sexta-feira, 4 de maio de 2018

Complexo de Édipo da Psicanálise?


Complexo de Édipo da Psicanálise?


Está dito que a psicanalise faz a mediação entre o sujeito com seus desejos (satisfação) e as barreiras que existem nesse ínterim, as quais são impeditivos dessa realização. Está calcada na observação, e tem como bases o inconsciente, o recalque, tudo isso como novidade de um saber que, ainda hoje, e acusado de fraude ou mesmo inutilidade, a vista de um sentimento que o “cientificismo” não pode prová-la, repeti-la em laboratório, controlar suas observações. Como resultado de não ser reconhecida como ciência, tem seus domínios – e são muitos!- frequentemente citados por outros mais “reconhecidos” na ciência, como é o caso da Psicologia. Lembramos que não temos no Brasil uma graduação em Psicanálise, mas sim em Psicologia. Voltaremos a esse tema abaixo.
O que se percebe, a partir do movimento filosófico de Locke, Hobbes e Condillac, em particular desse último, é que não existem sistemas inatos, mas sim, na natureza e esses são observáveis, atendidos e pensados, gerando conhecimento, informação, as quais uma vez esses sistemas serem tomados como consciência, são passados aos outros.
Freud ao observar a questão da histeria, aqui em poucas palavras, entendeu que ela era proveniente de outras realidade que não a de ter um órgão próprio que a causasse, inobstante deixar muitos acontecimentos no corpo, como paralisias: era de ordem psicológica, não física como era entendido então. Esses processos o levaram a questionar uma situação inconsciente, fora do controle, tendo como causas forças ou sensações até então não compreendidas ou sistematizadas. Mas esse era o problema: onde encontrar a região corporal que esse inconsciente jaz, dorme, age?
Não é preciso muitas observações, retenções ou ilações para entender que, desde o seu nascimento, a psicanálise já se encontrava em rota de choque com os conceitos e princípios da época, do positivismo das coisas, do materialismo científico reinante! Não é surpresa então a apresentação de um Projeto Para uma Psicologia Científica, de 1895, título esse que, podemos entender, já tem uma ambiguidade no nome → Psicologia Científica, na certeza de que se trata dos estados e processos mentais, do comportamento do ser humano e de suas interações com um ambiente físico e social, portanto considerando que
... a psicologia buscou na teoria positivista respaldo para afirmar sua cientificidade. Wundt foi o fundador do primeiro laboratório de Psicologia, em 1879. Devido à fundação desse laboratório, a Psicologia tornou-se ciência, pois passou a realizar experiências de acordo com os critérios comtianos. O experimento de Wundt com o metrônomo, tendo como método científico a introspecção analítica, mostrou a possibilidade de se descrever as impressões psicológicas ligadas aos estímulos externos. Assim, ficou demonstrado por ele que as sensações cotidianas poderiam ser recriadas em laboratório seguindo os critérios da ciência positivista.(1)
dando a entender que a psicologia ainda lutava por esse reconhecimento na época da publicação do Projeto de Freud. Mas aqui somos obrigados a fazer uma ressalva: o que era estudado na Psicologia como comportamento, não o era por Freud, tendo ele intuições diferentes sobre o assunto em particular, a histeria. O que se enfatiza aqui é a necessidade desse reconhecimento por parte da ciência positivista. E foi nessa direção que Freud materializa as sensações na sua descrição de como funciona o sistema nervoso até a produção de produtos “conscientes”, ou seja, dos qualitativos.
A caminhada da psicanálise foi a de uma ciência, com a apresentação de seus fundamentos, e entre eles o do Complexo de Édipo, fundamental na Psicanálise, o qual, em pequeno resumo, trata das disputas entre a criança a figura parental do mesmo sexo pelo amor da figura parental do sexo oposto. Quando a criança nasce, depende totalmente das figuras parentais, em uma relação de fusão, sendo que os pais lhes garante as satisfações de gozo. Portanto, nessa relação triangular de sujeitos, a criança imagina nos pais sua extensão de satisfação, até que ela começa a perceber que a história não é bem assim, que existe um compromisso maior entre os pais entre si do que para ela, ou seja, já não é mais o centro da situação. Essa diminuição do “amor” dos pais em relação a criança, toma o caminho dela culpar o progenitor do mesmo sexo como culpado por esse afastamento deles em relação a ela, essa não exclusividade com ela do “amor”. A relação da criança com o progenitor do mesmo sexo terá então duas dimensões, ou seja, do ódio, pois ele lhe priva ou toma o amor do progenitor do outro sexo; de amor, pois ele quer ser igual ou ter os mesmos acessos que o progenitor do mesmo sexo tem com o outro não do mesmo sexo. Essa relação termina com a frustração do Édipo, quando o progenitor do mesmo sexo firma sua, digamos, autoridade em relação ao progenitor do sexo diferente.
Sem forçar além dos limites da razoabilidade, inobstante Freud inaugurar um mundo novo com a sua Psicanálise, esta na sua infância teve que ver no positivismo científico de então a sua extensão para promover suas satisfações. Mas, no desenvolvimento natural do processo, ou dessa infância, foi-se percebendo que algo de ente estava além disso, era uma metapsicologia (2), ou seja, havia fenômenos que não podiam ser descritos ou observado a luz do empirismo. Portanto, pode parecer estranho, mas a Psicanálise passa por processos Edipianos semelhantes ao desenvolvimento do sujeito, com todas as suas frustrações, em uma relação de amor e ódio com o positivismo, seja por odiá-lo no não reconhecimento imediato como ciência, seja no amor por ver nele a chance de ser reconhecida como ciência. Mas a Psicanálise teve seu Édipo completado, tornando-se adulta e com sua ação modificou todo o pensamento ocidental, ao questionar o papel da moral e do sexo na nossa cultura. Entre as frustrações, está a acusação do “machismo” de Freud em suas posição de “falocentrismo”, inobstante essa ser uma das coisas mais facilmente observáveis no nosso comportamento humano. Essa realidade “falocêntrica” teve seus percalços até com Lacan (3), considerado seu mais importante seguidor, título não totalmente aceito pela comunidade psicanálitica.
Mas, para que serve mesmo a Psicanálise?
