquisa, antecipativo, mas que é antes um agora entre um antes e um depois; no segundo, o que aparece, faz-se presente, tem forma e conteúdo e nos força a tomar consciência, responsabilidade, mediados pela ação da violência que se apresenta e que o movimenta; o do não esperar.
São essas faces que a coisa também se apresenta, e nem sempre entendida assim, pois, tomada essa “angústia” como um afeto, consciente, há de se considerar como a isso se coloca a verdade do inconsciente psicanalítico.
O pensamento de Lacan se norteia na oposição a tecnociência, ou seja, a oposição ao contexto social e tecnológico da ciência (esta é codificada e sustentada no meio social; e mantida e estabilizada por outras redes não humanas); Lacan, mantém o indivíduo em sua singularidade. Heidegger se direciona em entender a angústia em oposição a metafísica; já em Kierkegaard, opõe a angústia à organização de Hegel da filosofia.
Em Freud, a angústia é relacionada ao perigo e ao desamparo, pois esta surge como uma reação a um iminência achada perigosa ao sujeito, ou seja, pela sua avaliação do risco e seu desamparo diante dele. O processo do nascimento inaugura a angústia, concluindo que, na continuidade, a falta da mãe (objeto) e a satisfação que ela poderia causar, constitui-se que o quê primeiro investe a angústia é a perda do próprio objeto, situação que certamente se repetirá no exercício da vida. Essa angústia toma então o caráter de ser uma reação a percepção de uma perda. Não deixa de ficar evidente o das Ding, a coisa perdida para sempre nesse processo. Mas, se em Freud há a perda do “objeto”, Lacan vai discordar desta posição de Freud, afirmando que esse objeto necessário a angústia é o objeto “a”1. Essa aparente contradição se esclarece nas conjunções do desejo, como discurso do outro, porque, para o psicanalista francês, o afeto da angústia está atrelado a percepção do desejo do Outro, sendo então o signo do desejo do Outro.
Portanto, para Lacan, a percepção/aproximação do objeto “a”, ou seja do desejo do outro, não simbolizado, além da evidente aproximação em Freud do das Ding , traria ao sujeito a ameaça do desvanecimento, da angústia.
Para nos articularmos com Heidegger, devemos ter em conta que ele preocupa-se com a existência, não com o existencialismo, ou seja, pensar além do homem tido como animal racional, pois entende que o quê se transparece no homem não é a medida de um ser dotado de razão, mas sim de como ele lida com esse um ser e como ele guarda isso, ou seja, o homem é o guia do ser e a sua linguagem é a morada do ser. Portanto, preocupa-se com a verdade ou o sentido do ser, admitindo que desde a antiguidade sempre houve a confusão entre o ôntico, que trata do “ente” e o ontológico, que se volta ao “ser”. Delineia que a única possibilidade de questionar o ser é o próprio homem, pois este compreende o ser, o sentido do que aparece que ele é, de que tem existência. Esse homem, ente privilegiado, que tem o senso de perguntar sobre o “ser”, que compreende esse “ser”, é denominado por ele de “ser-ai” - em alemão: Dasein. E é desse “ser-ai” - Dasein – que se inicia a analítica existencial. Resume que a questão do “ser-ai” deve ser investigada tanto segundo o mandato da fenomenologia, quanto da hermenêutica.
Há a compreensão de que somente o homem existe, é e existe!, ou seja, entender o ser a partir do ser. Essa existência pode ter a característica da inautenticidade, ou seja, o cotidiano do homem pode manter uma situação de encobrimento do seu ser, possuindo então uma noção não acertada de seu processo de existência, mantido camuflado, não revelado. Esse encobrimento é originado na tradição desde muito tempo já nos primeiros pensamentos sobre o ser no mundo antigo. Então, o processo de análise da existência, enquanto ontologia é a de ser uma destruição da tradição, pois a jornada diária é dominada por um esquecimento do ser.
Na colocação de todos os aspectos existenciais que dão forma ao “Dasein”, o traço de sua totalidade, o qual define a sua essência, é a angústia, base compreensiva que dá ao fenomenológico hermenêutico a apreensão do todo originário do “ser-ai”. A angústia é de cunho existencial somente humano, pois animais não se angustiam. Não deve a angústia ser confundida com um temor, medo, que é a nossa fuga do “ser-ai”, e esse temer nos abre ao mundo, sendo a angústia mais ampla que o temer, pois, no temor temos o objeto a ser temido, já na angústia, esse não é revelado, manifestado como um tédio, um estar farto dos entes que nos rodeiam. Como ameaça, a angústia nos perpassa sem uma materialidade. A angústia se angustia pelo próprio ser no mundo, nas suas relações de existência, portanto, a angústia nos revela o nada a que somos, obrigando-nos a questionar o ser. Não sabemos por que nos angustiamos e a angústia pode ser o puro fato de existir, o ser-no-mundo ( o mundo em que o ser é, o quem que é no mundo, e o modo de ser-em em si mesmo), o mundo como mundo. O que nós sentimos como angústia é um nada que nadifica de forma contínua, entendido esse nadificar com uma indulgência de rejeição ao ente em sua fuga, exibindo-o a sua estranheza como o totalizante outro diante do nada. E é nessa situação que a angústia que se revela a abertura do ente enquanto tal, colocando a existência humana diante de si mesmo em sua finitude.
Colocado diante do inautêntico de sua vida – a comum, a opinião comum- a angústia torna-se a possibilidade da virada da existência humana, dando chance de sair o homem da inautenticidade e viver a autenticidade.