Várias respostas podem ser dadas, mas a fundamental parece ser a do “conhece-te a ti mesmo!”. Esse aforismo grego, atribuído a Tales de Milleto, trás presente a nossa necessidade de responder o que somos, e a psicanálise ajuda a partir do entendimento de nossa estrutura. Somos filhos do meio que vivemos, por isso, pode-se afirmar que a psicanalise “ é entendida como experiência da relação do sujeito com o próprio desejo e com as barreiras que separam um do outro.” Há mais entendimentos? Sim, mas eles fatalmente irão caminhar para o auto-conhecimento, condição essencial na mudança do discurso, do comportamento.
Portanto, as relações da psicanálise com o mundo, em particular com o empirismo, são tumultuadas a vista do arcabouço de sua construção que admite fatos que estão além da nossa experiência comum. Mas, não seria isso também, o que acontece com a experiência positiva das religiões, ou seja, também não podendo ser demonstradas, apenas cridas? Ou mesmo da física quântica teórica, que apresenta uma aparente irracionalidade chamada de “ princípio da incerteza”? A psicanalise já foi chamada de heresia (4) e, portanto, comparada obrigatoriamente a religião, exatamente por que menciona e comenta a origem das religiões, chamando-as mesmo de “ilusão”. Mas isso está dentro do espírito materialista, que não concebe outra forma do fenômeno além de sua filiação natural… mas é obrigada ao entendimento que tem algo além dessa normalidade na ação do sujeito. Portanto, existe uma ambiguidade nisso, uma vez que a Psicanálise tem a ordem da pesquisa da ciência, mas trata de assuntos que não podem ser evocados em um laboratório. Nesse aspecto, “..Uma psicanálise se compreende como uma experiência do sujeito, na qual os conceitos servem para articular um fenômeno que não é da ordem das ciências naturais ou formais”.
Mas, então, o porque o cientificismo de Freud e do seu considerado maior discípulo Lacan?
A resposta naturalmente repousa no fato de que, a priori, os dois, em particular e primeiramente Freud, são pesquisadores, e no espírito materialista (e mecanicista), os fenômenos tem que estar obrigados a causas naturais, não sobrenaturais e devem ser procurados na natureza. E somos sujeitos naturais, completos. Por outro lado, Freud como qualquer criança, aqui considerado seus estudos iniciais, procuram ser reconhecidas e aprovada pelas suas figuras parentais, no caso, representadas pelo materialismo de então, o qual, estabelecido regras, define o “científico”, a “coisa” científica. E, como já dito, isso deve ter sito tomado como uma extensão natural da psicanalise, pois o método científico, como os pais, seria os seus alimentadores, seus cuidadores e guias.
Nesse aspecto, confundimos aqui o trânsito do Édipo, pois a psicanálise não teria que se apropriar de suas próprias descobertas? A única contestação aqui são as datas que tanto o anuncio de Freud como sua exposição do Édipo serem distintas, e o último posterior, mas deve ser lembrado que Freud não criou o Édipo, apenas o observou, revelou-o, ou seja, o Édipo é atemporal a história humana e a própria psicanálise.
Mas outro fator, e lembrando a própria personalidade de Freud e seu narcisismo, seus desentendimentos com colaboradores e a mão firme com que conduzia o processo, a questão da procura da cientificidade na Psicanalise também pode ser entendida como jogo do saber, do poder, como bem lembra Foucault. Mas isso também não é um jogo do Édipo, ou seja, quem vai ficar com o objeto de gozo?
Ai nem mesmo interessaria a lembrança de Heidegger de que a exatidão matemática são magnificados em relação ao que representam nas dimensões espaço-tempo, para que sejam representadas como processos naturais, através da mediação do número e do cálculo. Mas não é esse o seu caráter de investigação da natureza, ou seja, contar exatamente, mas se mostra assim ou dessa forma, pois sua correspondência aos objetos tem a marca da exatidão e essa delimitaria sua observação da natureza. Já as ciências das coisas vivas são rigorosas exatamente por serem inexatas, para justificar a situação que Psicanálise suscita quando não pode ser examinada a luz laboratorial.
Concluiremos da seguinte forma, aproveitando um nome muito importante na ciência. O Dr. Stephen Hauking, propõe no seu livro “O universo em uma casca de noz” uma solução intrigante para uma questão real observada pela ciência: não existe no universo matéria suficiente que justifique o efeito gravitacional observado nele, ou seja, a trama tempo-espaço sofre uma modificação maior do que seria esperado. Teoriza o eminente cientista que existe o paralelismo na criação, ou seja, há outros universos (ou Branas ), as quais influenciam gravitacionalmente nossa realidade aparente, suprindo essa falta de matéria mas que dificilmente isso será observável, apenas deduzido (5). É uma boa metáfora para entender a psicanálise, pois a formulação teórica funciona desse jeito, ou seja, não podemos negar a histeria, as neuroses outras como os “TOC”, fobias, fixações, isso dentro do nossa realidade aparente, mas precisamos de um arcabouço pensado de como isso funciona ou surge e que não pode ser visto, tocado ou evocado materialmente! Também a psicanálise nos permite observar o mundo a nossa volta e entender os processos que levam ou não o homem a ser um ser civilizado. Entende os processos de todos os transtornos, o mal-estar geral da civilização.
Além disso tudo, sofre a psicanálise com a não distinção de ser uma graduação nas faculdades, relegada a apêndices dos departamentos de Filosofia ou Psicologia. Mas, por que? Se ensinam teoria das cordas que ainda não podem ser observadas ou medidas com rigor cientifico, por que não estudar ou ensinar sobre o inconsciente, Totem e Tabu, que entendemos estar no mesmo barco do conhecimento, igualados pela sua incapacidade de se deixar observar em ambientes controlados?
Uma coisa pode ser dita disso tudo e sem nenhuma dúvida ou medo: A academia sempre tenderá a não conceder esse status a Psicanálise exatamente por que é a própria psicanálise que, diante de sua história, se autoriza, não a instituição. Em outras palavras: é o psicanalista que se autoriza, que estuda, que é analisado! Não depende dessa autorização formal da Academia, portanto, será muito difícil a academia ensinar, como em uma graduação, um saber, que não depende da sua autorização para que ele se formalize.
Por fim, ninguém é obrigado a crer no movimento psicanalítico, por essa ou por qualquer outra razão: mas se a psicanálise permite ou provoca condições do auto-conhecimento, da diminuição do sofrimento humano, do resgate da pulsão de vida em substituição ou minoração a pulsão de morte, pouco importa se ela é um placebo ou não, pois ela é vitoriosa onde nenhum remédio consegue resolver!!!