Voltemo-nos para Kierkegaard, ou mais precisamente Sören Kierkegaard, filósofo dinamarquês. Mas, para entrarmos no mundo de Kierkegaard, há necessidade de localizá-lo na sua própria vida e nos contextos que o envolveram. Sobre a angústia, ela aparece aqui mais com uma estreiteza, ou seja, a nossa própria penosa existência, assim reconhecida como tal. E a angústia é um acontecimento que não se deixa mascarar, portanto, revelador.
A angústia, respeitado todas os entendimentos anteriores aqui de Lacan, Heidegger, só se tornou sua notação quando se pensou, na nossa história, na subjetividade, ou seja, as dimensões de nossos interior, com sua parte consciente e inconsciente.
Partimos agora para a doutrina cristã, cujas afirmações, além de marcarem toda a Idade Média europeia, indicam que o homem, velado pelo pecado que o obscurece, tem ‘saudade’, desejo do bem supremo, Deus. Essa nostalgia é indicada por uma angústia, ou seja, reconhecemos nossa finitude que deve ser voltar ao infinito. É nesse interregno, ou seja, entre o humano e o divino e suas preocupações, que se firma Kierkegaard, atormentado, angustiado pelos seus dissabores existenciais, colocado diante da cultura religiosa de sua época, na qual seus conterrâneos se diziam cristãos, mas não tinham as vidas de renúncia e sofrimentos que atestassem suas condições de seguidores de Jesus Cristo. Conclui-se que, a identidade do cristão autêntico é o seu sofrimento no seu próprio existir. Portou-se em uma vida solitária e escondida, lançando-se na necessidade interior de estar a serviço da verdade, o que leva as considerações que sua vida era atormentada pelas vozes da angústia, a qual não obstante serem dolorosas, tornou-se também condição da compreensão do ser humano na sua colocação a Deus.
São nessas linhas que Kierkegaard enuncia seu conceito de angústia, a partir da investigação o mito cristão do pecado original, na acepção de que, o entendimento sobre o que é angústia deve ser colocado a extensão da compreensão do pecado e qual sua ação na vida.
Por ecos do pecado original, somos pecadores no nosso âmago, de forma que nosso espírito animador se faz perceber no nosso sentido de incompletude, e essa falta é percebida como que meio consciente, a qual não conseguimos preencher. Esse pecado nasce mesmo antes de existir em nosso interior uma disposição para a possibilidade de pecar, isso como condição pétrea de nossa existência.
A partir do mito adâmico, devemos considerar que havia uma possibilidade de efetuar uma escolha, comer ou não determinado fruto. Mas a fonte desse fruto estava disponível, a mão, tentadora. Tanto Adão e Eva, antes do ato em si, se fizeram experimentar da angústia, portanto, a situação antes da transgressão foi sentida como uma angústia e assim repetida na humanidade como um todo. Percebemo-nos em nossa incompletude, mas também na nossa capacidade de sintetizar um “completo” através de nosso criador, Deus. Mas observe-se que somente Deus pode fazer essa “recriação”; então, seria ilusório para nós a completude? A resposta de Kierkegaard para isso é que sim, podemos ser completos se nos voltarmos para Deus, na condição de completos e finitos. É essa aparente contradição que nos causa um constante tensão, sendo portanto esta a mancha visível que o pecado original nos legou, a qual nos conduz a compreensão de consciência de nossa “culpa”, com seu sucedâneo, a angústia.
Essa condição de pecaminoso – angustiado – do homem, facilita seu entendimento da possibilidade da escolha, e as fazemos pois temos certeza do leque de possibilidades em torno delas e que podem excluir-se mutuamente. Portanto, não existe escolha que não tenha um componente angustiante, e que a angústia é um mal estar no processo da escolha. E é nessa angústia que nos damos conta de nossa finitude, incompletude, e que temos pouca chance de reverter esse quadro.
Concluindo, o que podemos ver de comum nas percepções de Lacan, Heidegger e Kierkegaard?
Não é difícil ver “a coisa” perdida para sempre; o nosso estado inicial de desamparo; da nossa necessidade do desejo do outro para o nosso próprio. A angústia então, em todos os pensadores aqui, é o algo que nos revela o nada, e de onde podemos entender o ente, o ser-ai, o real inatingível de Kierkegaard. Desce-nos as profundezas da existência, na revelação do âmago do mistério do existir, ser consciente, fazer ilações… como também nos revela nos nossos mecanismos de defesa, quando temos uma vida inautêntica, aliás, proposta por Kierkegaard quando apela ao sofrimento para se mostrar o ser cristão autêntico: seus conterrâneos eram inautênticos no melhor sentido de Heidegger.
Ficamos com Lacan: a angústia é a insinuação do outro, e este outro, pode ser o modelo, o transcender de Heidegger ou mesmo Deus em Kierkegaard.
1Objeto “a”: Como em Hegel, Lacan coteja sua concepção de desejo como sendo o desejo do homem “o desejo de desejo, na medida em que é desejo de reconhecimento por parte do Outro”. Esse outro em Lacan é tido como inconsciência. Nesse aspecto de Lacan, o outro é o marcado pelo significante, dividido por uma inconsciência necessária, o qual é sede de um movimento contínuo de desejo. E dessa divisão, igualada a entrada da linguagem, sobra uma parte que não entra no domínio do simbólico (linguagem), sendo portanto essa parte, fora do simbólico, o objeto “a”.

Relação do Texto “Totem e tabu” e a função do Pai com aquela contida em “Função e Campo da Fala e da Linguagem em Psicanálise”




Relação do Texto “Totem e tabu” e a função do Pai com aquela contida em “Função e Campo da Fala e da Linguagem em Psicanálise”

 

 

O pedido é muito extenso para uma situação que, se em Freud é bastante direta, para Lacan se tornou um cavalo de batalha do tamanho de quatro seminários 1, mas que nos deu uma compreensão mais aprofundada sobre o que realmente esse pai primevo freudiano é.
Em Freud
Com a emergência das observações de Freud a respeito de uma repetição constante das situações que constituem o complexo de Édipo (não chamado assim nas suas primeiras observações), e logo após o Projeto das considerações sobre a interpretação dos sonhos, há em Freud uma preocupação em estabelecer os mecanismos que isso aconteceram, a partir de uma visão estruturada na cultura, tido como elemento do desenvolvimento social e como marcador de aspectos dos sujeitos.
A partir então de Darwin, propôs a questão da horda primitiva, a do que hoje chamaríamos macho alfa e seu harém, o qual chamado por ele de Pai Primevo, de forma se diferenciar dos demais “pais” que surgiram depois desse. O pai primevo, arrogante, poderoso, ciumento, impedia a promiscuidade sexual entre os membros do próprio clã, ou seja, impedia o comércio sexual. Para tanto, expulsava os membros mais novos assim que chegassem a idade reprodutiva.
Mas, em algum momento, esses filhos reunidos, enfrentaram o seu pai, o mataram e tomaram seu lugar na horda, ou seja, tiveram acesso ao seu gozo. Ao tomarem seu lugar, enfrentaram o mesmo problema, ou seja, tiveram que evocar os mandamentos do Pai, no sentido de proibirem o incesto, e com isso, impuseram os tabus: a proibição de matarem o Pai e de se acasalarem com os mesmos membros do clã. Por essa situação, ao se encontrarem debaixo do mesmo aspecto da ordenança anterior, colocaram fim a questão do enfrentamento dos mais jovens ao mais velho para lhes tomar o lugar, lugar esse dito como impossível, pois ele não permite o gozo absoluto. Por fim, esse ato, culminou em sentimentos neuróticos de remorso, e a figura do pai foi figurada no Totem, o qual deixava derivar o banquete totêmico, onde todos participavam do “corpo” do pai, de forma que, o sentimento de culpa fosse igualmente distribuído entre todos 2.
Podemos dizer que tanto em vida, como morto, a “função” do Pai Primevo Freudiano era ser a fonte da Lei, a qual os membros do clã deveriam respeitar no recalque, de forma continuarem participando daquele clã!
Em Lacan, seu desenvolvimento
Primeiro, devemos ser enfáticos: Lacan não encerra esse entendimento, ou seja, a “função” do pai, portanto, tudo está sujeito a considerações ulteriores. Podemos afirmar também isso em Freud.
É nesse espírito que, ao propor respostas para lacunas freudianas, Lacan nos apresenta, diga-se de forma brilhante, entendimentos a luz de considerações do campo da linguagem, o qual tinha sido objeto de avanços no campo da pesquisa quando de suas formulações.
É preocupação de Lacan questões de como o pai intervém na constituição do sujeito, pois não pode ser tomado com um algo concreto ou mesmo biológico: isso é ingênuo epistemologicamente falando. Há toda uma investidura familiar nisso, o valor familiar e sua ação psíquica nas relações sociais, as quais se são os meios da transmissão cultural.
É nessa situação que tenta responder a questão fundamental em Totem e Tabu de Freud: se o completo de Édipo é universal no conhecimento das neuroses, como se dá essa transmissão a todos? Como o ódio ao pai e amor pela mãe -triangulação edípica- podem também ser tão abarcadoras nos sujeitos, se não dependem de uma comunicação hereditária? Portanto, o pressuposto freudiano de assassinato do pai primevo como também a questão da proibição do incesto que permite o nascimento da civilização – cultura- necessita de um arranjo que obriga o relacionamento com o pai à dependência de algum meio de transmissão. Lacan propõe a estrutura da organização familiar como esse meio.
E nessa estrutura organizacional familiar que se figura o Pai, o qual, para realizar suas funções, emerge em várias e sucessivos momentos. As subjetividades observadas, no mundo ocidental, valem-se da instituição da “família patriarcal”, bem como seu declínio, apontado por Lacan com um provável também um fator do nascimento da psicanálise.
A situação que se apresenta não difere da situação Freudiana, ou seja, a função do Pai é ensinar ou impor a Lei, através da castração do desejo incestuoso, de forma garantir o processo civilizatório. Esse “Pai”, nessas funções, entende Lacan, se apresentam de forma “simbólica”, na qual ele chama “nome-do-pai-, como uma metáfora que cristaliza, encerra em si, o valor simbólico de sua função.
Raciocinando
O pai Freudiano é o mesmo pai Lacaniano, tomado nas suas funções real, imaginária e simbólica, enquanto Lei. O que difere Freud de Lacan são as abordagens, mas ambas dentro de um imaginado: o primeiro como um mito, em sua acepção mais objetiva que é a de um entendimento de uma situação histórica; o outro como uma metáfora, uma forma de imaginar/dizer de um algo na qual comporta a necessidade de uma simbolização que pode ser transformado em algum tipo de uma fala. No primeiro, o aspecto cultural; no segundo, o da linguagem, essa como uma estrutura, guardado suas próprias sintaxes, modelo que ocorre no inconsciente, que se estrutura como uma linguagem, que comporta também as figuras da metáfora e da metonímia 3. E é na sua transmissão que acessamos o seu provável conteúdo.




Referências
Bispo, Fábio Santos et al. O que é um pai? A função paterna nos momentos iniciais do ensino de Lacan. Disponível em < https://revistas.pucsp.br/index.php/psicorevista/article/view/30988/23330 > . Acessado em 28 de abril de 2018.
Lacan, Jean Jacques. Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise – Relatório do Congresso de Roma. Istituto di Psicologia Della Universitá Di Roma 1953. Zahar. Disponível em https://pt.scribd.com/document/339009688/1953-Funcao-e-Campo-Da-Fala-e-Da-Linguagem-Em-Psicanalise-in-Escritos-Jacques-Lacan-OCR >. Acessado em 28 de abril de 2018.
Reis, Júlia. Diálogo em Psicanálise. O pai mítico de "Totem e Tabu". Disponível em < http://dialogoempsicanalise.blogspot.com.br/2012/01/o-pai-mitico-de-totem-e-tabu_06.html >. Acessado em 28 de abril de 2018



1Refere-se ao desenvolvimento que Lacan faz a partir das considerações freudianas, em particular, a questão de como a cultura é transmitida, já que essa se opõe a qualquer situação inata, não aceita por ambos. Bispo, Fábio Santos et al. O que é um pai? A função paterna nos momentos iniciais do ensino de Lacan
2Entendido que, tal ato foi necessário para se redescobrir a verdade do Tabu, da Lei enquanto necessária na função de se viver em sociedade, mas que dependia da morte desse pai primevo, autor primordial da castração do desejo incestuoso.
3Metáfora: metáfora. Substantivo feminino. Designação de um objeto ou qualidade mediante uma palavra que designa outro objeto ou qualidade que tem com o primeiro uma relação de semelhança (p.ex., ele tem uma vontade de ferro, para designar uma vontade forte, como o ferro). Metonímia: substantivo feminino. Figura de retórica que consiste no uso de uma palavra fora do seu contexto semântico normal, por ter uma significação que tenha relação objetiva, de contiguidade, material ou conceitual, com o conteúdo ou o referente ocasionalmente pensado. Relação metonímica de tipo qualitativo (causa, efeito, esfera etc.): matéria por objeto: ouro por 'dinheiro'; pessoa por coisa; autor por obra: adora Portinari por 'a obra de Portinari'; divindade: esfera de suas funções; proprietário por propriedade: vamos hoje ao Venâncio por 'ao restaurante do Venâncio'; morador por morada; continente pelo conteúdo: bebeu uma garrafa de aguardente por 'a aguardente de uma garrafa'; consequência pela causa: respeite os meus cabelos brancos por 'a minha velhice'; a qualidade pelo qualificado: praticar a caridade por 'atos de caridade' etc.