NOTAS:
1. Vaz, Michel. A psicologia enquanto ciência. Disponível em < http://www.psicologiamsn.com/2013/02/a-psicologia-enquanto-ciencia.html >. Acessado em 03 de março de 2018.
2. Metapsicologia. O termo metapsicologia pode ser encarado como sinônimo de psicologia metafísica, uma área de estudos da psicologia dedicada ao estudo de fenômenos dos quais a chamada psicologia empírica não se propõe a estudar, por não serem acessíveis ao conhecimento pela experiência e que não pode ser provado pelo método científico proposto pelo positivismo para as ciências. O termo metapsicologia, porém, tem também um outro significado bastante específico, associado à psicanálise. O termo foi cunhado por Freud em seus estudos sobre as relações entre o inconsciente e a consciência para designar um conhecimento psicológico que considere as dimensões tópica, dinâmica e econômica do psiquismo, que se mostram nessas relações.
De maneira breve e bastante simplificada, o aspecto tópico, dinâmico e econômico poderiam ser descritos como, respectivamente, uma teoria dos lugares¹, das forças e da energia psíquicas.
¹Convém observar, porém, que tal teoria dos lugares não corresponde a uma busca por localizações físicas para os aconteceres psíquicos, mas sim de delimitar instâncias responsáveis por diferentes funções- por vezes conflitantes. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Metapsicologia >. Acessado em 04 de março de 2018.
3. O origem do Mundo foi um quadro pintado com um tema de mostrar o “sexo” feminino em sua forma mais dura, realista. Depois de várias contratempos (roubos e recuperação), foi comprada pro Lacan,“ que por sua crueza, foi escondido sob uma pintura de madeira do seu cunhado André Masson. “ em sua casa de campo. Observe-se que inobstante a pintura não tratar-se do falo, trata da questão da castração, ou seja, quando o menino observa que a mãe não tem o seu falo, lhe arremete o medo de perder o seu! Mais detalhes sobre a pintura em L'Origine du monde. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/L%27Origine_du_monde >. Acessado em 05 de março de 2018.
4. Araujo,Ricardo Torri de. Deus analisado: os católicos e Freud. A recepção da crítica freudiana da crença religiosa pela Igreja Católica. Disponível em < http://teopsic.psicologia.ufrj.br/arquivos/documentos/91E114F55F1BD63B04E41A8ABEA7F0E6.pdf >. Acessado em 05 de março de 2018.
5. Capítulo 7º: ... “Ao contrário, à distâncias menores que a separação entre as membranas, a gravidade variaria mais rapidamente. As minúsculas forças gravitacionais entre objetos pesados foram medidas com precisão no laboratório, porém, ainda não se detectaram efeitos atribuíveis à existência de membranas separadas menos de uns poucos milímetros. Atualmente, efetuam-se medições a distâncias mais curtas. Nesta interpretação, viveríamos em uma membrana, mas haveria outra membrana «sombra» em suas proximidades. Como a luz estaria confinada nas membranas e não se propagaria no espaço entre elas, não veríamos o universo «sombra», mas notaríamos a influência gravitacional de sua matéria. Em nossa membrana, pareceria que tal influência é devida a fontes realmente «obscuras», no sentido de que a única maneira de detectar seria através de sua gravidade. De fato, para explicar a velocidade com que as estrelas giram ao redor do centro de nossa galáxia, deveria haver muito mais massa que a correspondente à matéria que observamos. A massa que falta poderia proceder de algumas espécies exóticas de partículas, como as WIMP (weakly interacting massive particles) partículas volumosas interagindo debilmente ou axiones (partículas elementares muito ligeiras). Mas, também poderia constituir um indício da existência de um universo sombra que contivera matéria —e, possivelmente, humanos tridimensionais que se perguntam pela massa que parece faltar em seu universo para explicar as órbitas das estrelas sombras ao redor do centro da galáxia sombra. Hauking, Stephen. O universo em uma casca de noz. Disponível em < http://lelivros.love/book/download-o-universo-numa-casca-de-noz-stephen-hawking-em-epub-mobi-e-pdf/ > , acessado em 05 de março de 2018.




REFERÊNCIAS:
-Araujo,Ricardo Torri de. Deus analisado: os católicos e Freud. A recepção da crítica freudiana da crença religiosa pela Igreja Católica. Disponível em < http://teopsic.psicologia.ufrj.br/arquivos/documentos/91E114F55F1BD63B04E41A8ABEA7F0E6.pdf >. Acessado em 05 de março de 2018.
-Hauking, Stephen. O universo em uma casca de noz. Disponível em < http://lelivros.love/book/download-o-universo-numa-casca-de-noz-stephen-hawking-em-epub-mobi-e-pdf/ > , acessado em 05 de março de 2018.
-L'Origine du monde. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/L%27Origine_du_monde >. Acessado em 05 de março de 2018.
-Metapsicologia. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Metapsicologia >. Acessado em 04 de março de 2018.
-Vaz, Michel. A psicologia enquanto ciência. Disponível em < http://www.psicologiamsn.com/2013/02/a-psicologia-enquanto-ciencia.html >. Acessado em 03 de março de 2018.

Cinema e Psicanálise - Filme Dead Again



Filme: Dead Again 
Voltar a Morrer (BR)
Origem: Estados Unidos
1991 •  cor / preto e branco •  107 min 
Direção  Kenneth Branagh
Produção  Lindsay Doran
Roteiro  Scott Frank
Elenco  
Kenneth Branagh - Mike Church / Roman Strauss
Emma Thompson - Grace / Margaret Strauss
Derek Jacobi - Franklyn Madson
Andy Garcia - Gray Baker
Robin Williams - Doutor Cozy Carlisle
Christine Ebersole - Lydia Larsen
Wayne Knight - 'Piccolo' Pete Dugan
Jo Anderson - Irmã Madeleine/Starlet
Lois Hall - Irmã Constance
Género  Thriller
Música  Patrick Doyle
Edição  Peter E. Berger
Distribuição  Paramount Pictures
Lançamento  23 de agosto de 1991
Idioma  inglês


Dead Again (Voltar a Morrer (título no Brasil) ) é um filme de 1991, dirigido por Kenneth Branagh. É o segundo filme de sua carreira como diretor; o primeiro foi Henrique V. O filme conta com o próprio Branagh no elenco, juntamente com sua esposa Emma Thompson, Andy Garcia, Derek Jacobi e Robin Williams.