Considerações sobre o Capitulo IV de Totem e Tabu de Freud - O RETORNO DO TOTEMISMO NA INFÂNCIA

*Incesto!


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Considerações sobre o Capitulo IV de Totem e Tabu de Freud - O RETORNO DO TOTEMISMO NA INFÂNCIA1.

Na sua publicação Totem e Tabu, Dr. Freud se ocupa em discutir os vários aspectos do nascimento da religiões, primeiramente considerando a questão do Totemismo entre várias populações da Terra, em particular na Austrália, América do Norte e na África, indicando que os estudos sobre isso foram apresentados por McLennan em 1869, até ai então encarado como curiosidade, e que em outra publicação Elemente der Völkerpsychologie, de Wundt, acreditada como sendo a cultura totêmica como a preparadora da civilização mais adiantada. Cita também o esboço de doze artigos sobre a realidade totêmica de Reinach, de 1900 no seu Code du totémisme”. Ainda cita J. G. Fraze, autor de Totemism and Exogamy, de 1910, este último conceituando o totem como “uma classe de objetos materiais que um selvagem encara com supersticioso respeito, acreditando existir entre ele e todos os membros da classe uma relação íntima e inteiramente especial”, na essa relação homem e totem é mutuamente benéfica.
Baseado nesses autores, alude as suas ideias de como o totemismo se apresenta, em particular sua representação por animais, e daí as normas de conduta em relação a essas representações, onde o animal-totem não pode ser morto ou consumido ou mesmo se isso é feito, mas a condição que pode ser feito. A principal função observada nisso é que o totem abarca conceitos de proximidade familiar, de pertença dos seus membros a uma realidade totem-povo.
Aparece nesse contexto a proibição do casamento ente os membros de uma mesma tribo totêmica, fundada no conceito da exogamia, mas fixando o caráter de ser o animal totêmico ser tomado como o animal ancestral dos grupos que o reverenciam.

Discute a questão da origem do Totemismo, dividindo-a em:
a) Teorias Nominalistas: no geral, o totem respondia a questão da necessidade de haver um nome pela qual os membros do clã pudessem ser reconhecidos. Essa ideia foi recorrente desde Garcilaso de la Vega no Século XVII, também em Keane em 1899, que os reconhecia como “insígnias heráldicas” as quais eram identificadoras dos seus membros familiares. Há menção também da necessidade no desenvolvimento humano da existência de um nome que permitisse ser mantido pela escrita, entre outros.
b) Teorias Sociológicas.
Advoga seus defensores que o Totem é o representante visível da religião social entre os povos que estão relacionados com ele, na corporificação da comunidade, que é o seu verdadeiro objeto de adoração.
Na sequência do texto, Freud faz várias objeções aos entendimentos de autores sobre isso.
c)Teorias Psicológicas
Seus defensores baseavam-se na crença de uma “alma externa”, onde o totem seria um receptáculo seguro de depósito da alma, e nesse aspecto, quanto o homem primitivo confiava sua alma ao totem, se confundia com ele na invulnerabilidade, e por isso, protegia o totem. Isso resultaria em um respeito aos diversos animais, já que não sabia em qual que representava o totem estaria o depósito protetor de sua alma. Tais ideias foi abandonada posteriormente em face de novos conhecimentos sobre o assunto. Outra teoria que se fez presente em G.A. Wilken 1884, vincula o totem a transmigração das almas, ou seja, o clã aceitava os animais achados certos para serem o novo repositório da alma como membro do próprio clã. Outra, de pesquisadores norte americanos, que o Totem antes era o espírito guardião de um antepassado.

Freud, na sequência, examina a questão da origem da exogamia e sua dependência ao totemismo.
Examina a questão dos dois pontos de vistas opostos na questão: o primeiro, que a exogamia constitui parte integrante do sistema totêmico; o segundo, a negação disso.
Trata então do tabu de relacionamento sexual da mulher com membros do próprio totem, fornecendo explicações do porque, entre eles, questões de sangue do totem ser o mesmo do clã, portanto, não se poderia haver perda desse sangue, por exemplo, na menstruação. Mas isso também era uma ampliação de outros tabus, como por exemplo, a proibição do homem sentar-se sob a sombra de sua própria árvore totem. Pegunta qual é a fonte do horror ao incesto que tem que ser identificada com sendo a raiz da exogamia. Responde que sua explicação de antipatia instintiva de relacionamento sexual entre os parentes consanguineos é insatisfatório, mesmo porque isso sempre foi tolerado, em particular nas classes dominantes. Mesmo aplica-se aos próximos, defendendo a posição que horror ao incesto não é um sentimento inato.
Freud apresenta então sua compilação teórica, na forma de um mito, sobre o que ele entende como realidade na questão totêmica. Apoia-se em Charles Darwin sob o estado social dos homens com paralelos aos dos símios superiores, na qual o macho dominante mantém suas fêmeas, por “ciume”, contra as investidas dos demais machos.
A observação psicanalitica lembra que o relacionamento das crianças se assemelha com a dos homens primitivos com os animais,aceitando-os como seus iguais, mas que, havendo alguma neurose fóbica no seu relacionamento com os animais, isso se referirá sempre a conflitos com seu pai, referindo-se a isso com o Édipo infantil.