Sinopse
O detetive Mike Church (Kenneth Branagh) está investigando o caso de Grace (Emma Thompson), uma mulher que sofre de amnésia. Ele se apaixona por ela e continua tentando descobrir a causa dos pesadelos que ela tem. Os dois procuram o hipnotizador Franklyn Madson (Derek Jacobi), que diz que a mulher havia sido Margaret Strauss, uma famosa pianista que tinha sido assassinada por seu marido - Roman Strauss - em uma outra vida, nos anos de 1940.


----------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Filme bem construído, com uma história onde o passado se confunde com o presente vivido pelos novos personagens históricos. O seguimento da obra se referencia na crença de vidas passadas, as quais são acessadas no inconsciente pela hipnose, reveladas e tomadas por verdadeiras (1). Na tentativa de se acharem pessoas que a reconheçam, recebem a visita do hipnotizador, o qual, através de suas sessões, vão localizando um passado enterrado nas memórias reprimidas, tanto de Grace, a qual é reconhecida em Margaret Strauss, assassinada no final da década de 40, como também de Mike Church, reconhecido como Roman Strauss, suposto assassino da esposa.
Os aspectos psicanalíticos da obra são intensos, vividos de forma cruel em sua representação. Mas o que fixa na merecida evidência é o caso da personagem do rapaz Franklyn Madson, filho da governanta, que não encerra sua passagem pelo Édipo, estando fixado na fase anal e simbiotizado com a mãe, e é nisso que a história se constrói nessas relações, a qual ele é perfeitamente caracterizado: apego ao dinheiro, colecionador e tenta realizar o desejo de matar o pai para ficar com a mãe, no primeiro momento, ainda identificado com a figura paterna, eliminado a concorrente da mãe, Margaret Strauss, de forma permitir a sua mãe ficar com a sua imagem de pai; no segundo momento, sua própria mãe, de forma ficar com a sua idealização, que é Grace, mas para tanto, tem que eliminar o concorrente que é Mike Church.
Outras considerações:
No desenvolvimento da criança, Freud entende que somos sucedidos por tres fases distintas. A primeira é a fase oral, quando as relações são de alimentação de outra pessoa, tendo ai também gozos eróticos, lembrando que a criança antes da passagem do Édipo é dona da fonte, força, finalidade e objeto sexual, portanto auto-erotizada. É sucedida essa fase pela fase anal, quando o gozo pela expulsão dos rejeitos processados na alimentação são adicionados ao primeiro controle que a criança tem que é dos seus esfíncteres, ou seja, ela sabe reter e permitir a evacuação. Nessa fase, a criança pode desenvolver chantagens com os pais, e se não bem estruturada, se tornará uma pessoa pródiga ou avarenta no trato do dinheiro, já que este está relacionado questão do dar, conceder os rejeitos dos alimentos processados ao outro, como forma de presente. A primeira infância termina na fase fálica, onde se descobre a existência dos órgão sexuais nos meninos e na sua falta aparente nas meninas.
Essas características da fixação da fase anal são bem exploradas no filme, bem documentadas na ação com momentos ontológicos, como por exemplo, quando ele cobra por uma revista usada a Mike Church, bem como quando ele vê móveis antigos na casa desse último e simula um conhecimento que falseia a origem do bem, para poder adquirir a cadeira por preço menor.
Mas a parte mais assustadora da sua neurose é que, como neurótico ele não vai praticar, mas induz Grace a matar Mike Church, para assim ter seu caminho livre para ela, ou seja, ele tem que matar de alguma forma o “pai” (que ele identifica com Roman Strauss), realizando seu sonho Edipiano da infância. Com essa nova identificação, Grace, igualada a sua mãe, mas com uma carga infantil mais intensa, ele continua simbiotizado. A sequencia em que ele assassina sua mãe é a consequência dela ter exposto a sua culpa na morte de Margaret Strauss em 1948, acredito, sequência não muito bem encaixada, mas, como obra, não realidade, permitida.

Evitar o desprazer para voltar ao paraiso


EVITAR O DESPRAZER PARA VOLTAR AO PARAÍSO
Jorge Generoso do Nascimento
Cursista em Especialização em Filosofia, Psicanálise e Educação – UFES – ES.


Resumo: A noção de inteligência e conhecimento ou estar ciente é uma preocupação comum na história humana, entendida como um atributo concedido por uma instância extra-humana. Na história da humanidade, os mitos respondiam essa necessidade de entender a realidade, mas, com o desenvolvimento natural do homem e as condições de pensar existentes inicialmente em sociedades como a grega, o mito cedeu lugar a razão, estendendo-se até os dias de hoje, materializado em Freud no entendimento dos processos naturais que respondem pela memória e ilação, tendo como centro de movimento o primado do prazer e o desprazer na hierarquia das paixões humanas.
Palavras Chaves: Locke, Hobbes, Condillac, Freud, empirismo, materialismo.
Abstract: The notion of intelligence and knowledge or being aware is a common concern in human history, understood as an attribute granted by an extrahuman instance. In the history of humanity, myths responded to this need to understand reality, but with the natural development of man and the conditions of thought initially existing in societies such as the Greek, myth gave way to reason, extending to the days of today, materialized in Freud in the understanding of the natural processes that respond by memory and illation, having as center of movement the primacy of pleasure and displeasure in the hierarchy of human passion
Keywords: Locke, Hobbes, Condillac, Freud, empiricism, materialism.
1. Introdução.
Faz parte este texto das obrigações finais no desenvolvimento do curso de Especialização em Filosofia, Psicanálise e Educação, apresentando a compreensão percebida de parte da disciplina, sob o título Paixões e Psicanálises.
Pretende-se com isso o aprofundamento de entendimento da hierarquia das paixões, revisitando filósofos do início e transcorrer da Idade Moderna, culminando em Freud e sua contribuição ao entendimento da psiquê humana, respondendo, dentro da crença mecanicista, como os processos elaborados pelos filósofos anteriores realmente aconteciam, ao mesmo tempo que firma de forma definitiva o primado do prazer-desprazer na hierarquia das paixões.
Portanto, houve a apropriação dos autores acima mencionados, bem como de literatura auxiliar, no sentido de dar um corpo mais geral no entendimento do desenvolvimento humano, além do abordado no material indicado de pesquisa.
2. Na aurora da era do discernimento.
No filme 2001 Uma Odisséia no Espaço, a evolução humana é mostrada a partir da capacidade inata da percepção através dos sentidos da visão, do toque, que atende somente ao perceber da realidade física e seu uso mais imediatista, no caso o atendimento das necessidades de sobrevivência do grupo pré-humano mostrado, o qual responde somente a realização dessas pulsões. A capacidade cognitiva se desenvolve a partir de um acontecimento extra natural, o qual os capacita o raciocínio para o uso de ferramentas – armas para recuperar a posse de bens necessários a sua sobrevivência, tomados a força por outro grupo mais numeroso (no caso, um poço de água e mais tarde o abate de animais, perenizando o fornecimento de alimentos e suas chances de manutenção da descendência). Mas essa capacidade pensante é obtida através do ”toque” no objeto representativo de um ente extra-terrestre, os quais na continuidade da franquia, os seus desenvolvedores confundem esses “extra-terrestres” com um princípio criador (1). É baseado em obra de ficção de Arthur C. Clark (2). O filme e a obra citadas refletem na realidade as mesmas crenças atuais de certos grupos que acreditam na manipulação/desenvolvimento do homem de alguma forma – genética ou de instrução – provenientes de entidades extra-terrestre ou mesmo intra-terrestes (3), como aconteceu em toda a história humana nos seus mitos de intervenção “divina”. Portanto, essas realidade criacionistas ou evolucionistas de intervenção não são novos na história humana. E por não ser novo, é difícil imaginar qual foi o momento certo da humanidade que isso aconteceu, ou seja, a instalação na história do homem esses mitos.
Não deve ser mitigada as considerações sobre os mitos, pois a existência do ser consciente sempre foi tomada como “concedida” por outrem, seja ele o criador ou um “despertador-legislador” revelado por algum emissário ou pela própria deidade. O homem plasmado de barro, na mitologia da criação da Bíblia, recebe um hálito, uma “ânima” do criador, e por isso se torna um ser vivente e consciente, aqui tomado como inteligente. Como um certificado dessa nova situação, o insuflador dessa ânima lhe mostra os animais criados em uma desfile diante desse ser plasmado e insuflado com inteligência, e esse homem nomeia todos os animais, ou seja, toma conhecimento e posse da natureza ali representada. A inteligência e o discernimento foi tomada como um “dom” dado por Deus a Salomão, e por isso ele prosperou em muito na vida (4).
Historicamente, a criação do mito para explicar a realidade pode ser localizada no decorrer da era neolítica no momento do desenvolvimento da fala (5). É nessa época que o homem tem a indústria e também a passagem da economia de coleta para a economia de produção. No seu final, marca também quando os deuses masculinos assumem o lugar dos deuses femininos (6).
A história posterior do homem o pensamento bem como uma linguagem já evoluída e com mais chance de difusão, deu margem a especulação filosófica, quando o “mythos” deu lugar para o “logos”, e os deuses tem sua posição relativizada em função da observação da natureza, especulações essas que chagaram até o final da Idade Média, continuados pelo pensamo empirista e materialista, pelo menos, no ocidente.
2. A herança medieval e de Santo Agostinho.
O cristianismo, herdeiro da filosofia religiosa judaica, acrescido dos ensinamentos de Cristo e difundido a partir da capital do império mais poderoso de então, o Império Romano, o qual foi mediador da cultura grega para o ocidente, legando-nos os princípios da civilidade, língua e filosofia, formula a questão do relacionamento da criatura com o Criador, difundindo a primazia do espírito sobre a matéria, e que o princípio inteligente tem sua origem no Criador. Mas não pode deixar de ser notada um algo materialista na formulação da heresia nestoriana, que pregava a separação, no caso de Cristo, de sua humanidade e divindade. O combate a essa heresia criou e fortaleceu o princípio do monofisismo, o qual reconhece um ser com suas realidades físicas e espirituais, único em uma só identidade unidas de forma hipostática, ou seja, o homem é um ser material e espiritual. É deste período e neste entendimento, que Santo Agostinho ordena as paixões, considerando o par amor-ódio como a fonte de partida para os demais, considerando que há, primordialmente, dois amores, um terreno, amor próprio, que leva ao desprezo de Deus, e outro celestial, que leva ao desprezo de si mesmo e amar Deus, neste caso o Sumo Bem. O esquema das paixões fica então na ordem do Amor (Ódio); Desejo (Aversão); Gozo (Sofrimento). Prega-nos o ideal cristão de que Deus é o Sumo Bem, portanto, deve ser amado, desejado e desfrutado no gozo eterno.
3. A Idade moderna e os novos entendimentos.
Mas, mesmo sem negar essa realidade, como fica expresso no pensamento de Hobbes, o desenvolvimento das ciências naturais pela observação, levou a partir dos anos 1600, a considerações sobre o que motiva o homem a se mover. Caberia aqui a discussão sobre as idades lendárias dos povos, como o paraíso terrestre, o mito de Atlântida como forma idealizadas de um bem de repouso.
Na esteira dessas mudanças, se definem algumas escolas de pensamento:
3.1. O empirismo
Filosoficamente, o empirismo é uma argumentação sobre o conhecimento, considerando que este se adquire através da experiência sensorial, legando-nos o método indutivo, que pretende que a ciência só pode ser derivada dos processos da experiência. O empirismo destaca o papel da experiência sensorial e da evidência, acima de ideias inatas ou tradições. O empirismo tem como pátria de desenvolvimento o Reino Unido já desde a Idade Média europeia, tendo como expressões o filósofo John Locke (7).
3.2 O materialismo
O materialismo se propõe a ser um tipo de fisicalismo, ou seja, que a diversidade do conhecimento elevem a física para a condição de ser o paradigma científico universal, na suposição de que tudo os aspectos da realidades internas e externas ao homem adquirem sua materialidade compreensível se entendidas como realidades físicas.
Portanto, o materialismo sustenta que a existência é a matéria como fundamento de tudo, gerando assim todos os acontecimentos de interação. Segue-se então a filiação do materialismo ao monismo, diferenciando-se do dualismo ou pluralismo.
4. O pensamento de Hobbes, Locke, Condilac e Freud
O empirismo Inglês foi contemporâneo da chamada reforma religiosa na Inglaterra, na qual o monarca do momento era o chefe da Igreja da Inglaterra – Anglicana. Tocou mais a Locke esse momento, o qual viveu o espírito calvinista, mas ao contrário deste, pregava a tolerância religiosa, além do princípio do liberalismo, nesse esboço, entendia que ao homem deve ser garantidos o seu direito a vida, a liberdade e a propriedade privada, cabendo ao Estado a manutenção desses direitos.