A Horda e o Pai Primevo – O que é o totem

Feita as considerações acima sobre a origem dos totens, a exogamia (como forma de proibir o incesto), Freud apresenta a sua própria formulação do que o totem é, a partir da consideração que havia uma refeição totêmica, a qual permitia, pelo sacrifício de algum animal, que todos participassem daquele ato, firmando-os como pertencentes ao mesmo clã, grupo social.
A partir de Darwin, imagina o homem vivendo em pequenas horas, liderados por um deles que tem o privilégio de ter todas as fêmeas, proibindo o comércio sexual dos demais machos com as fêmeas sob sua guarda.
Isso evita o incesto, ou seja, o relacionamento sexual entre parentes e com as mães, de forma que o Pai primevo era o tirano. Em algum momento, os irmãos daquele clã, reuniram-se, e mesmo amando seu pai, o odiavam pelas suas proibições, juntos, armaram-se e o mataram, além de o devorar na esperança de receber nesse ato, seus dotes de Pai.
Feito isso, o caminho para as fêmeas se abriu, mas, ao perceberem o porque a proibição do Pai, sentiram-se com remorso sobre o que fizeram, e impuseram eles mesmos as mesmas leis que seu Pai tinha ordenado.
A consequência disso foi a instituição de um totem que lembrasse seu Pai e também lembrasse do que fizeram, de forma que o Pai morto venceu e ficou ainda mais poderosa suas proibições.
Esses são os mesmos sentimentos da criança que deseja a mãe, mas vê no pai o seu competidos, ao mesmo tempo que tem que eliminá-lo para ter seu objeto de gozo. Nesse interim de coisas, entende o seu amor e identificação com o seu pai, ao mesmo tempo que o odeia.
Essa ambiguidade de sentimentos é o que acontece no período em que se complementa o Édipo na criança. É nesse ordem que Freud vê os primitivos humanos com seus sentimentos infantis.

A importância do Pai

Na psicanálise, o Pai é a Lei, portanto, a fonte da interdição dos desejos incestuosos que acometem ao sujeito infantil, que tem como objeto a mãe. Ao analisar a horda primitiva e seu Pai Primevo, Freud, nesse mito, elabora a situação da infância em aspecto que provavelmente aconteceram na história, já que isso tem ampla influência na sociedade humana, com a religião sendo o sucedâneo da religião totêmica.
As implicações do Pai, seu sacrifício, sua vitória mesmo morto, sobrevivem nos aspectos das religiões. O enigma do Pai tem sido o fundante de nossa relação social, seja pelos chefes de tribos ou aldeias; seja pela imagem do Estado e suas Leis, seja no patriarcado, enfim, essa constituição que dirige nosso relacionamento.
É nesse conflito de amor e ódio ao Pai, que nascem nossas neuroses, segundo Freud. No Édipo temos tomado o nosso objeto de nosso poder, nos transformando de autoerotizados em erotizados, e o Édipo é exatamente isso: a tomada do objeto de gozo de nosso poder, pela ação do Pai.
Por fim, imaginamos nossa constituição a luz do fenômeno Cultural, tendo a figura do Pai sua centralização mais imediata e necessária.


1Freud, Sigmund. Totem e Tabu:algumas correspondências entre a vida psíquica dos selvagens e a dos neuróticos. Porto Alegre. L&PM Editores. 2013

Considerações/fichamento sobre texto da Professora Maria Cristina de Távora Sparano – UFES- ES




Considerações/fichamento sobre texto da Professora

Maria Cristina de Távora Sparano – UFES- ES. 1


Tópicos Considerados:
1. A Evolução do Pai
2. O Pai.

1. A Evolução do Pai

A psicanálise considera a evolução do pai como um “acordo com a civilização”, contida seu seguimento em três considerações, na qual a primeira se caracteriza pela busca do interesse científico da psicanálise, onde a psicanálise busca a porta de entrada da ciência, objetos tanto para Freud como Lacan; já a segunda, na construção de um entendimento dessa evolução com a propositura por Freud de um mito a partir das observações de Darwin e de Atkinson, esse último na Austrália. Foi através do mito da horda primeva é que Freud examina essa evolução, sendo atópica em relação ao que se busca nas narrativas culturais dos povos. Por fim, ao conteúdo simbólico do Pai na psicanálise, que ultrapassa o mitológico, tendo como um dos pontos centrais da psicanálise. Considera portanto os textos freudianos que foram novamente lidos por Lacan no contexto da Linguagem.
Considera que na época da publicação de Totem e Tabu, as teses psicanalíticas em suas relações com as demais ciências tinham um caráter cosmopolita, mas talvez por formação vitoriana, Freud anunciava a primazia genital. Nesse aspecto, além das investigações, passou também a clínica no tratamento dos conflitos neuróticos, além dos processos inconscientes.
Pensa então que se pode considerar que a psicanálise é originada do encontro da observação de um médico e de um homem de ciência com a histeria, sendo essa o trauma que sustenta esse encontro, fim da pesquisa analítica e sendo também o resultado de conflitos sexuais. Isso causa um choque no mundo, pois se relaciona com o conteúdo teórico da época, os quais postulam que os processos de transformação e adaptação são inerentes a todos os seres existentes, e isso iguala o homem a natureza que o circunda, apresentando a noção de Trieb – pulsão – instinto no sentido biológico.
A inscrição da sexualidade na psicanálise liga-a a vida e às funções orgânicas, mas que foi rejeitada naquele momento pelo não desenvolvimento no entendimento do recalque e da realidade pulsional. A também inscrição da psicanálise nos domínios do científico existe a atenção a biologia e a pesquisa sobre o ser vivo, dentro de sua totalidade orgânica, sendo que a psicanálise faz a significação de cada uma na determinação do sintoma. Há também o interesse na fisiologia microscópica, como a mostrada no Projeto, mas que não respondia a determinação das causas neurológicas para o psíquico, como a histeria (pois não havia um “lugar” no corpo onde a histeria podia ser identificada a priori, mas sim só através de seus sintomas nas “outras” partes do corpo!). Nesse aspecto, ante ao conhecimento da biologia, que trata a sexualidade como função orgânica, Freud lembra que a sexualidade objeto da psicanálise é a infantil, que estão além das funções biológicas.
Na sequência, Freud nos apresenta outra situação, na qual se permite olhar em perspectiva, a história do sujeito a partir de seu complexo familiar, fonte tanto da neurose como da psicose. Assim a psicanálise descobre os fenômenos psíquicos reprimidos e recalcados ao estudar a sexualidade infantil, fenômeno desconhecido na época, não se limitando apenas ao orgânico, mas sim a libido.
Instinto e Pulsão serão então os móveis da observação do objeto analítico, no qual considera o estatuto sociopragmático da vida, onde “o desenvolvimento individual, é devedor do desenvolvimento filogenético na evolução da espécie.
Entendeu que a teoria evolutiva, psicanálise, história da natureza, do ser vivo e da história dos homens se resumem, segundo Freud, ao que chamou de cultura. Nesse aspecto, pode ser entendida a maior ligação da psicanálise com as ciências da vida do que às ciências humanas, mas também ligada a psicologia dos povos (interesse de Freud pela cultura e civilizações antigas).
Freud se posiciona diferente a época, ao se ater a genealogia das instituições culturais, ao aceitar que a religião, moralidade e o direito serem atividades psíquicas superiores nos transmitidas de povos considerados primitivos, na qual inscreve Totem e Tabu e também por Mal Estar na Cultura, refletindo a partir de seu interior, pois na evolução dos “primitivos”, magia, fantasia, medo e desejo regem as relações humanas.
Portanto, a experiência analítica acha nas neuroses os mesmos mecanismos que se observam nos formatos sociais pré-históricos. Nesse caso, a psicanálise como o mito, não justifica as neuroses pelo processo de evolução social, apenas mostra que a partir das crenças infantis e da infantilidade do neurótico, compreende o processo da civilização.
Explica, então, a partir de Totem e Tabu, a questão do incesto e sua proibição; a morte do que faz a interdição (o Pai), o seu reconhecimento no Totem, a assunção do seu papel e o estabelecimento das mesmas normas que o Pai defendia. Essa mesma situação ocorrerá no sujeito infantil, elaborado por Freud no Complexo de Édipo.
Lacan retoma essa leitura Freudiana, mas a coloca no âmbito da linguagem, como estrutura do inconsciente (inobstante Freud ter alertado sobre isso, não aprofundou, pelo menos em seus escritos, isso). Retoma então Lacan os ensinamentos de Sausurre, no qual perverte a ordem de significado → significante, para simplesmente Significante. Elabora nesse aspecto a figura do operando “nome-do-pai”, como uma metáfora entendível a partir do pai primevo.