Teve uma vida atribulada, inclusive de refugiado em outro país por problemas políticos na Inglaterra. Contribuiu decisivamente com o liberalismo, produzindo vários ensaios: “Cartas sobre a Tolerância”, “Ensaio sobre o entendimento humano” e dois tratados sobre o governo civil.
Mas uma de contribuições a filosofia foi seu antagonismo a Platão relativamente ao chamado “conhecimento inato”, ou seja, descarta que o homem já tenha algum conhecimento; nesse aspecto, é considerado um dos principais do empirismo, na afirmação de que a totalidade do saber e do aprender é fruto da experiência. O conhecimento inato é antagonizado por ele na ideia da folha em branco, ou seja, o homem é moldado pelas experiências de tentativas e erros, restando ao empirismo a compreensão metodológica, sistemática e crítica desse acontecimento.
Hobbes, contemporâneo de Locke, tinha concepções próprias que iam ao encontro do liberalismo de Locke, considerando que a natureza humana tinha carência de uma sociedade e um governo forte, centralizado, e que todos, para viver em sociedade, devem sacrificar um pouco do seu “eu” em favor da vivência comum, ou seja, devemos nos render em nossa autonomia em parte a favor de um governante, de forma que esse seja o fiador da vivência social.
Contribuiu de forma extraordinária ao desenvolvimento em compreender a formulação do desejo. Examina a questão do pensamento, que é uma representação ou uma qualidade, ou ainda, de algum corpo que atua em nossos sentidos, os quais, como sensações, produzirão algum efeito. Essas sensações originadas nos órgãos de sentido causam o nosso conhecimento, pela pressão que isso causa nos órgãos de sentido, os quais, introjetados no interior da pessoa, causa uma resistência, uma sensação. Mas isso tudo se deriva do movimento, que não se configura como uma ilusão, pois ele tem efeito imediato em nossa imaginação, e diferencia a questão da realidade com a aparência que resulta em nós, pois o objeto é antes de tudo uma coisa, e a ilusão ou imagem é uma outra coisa, concluindo que na totalidade dos casos, a sensação é uma ilusão originária nascida pelo momento das coisas no exterior em nossos sentidos.
Hobbes também define a memória como sendo a experiência, colocado que a imaginação refere-se apenas as coisas que foram percebidas anteriormente pela sensação. A imaginação dos adormecidos ele denomina sonhos, nascidas também nas sensações anteriores.
Étienne Bonnot de Condillac, filósofo francês, foi membro de duas importântes academias, tanto a francesa como a de Berlim. Manteve amizade com os encicopledistas como Diderot, além de Rousseau e Duclos. Manteve filiação a Locke, e mais tarde elabora suas próprias conclusões no seu Traite des Sensations, de 1754.
Para situarmos Condillac e seu Tratado das Sensações, mister se faz rever Lock.
O pensamento de Locke, sustenta a origem do conhecimento como sendo sensorial, reconhecendo a imanência das ideias de prazer e dor misturadas com todas os outros sentimentos, sendo então isso a fonte de nossas ações, em particular, a fuga da dor. Para tanto, imaginou que trazemos na bagagem de nossa criação, a capacidade inata da percepção do deleite, este como motivador de nossas ações de pensamento e ação, o que nos capacitaria, pela mistura de sensações, afetos ou paixões, a preferência de pensamentos e ações que nos impeliria a transpassar os limites da indiferença a caminho da atenção.
Contra esse pensamento, Condillac afirma que não há sistemas que sejam inatos no homem, pois tudo que se pode observar pela ciência o deve ser feito ou pensado através do racional. O conhecimento representado pelos sistemas já estão disponibilizados na natureza e satisfazem as necessidades dos homens, os quais podem principiar para todos quando o podem deduzir. Estes sistemas são as sistematizações de princípios constatados ou aferidos pela ciência.
Para Condillac, o homem deve sua existência somente ao seu corpo físico, portanto, fora as sensações que lhes são próprias, tudo o demais é organizado pela linguagem e análises das sensações e são possíveis apelas por meio dos valores adquiridos.
Sob esse ponto de vista, é correto afirmar que todos os sistemas da natureza são dependentes da racionalidade e dos elementos externos para serem conhecidos, pois estão na dependência do processo de interpretação das sensações por cotação em relação a sensação anterior, dentro do extrato do ser humano representado pelo corpo e alma, o primeiro, possuidor dos sentidos, a segundo, das sensações.
A memória será sempre em Condillac como o resultado da sensação captada pelos sentidos transformada, isto é, resultado da comparação com as sensações anteriores.
Em um processo de facilitação de entendimento, em Condillac a estruturação do sistema proposto é que primeiro há as sensações, que são movidas para a ordem da atenção, sendo então comparadas e julgadas, culminando em tornar-se reflexão. A memória e o juízo das coisas são originadas no relacionamento com as coisas do mundo, medidas pela prazer ou sofrimento causados.
Dr. Sigmund Freud, fundador da psicanálise, nasceu Freiberg in Mähren, em 1856, originalmente pertencente ao Império Austríaco, hoje pertencente a Republica Tcheca.
Herdeiro de tudo isso, restou a Freud dar uma ordem material científica a essas sistematizações que tanto o empirismo como o materialismo produziram em termos de conhecer o ser humano e a partir de seus conhecimentos e observações, manifesta então o Projeto de uma psicologia científico-naturalista, baseados na naturalidade do homem desenvolvida por Hobbes, Locke e Condillac, dando uma física realmente materialista e mecanicista dessa herança filosófica das paixões.
Imaginou o sistema nervoso, suas excitações, os aspectos das considerações sobre a natureza quantitativa (cargas de energia nervosa que ele chama de Q), assentado no princípio da Lei da Inércia, ou seja, que tende ao repouso. Em sua visão, considera a natureza peculiar do neurônio em descarregar os impulsos recebidos, mantida o que transita nos neurônios em níveis os mais baixos possíveis.
Considerou a permeabilidade ou não dos neurônios, os quais diferencia aqueles que permitem o percurso livre para o descarregamento de suas excitações, chamados de Phi, os quais recebem estímulos externos, dos neurônios que chama de Psi, originados essas excitações de forma endógena.