2. O Pai

Nas religiões, como por exemplo o Judaísmo ou mesmo seu sucedâneo, o Cristianismo, o Pai é o Deus e também o objeto de desejo.
Freud considera esse pai no objeto divinizado, como por exemplo, o animal totêmico. Lacan interpretando Caravággio, em sua pintura O Sacrifício de Isaac, na qual tem um “isso” (Lacan: não um sujeito que fala em nome do Outro, mas onde é “isso”, um nome simbólico) que fala a Abrãao, mas também Caravággio pinta um animal sacrificial, uma lembrança desse pai primevo totemizado.
No entendimento do sacrifício do filho, é necessário o foco na faca, o objeto que consuma um desejo de Deus. Simbolicamente , “a faca” é o instrumento que “separa” o desejo de Deus (o Outro) do gozo absoluto de Deus, o que em psicanálise é entendido como “objeto causa do desejo → objeto a . Esse mesmo Deus que exige aquela morte é o mesmo Deus tomado ao pé da letra, não pelo seu gozo que é insondável, mas pelo seu interesse na manutenção da ordem no mundo, NA LEI!. Nessa função paterna, vai do Pai todo Poderoso a qualquer um que se encaixe nessa função. Essa construção mostra a evolução do Conceito Pai, é para psicanálise uma verdade metonímica (de contiguidade), a qual navega sob a transferência do desejo, em cima daquilo que não tem nome, mas que se coloca no lugar do outro, emulando o equilíbrio da Lei e do Desejo.

1Sparano, Maria Cristina de Távora. Epistemologia da psicanálise - Dados eletrônicos. - Vitória : Universidade Federal do Espírito Santo, Secretaria de Ensino a Distância, 2017.

O ser psicanalista, sua ética e ação em um mundo ainda hostil a psicanálise




O ser psicanalista, sua ética e ação em um mundo ainda hostil a psicanálise.


Jorge Generoso do Nascimento1


Colocação do problema


O presente trabalho faz parte das atividades própria do curso Especialização em Filosofia e Psicanálise e Educação da UFES-ES, e terá como objetivo discutir a situação do psicanalista diante de sua própria condução ética enquanto sujeito e suas relações com o outro, considerando que jamais será um sujeito passivo diante de sua formação e continuidade dos estudos, acrescido do agravante, citado aqui apenas um, mas que abarca toda uma situação que pode ser tornar constrangedora, que é a de ser um praticante da psicanálise nascida com Freud e que ainda não é tida ou aceitada totalmente como ciência nos nossos dias. Portanto, não acreditada nesse crivo, o psicanalista é um sujeito que também pode ser visto, por extensão, como o astrólogo em relação a astrologia, como um embusteiro defendendo uma falsa ciência2. Em outras palavras, o psicanalista depende da certeza do conhecimento de Freud ampliado pelos seus seguidores.


O ambiente, quem é e qual a formação do psicanalista


Se o discípulo segue o mesmo caminho do mestre, então deverá sofrer o mesmo que o mestre sofre e, portanto, não deve ficar horrorizado quando sempre vê, ameaçador no horizonte, os que distratam o mestre. Algo como estar em Nápoles, Italia, aproveitando da vida e da encantadora região, mas e de qualquer ponto da cidade, ver o sempre vigilante e imprevisível vulcão Vesúvio, que se não destrói a cidade ali perto, por não ser tão poderoso assim ou a cidade ter aprendido a se defender, frequentemente na história cobrou o seu preço de terror e malignidade. Assim agem os detratores da psicanálise ao atacarem Freud3, não no sentido de elucidação, mas sim de desacreditar. Dai atacarem suas descobertas, vida sexual, de ser um embusteiro, entre outras coisas.
O psicanalista não é nada além do que é sua humanidade como todos os seus em volta: é um sujeito que precisa somente ter seus processos mentais de ilação normais, daí não precisaria ter formação acadêmica obrigatória, qualquer um pode se tornar um psicanalista. Mas dai advém as necessidades éticas baseadas em comportamentos e crenças sociais, portanto, obriga a formação psicanalista às normas sociais de seu meio. A formação psicanalítica então passa ser uma oferta da academia, mas mitigada na forma de pós-graduação ou mestrados e doutorados de Psicologia como pesquisa psicanalítica. Não existe, portanto, uma simples “graduação em Psicanálise”. Portanto, seria um profissional apartado, em princípio, do meio acadêmico oficial e dito científico.
Os requisitos básicos então nessa nova formação, ou seja, a partir da pós-gradução em diante, será o de uma graduação em área de humanas ou afins, a inscrição em uma escola que forneça legalmente uma pós-graduação, dentro de um curriculum básico, avaliações, professores qualificados, os quais passarão aos seus alunos o básico de Freud e de seus seguidores (ampliado em Escolas Próprias, como por exemplo, a Lacaniana).
Nesse aspecto, o psicanalista estará contribuindo na sua ação com o conhecimento das neuroses, a construção do ego, a construção de vínculos sócias; estabelecimento da identidade, de humanização, e da civilidade. Terá como objetivo o alívio do sofrimento, do desenvolvimento humano, do aprimoramento da educação; de motivar a geração de cultura; da compreensão do simbolismo da arte, entre outros.
Portanto, o psicanalista é um sujeito titulado por escola psicanalítica reconhecida e também um analista que detém conhecimentos específicos e cultura reconhecidos, como a maturidade dos conhecimentos psicanalíticos, cultura humanística, capacidade testada de convívio e de disponibilidade.
Já na sua ação, o ato da psicanálise é sustentado pela consideração de confiança entre o analista e o seu paciente. Essa ação não pode ser orquestrada em uma não neutralidade, portanto, o sujeito psicanalista não é alguém além, acima de qualquer vicissitude humana ou moral ou mesmo ética, não é um Totem que recorda um algo anterior, muito menos um Tabu da qual pode se originar uma religião.
Se o psicanalista é, como dito, “… nada além do que é sua humanidade como todos os seus em volta”, então deverá ser estruturado da mesma forma: ou na neurose; ou na psicose ou na perversão. Mas, se ele também não é um sujeito passivo, como será colocada a questão da transferência e da contra-trasferência, a primeira, necessária ao exercício de sua função, quando será objeto de amor e ódio do analisando? Como solucionará a questão da Ética que aplica ao seu desejo e dos mecanismos que isso impede de realização? Tudo isso considerado um ambiente que não é muito favorável ao reconhecimento da psicanálise como uma ciência.


Falando sobre um comportamento Ético.


Não haverá processo psicanalítico sem a existência do par psicanalítico, formado pelo analisando e o analista. O analisando é alguém que procura um esclarecimento sobre seus sintomas, e procurará um analista para que este o ajude a enxergar suas causas, e a partir dai o analisando poderá elaborar uma situação que objetive sua vida, considerando suas neuroses. Procura isso em um analista que é alguém que é herdeiro tanto do conhecimento de Freud, como um ombro-a-ombro com Freud e seus seguidores em suportar a carga que se joga contra a psicanálise na tentativa de a desqualificar classificando-a como uma falsa ciência. E esse analista tem que estar conscientizado dessas realidades que, além de ser um analista, também é e deve ser um defensor do legado Freudiano, exigindo-se dele atitudes e procedimentos próprios da ortodoxia psicanalítica, pois ficará difícil defender uma ciência na qual o seu próprio executor demonstrar ambiguidades fora do entendimento Freudiano ampliado por seus seguidores, no tratamento a que se propôs com seu analisando. Aqui se preconiza uma ortodoxia.
O procedimento ético do psicanalista aqui é o de se submeter primeiro aos princípios psicanalíticos, abrangendo a formação, a continuidade dos estudos, a participação dos eventos próprios da psicanálise, mas e principalmente, o cuidado na sua própria análise, que podemos dividir em dois entendimentos, na qual um complementa o outro da seguinte forma: o psicanalista tem que estar, para atender o outro, com suas situações de vida examinadas por outro psicanalista e, de forma complementar, se apropriar do seu conhecimento no seu próprio entendimento. É desnecessário aqui explicar essa situação, apenas será citado o conselho Evangélico de primeiro limparmos a nossa visão para depois limpar a do outro 4
Concluímos entendendo que existe também esse outro objetivo a ser perseguido pelo psicanalista, que não somente o exercício do seu mister, mas também defender e ampliar sua herança freudiana diante de um mundo hostil; esse conjunto de situações regulam a ação pessoal do psicanalista, que em primeiro, deve aliviar o outro de suas tribulações neuróticas; segundo, considerando sua posição no mundo que acredita e ao mesmo tempo tenta desmerecer a psicanálise e a partir de sua própria condição, não relaxar na sua formação na discussão; no seu processo constante de análise individual, de forma que, amplificado por todo esse conhecimento, o aproprie no seu próprio auto-conhecimento.
Portanto, dentro de uma perspectiva que na psicanálise o psicanalista tem que ser primeiro analisado, de forma capacitá-lo para se autorizar ao atendimento, é lícito e ético que isso seja complementado pela apropriação do seu conhecimento em iluminar sua própria análise, seu auto-conhecimento, pois a formação de um psicanalista envolve, além dos conhecimentos, herdar métodos ou situações de consultório também como formação no seu próprio processo analítico.
Dessa forma, nutrido seu conhecimento pelo estudo e também pela sua experiência pessoal de análise e auto-conhecimento, ele estará perfeitamente adequado a aplicar e defender a psicanálise contra todos aqueles que, por razões que somente poderiam ser compreendidas se fizessem sua própria análise psicanalítica, lançam-se na desventura de tentar acabar com a psicanálise.
Referencias:
A Ética na Psicanálise a Partir de seus Conceitos Centrais e sua Relação com a Terapêutica . Disponível em < https://psicologado.com/abordagens/psicanalise/a-etica-na-psicanalise-a-partir-de-seus-conceitos-centrais-e-sua-relacao-com-a-terapeutica > Acessado em 24 de março de 2018.
DUNKER, C. I.L - Nova biografia investe violentamente contra imagem de Freud. Disponível em < https://revistacult.uol.com.br/home/dunker-biografia-freud/ >. Acessado em 24 de março de 2018.
DUNKER, C.I.L – Riscos Próprios e Riscos Impróprios da Formação Psicanalítica. Intervenção no Fórum do Campo Lacaniano , São Paulo, 2007. Disponível em < http://stoa.usp.br/chrisdunker/files/1967/10630/2007+-+Riscos+Próprios+e+Impróprios+da+Formação+Analítica.pdf > Acessado em 24 de março de 2018.
Eksterman, Abram. Desafios atuais para a prática psicanalítica. Disponível em < http://www.medicinapsicossomatica.com.br/doc/desafios_atuais_pratica_psicanalitica.pdf >. Acessado em 24 de março de 2018.
MOURA, Joviane Aparecida de . A Ética na Psicanálise a Partir de seus Conceitos Centrais e sua Relação com a Terapêutica. Disponível em: < https://psicologado.com/abordagens/psicanalise/a-etica-na-psicanalise-a-partir-de-seus-conceitos-centrais-e-sua-relacao-com-a-terapeutica >. Acessado em 24 de março de 2018.
1Psicanalista com formação pela Associação Brasileira de Psicanálise Clínica e cursista da especialização Filosofia, Psicanálise e Educação – UFES 2018.
2É do conhecimento pessoal do autor um sujeito que toma como próprio para si todo o discurso contrário a psicanálise. Mas uma das respostas para isso é que tal atitude funciona como um mecanismo de defesa, na obtenção de uma parede que o isole da dor psíquica de admitir quem na realidade é, situação essa já revelada pelo trato psicanalítico.
3Christian Dunker fala de mais um livro nesse sentido, em reportagem da UOL (https://revistacult.uol.com.br/home/dunker-biografia-freud/)