Ao reconhecer as diversas fontes de excitação, interna e externa, ao modo de Condillac e de sua Estátua que se abre aos estímulos externos e responde a eles, designou como aparelho neurológico e suas funções de percepção, memória e consciência.
Propõe um sistema neuronal iniciando de forma primária, inconsciente, o qual visa somente se manter livre de estímulos; bem como de uma segunda função, que faz essas excitações, mesmo descarregadas, manter alguma memória. Essas excitações emanam dos processos de fome, respiração, sexualidade, entre outros.
A repetição desses estímulos endógenos será causa de comparações e que levarão a sua conquista através de funções representativas desses interesses. É a partir dessa fonte de estímulos endógenos que se desenvolve uma regra de constância, o qual se manifesta no arrefecimento ao princípio da inércia, obrigado o princípio do prazer ser menos um escoamento, descarga das excitações mas sim uma eliminação do excesso, mantendo seu nível constante.
Deve-se se trazer aqui que a função primária tem concomitantemente ao seu lado o início de função secundária (pré-consciência e consciência), função essa que ocorre na manutenção da adequabilidade de excitação e uma constância no seu próprio recarregamento. O escoamento e conservação de Q, influi no entendimento de parte do tecido nervoso, ou seja, a capacidade de ser impresso de forma permanente por processos únicos, entendido como sendo a conservação da alteração passada após o estado de excitação. Isso conduziu Freud a pensar em em neurônios perceptivos e neurônios recordativos. As barreiras de contato controlam a qualidade perceptiva, que agem nos neurônios perceptivos e os recordativos, e isso nos permite entender que assim está materializado o instituído por Condillac.
Portanto, Freud também além da explicação de como os fatos quantitativos ingressam no sujeito, mas ele também teve que responder como os fatos qualitativos – prazer e desprazer – são naturalizados também desse sistema nervoso neuronial. Ao introduzir no estudo o fenômeno da dor, o possibilita examinar o papel do desprazer, os quais, como a dor, movimenta tanto os sistema neuronial phi e o psi.
Para formalizar no meio físico neuronial as sensações conscientes, propõe a massa neuronial que denomina “ômega”, os quais, em excitação, apresentariam como resultado as sensações conscientes.
Inobstante sua filiação a Condillac, mas no seu reconhecimento de que as estimulações causam desprazer, por isso seu destino é o de ser descarregado, diferencia-se de Condillac, pois o sistema nervoso tende sempre a inércia do repouso. E assim, afirma que o que nos perturba é a excitação, e o prazer é a inexistência ou diminuição do desprazer. Vivemos e buscamos o Prazer.
Conclusão
Fica nítido que a necessidade do homem explicar sua existência desperta, que pensava e fazia ilações, tenha tentado entender os acontecimentos naturais, observados, a partir do uso de uma linguagem narrativa que abriga a metáfora, a metonímia, a fantasia e o fantasioso, na tentativa de entender a própria gênese dos fenômenos, inclusive ele próprio, além de dar uma resposta ao objetivo de suas vidas.
A resposta do seu eu inteligente, pensante, é tida como um presente dado, como uma concessão de forças que são representadas nos mitos, mas também não são compreendidas na sua totalidade. No entendimento dos mitos, as realidade se tornam presentes e são aceitas como tal. Mas, em algum momento da história, esses mitos não foram mais suficientes para explicar a realidade concreta, e isso marca o início de nossa história registrada com mais precisão.
Povos como os gregos, nos legaram de forma crivada, bem definida, esse momento, quando o mito cede lugar a razão, esta a serviço do entendimento da natureza, sua constituição, movimentos, entre outros. Mesmo esse pensamento já apontar para os próprios processos naturais como causa do existir, do ter consciência de sua vida, finitude, só foi no final da Idade Média europeia que esse corpo de pensamento tomou sua forma que chega até o nosso século presente.
Pensadores como Locke, Hobbes e Condillac fazem a nova filiação do homem ao processo natural, portanto, para chegarmos hoje no reconhecimento dessa capacidade humana de sentir e mesmo ter memória, a partir do entendimento que os sistemas estão na natureza, não em nós, patenteia-se essa filiação natural, os quais são reconhecidos no homem pelas sensações, não por capacidades inatas e são essas sensações que nos farão interagir com o meio natural e será a fonte de nosso conhecimento.
A evolução nos dotou dos sentidos, mas a ordem da interpretação dessa realidade se faz no nosso interior. Os filósofos anteriores a Freud imaginaram o processo; Freud descreveu como isso acontece na nossa entidade biológica, acrescentando-lhes, podemos ousar dizer, o desejo de uma paz que nasce da não excitação, mas da inércia, do repouso. E é isso que aqui nos interessa. Nesse aspecto, podemos imaginar que sentimos saudades do paraíso do sistema de coleta, pois no momento que nos industrializamos, enchemos nossas vidas de tensões que precisam ser descarregadas, pois psicanaliticamente falando, o que recalcamos, retorna depois como um sintoma.
A moral comum impediu em muito o reconhecimento do prazer-desprazer como o embolo que é fonte de nossa movimentação no motor da vida. É verdade, somos constituídos na falta, mas, assim como em Hobbes, temos necessidade do recalque de nosso desejo imediato de se livrar das tensões de forma se tornarem em prazer puro, de forma podermos viver em comunidade e com todas as suas vantagens em nos garantir a vida, a liberdade e a posse de bens. O conhecimento humano do prazer como motor de nossa atividade não deve nos levar ao prazer pelo prazer de um hedonismo doentio, mas sim nos prover de meios de civilidade, de superar a nossa carga inicial de desejos incontrolados.
Ao descrever a função do desprazer, Freud coloca na ordem correta a direção de nossas paixões em Prazer (desprazer) ; Desejo (Aversão); Amor (Ódio).
Notas:
1- 2001: A Space Odyssey (2001 - Uma Odisseia no Espaço no Brasil) é um filme anglo-americano de 1968 dirigido e produzido por Stanley Kubrick, co-escrito por Kubrick e Arthur C. Clarke e baseado no livro homônimo do próprio Arthur. O filme lida com os elementos temáticos da evolução humana, existencialismo, tecnologia, inteligência artificial e vida extraterrestre. É notável por seu realismo científico, efeitos especiais pioneiros, imagens ambíguas que são abertas a ponto de se aproximarem do surrealismo, som no lugar de técnicas narrativas tradicionais e o uso mínimo de diálogo.