Questões de Ética



Questões de Ética



Classificada como “substantivo feminino”, a ética é definida como a parte da filosofia que procurar pensar de forma investigativa sobre o que faz ser, desfazer, disciplinar, organizar ou mesmo orientar o comportamento do ser humano, atendendo especialmente ao respeito do âmago das normas, dos seus valores constitutivos, proibições, conselhos, os quais se fazem presentes em qualquer extrato social. Portanto, é a reunião de regras, preceitos morais de um indivíduo, um grupo social e ou de uma sociedade. Depende de uma condição consciente e de normas supostamente conhecidas por todos os indivíduos. Considera, portanto, o homem e o seu grupo de ação, interligando-os.
A psicanálise como experiência ética se faz no sentido de colocar o homem na sua centralidade de desejo inconsciente, na subjetividade singular do sujeito, não se preocupando com os demais, e não indica ou mesmo mostra algum bem a ser conseguido, mas, pode ser vista nos valores constitutivos, proibições, conselhos, vamos assim nos referir, ligados a esse mesmo sujeito singular.
Difere-se portanto da experiência ética vivida por parte da filosofia, que entende a ética como dito acima no início, mas acrescenta o fato de que a prática ética leva a aquisição de algum bem, poderíamos dizer, de uma recompensa.
Admitimos que o que faz mover o aparelho psíquico é o desejo, entendido dentro do prazer, que por sua vez é investido pela diminuição do desprazer. Nesse aspecto, a experiência psicanalítica poderia ser entendida como um escrito, um conjunto de ações que permitiria o sujeito confronto com o acesso ao real, situação essa na ordem do impossível, pois o real é desconhecido e escapa a simbolização. Mas, como entender desse forma? Freud utilizou-se de mitos para dar a consistência necessária ao que acontecia em sua clínica, em particular o mito de Édipo, visto que o que acontecia e acontece no setting de atendimento escapa a experiência ou sua repetição em condições controladas. Lacan se utiliza da conceituação dos significantes separados de significados, os quais aderem ao próprio indivíduo nas suas representações, sendo que os significantes não se detém em significados, ordem essa invertida da conceituação de Saussurre1, que preconizava a antecedência do significado sobre o significante. Considera que o sujeito é um vazio, e que se enche do que ele representa para o outro, ou seja, o significante que ele é para o outro. Portanto, o discurso do inconsciente é o discurso do outro. Esse fato faz considerar o sujeito sob a influência de seu meio.
O sujeito nessa experiência ética, ou seja, da interpretação do seu desejo e em relação ao seu conflito do gozo, desejado internamente e mediado pelo ego com a realidade, não pode ser uma experiência de viver seus desejos, em particular sexuais, até seus limites de exaustão. Deve ser sim entendido sob a mediação entre o sujeito e seu desejo como uma experiência ética, mas sem o alcance de se decidir o modelo de vida liberador inconsequente ao meio que vive, sob pena de perder o seu principal vínculo em relação ao meio que é o de proteção contra os elementos naturais, portanto, da constante ameaça a sua vida.
O sujeito, portanto, não é passivo e não atende a normatização de estatutos, antes, há de ter após essa experiência ética, o reforço do seu “eu” e uma nova catexia libidinal, de forma manter sob controle a pulsão de morte. Devemos entender que nada se ganha vivendo debaixo de um super-ego ameaçador, alimentando as neuroses que evitam a busca do prazer, mas, ao ter essa gerência de ego, saberá dosar a sua vida em uma situação de permissão ou não.
1 Ferdinand de Saussure (Genebra , 26 de novembro de 1857 – Morges, 22 de fevereiro de 1913 ) foi um linguista e filósofo suíço, cujas elaborações teóricas propiciaram o desenvolvimento da linguística enquanto ciência autônoma. Seu pensamento exerceu grande influência sobre o campo da teoria da literatura e dos estudos culturais. Saussure entendia a linguística como um ramo da ciência mais geral dos signos, que ele propôs que fosse chamada de Semiologia. Graças aos seus estudos e ao trabalho de Leonard Bloomfield, a linguística adquiriu autonomia, objeto e método próprios. Seus conceitos serviram de base para o desenvolvimento do estruturalismo no século XX. Ferdinand de Saussure . Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_de_Saussure>. Acessado em 20 de março de 2018.


Afetos em São Tomas de Aquina e na Psicanálise

Afeto em São Tomás de Aquino e na Psicanálise “ Nada há no intelecto que antes não tenha passado pelos sentidos” (São Tomas ...