2. Sir Arthur Charles Clarke, mais conhecido como Arthur C. Clarke (Minehead, Somerset, Inglaterra, 16 de dezembro de 1917 — Colombo, Sri Lanka, 19 de março de 2008) foi um escritor e inventor britânico radicado no Sri Lanka, autor de obras de divulgação científica e de ficção científica como o conto The Sentinel, que deu origem ao filme 2001: Uma Odisséia no Espaço e o premiado Encontro com Rama.
3. Pedro Rego nos diz que o mito é uma necessidade e produção humana e não poderia estar desaparecido das sociedades ocidentais e que temos nossos mitos atuais: “..Vivemos numa época capitalista e numa sociedade de consumo desenfreada onde o maior mito é a felicidade do consumo. Da mesma forma os heróis míticos povoam constantemente o nosso imaginário fazendo-nos querer ser como eles, servindo-nos como exemplos para a acção quotidiana ou para vidas imaginada. Ayrton Senna, Romário e Ronaldo, Marlyn Monroe….” Continua lembrando que a concepção de que o mito é forma errada de ver as coisas como citado por Sir James Frazer entre outros, vem cada vez mais sendo abandonada pois, citando Bernardo Bernardi, “A análise moderna pôs os mitos sob outra perspectiva, como parte integrante de uma cultura particular, pertençe à sua linguagem e neste sentido o seu valor é completo”. (Relações entre Mito e Ciência – Universidade Fernando Pessoa, Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal).
4. Em Gênesis 2, 4-7” Quando Javé Deus fez a terra e o céu,5 ainda não havia na terra nenhuma planta do campo, pois no campo ainda não havia brotado nenhuma erva: Javé Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem que cultivasse o solo e fizesse subir da terra a água para regar a superfície do solo. Então Javé Deus modelou o homem com a argila do solo, soprou-lhe nas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivente.” Depois, o homem usa desse inteligência e discernimento e toma posse da criação : Gênesis 10-20:” Então Javé Deus formou do solo todas as feras e todas as aves do céu. E as apresentou ao homem para ver com que nome ele as chamaria: cada ser vivo levaria o nome que o homem lhe desse. O homem deu então nome a todos os animais, às aves do céu e a todas as feras...”. Em 1 Reis 10-13, Salomão recebe como dom o discernimento: “ Então Deus disse para ele: «Porque você pediu isso, e não vida longa para você, nem riquezas, nem a morte de seus inimigos, mas discernimento para ouvir e julgar, eu farei o que você pediu. Darei a você mente sábia e inteligente, como ninguém teve antes de você e ninguém terá depois. Eu lhe darei também o que você não pediu: riqueza e fama, de modo que não haverá nenhum rei que se iguale a você, durante toda a sua vida.” (Bíblia eletrônica Paulus- Edição Pastoral).
5. Neolítico (pedra nova) ou Período da Pedra Polida é o período histórico que vai aproximadamente do X milênio a.C., com o início da sedentarização e surgimento da agricultura, ao III milênio a.C., dando lugar à Idade dos Metais. Não se aplica à pré-história europeia nem americana, incluindo a do Brasil. As primeiras aldeias eram criadas próximas a rios, de modo a usufruir da terra fértil (onde eram colocadas sementes para plantio) e água para seres humanos e animais. Também nesse período começou a domesticação de animais (cabra, boi, cão, dromedário, etc). O trabalho passa a ser dividido entre homens e mulheres, os homens cuidam da segurança, caça e pesca, enquanto as mulheres plantam, colhem e educam os filhos. A disponibilidade de alimento permite também às populações um aumento do tempo de lazer e a necessidade de armazenar os alimentos e as sementes para cultivo leva à criação de peças de cerâmica, que vão gradualmente ganhando fins decorativos. (Neolítico – Wikipédia).
6. Essas descobertas (de estátuas) levaram historiadores e arqueólogos a sugerir que, bem antes de venerar deuses masculinos, os antepassados do homem teriam adorado as deusas, cujo reinado chegou até a Idade do Bronze, há cerca de 5 mil anos. Não se sabe a rigor o exato significado daquelas estatuetas, até porque pouco ou quase nada se conhece dos costumes dos homens pré-históricos. Mas não resta dúvida de que por um bom tempo as deusas reinaram sozinhas, deixando os poderes masculinos à sombra. Em seu livro Um é o outro, a filósofa e professora francesa Elisabeth Badinter tenta explicar a supremacia feminina a partir do que se supõe teriam sido as relações entre homens e mulheres naquelas épocas distantes. A idéia é que o homem do Neolítico—ao contrário dos seus antecessores do Paleolítico, que eram caçadores, e dos seus descendentes da Idade do Bronze, guerreiros—dedicava-se à criação de rebanhos e à agricultura. Ou seja, já não era necessário arriscar a vida para sobreviver. Nesses tempos relativamente pacíficos, em que a força bruta não contava tanto como fator de prestígio e as diferenças sociais entre os sexos se estreitavam, é bem possível que deusas—e não deuses —tivessem encarnado as principais virtudes da cultura neolítica. (As divindades femininas: No princípio, eram as deusas)
7. O problema da indução é a questão filosófica sobre se o raciocínio indutivo (uma generalização ou uma previsão não dedutiva) leva ao conhecimento. Uma generalização é qualquer argumento não dedutivo cuja conclusão é mais geral do que as premissas. Ou seja, o problema da indução refere-se a: 1. Generalizar sobre as propriedades de uma classe de objetos com base em algumas observações do número de instâncias específicas da classe (por exemplo, a inferência de que "todos os cisnes que temos visto são brancos e, portanto, todos os cisnes são brancos", antes da descoberta do cisne negro); 2. Pressupor que uma sequência de eventos no futuro ocorrerá como sempre foi no passado (por exemplo, que as leis da física manifestar-se-ão como sempre foram observadas). Segundo a linha indutivista, a ciência começa com a observação. A observação, por sua vez, fornece uma base segura sobre a qual o conhecimento científico pode ser construído, e o conhecimento científico é obtido a partir de proposições de observação por indução (Problema da indução - Wikipédia)


REFERÊNCIAS.
2001 Uma odisseia no espaço. Filme. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/2001:_A_Space_Odyssey > Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
A filosofia de Santo Agostinho. Disponível em < http://www.clerus.org/clerus/dati/2009-02/16-13/A_Filosofia_de_Santo_Agostinho.html >. Acessado em 19 de fevereiro de 2018.
Artur C. Clark. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_C._Clarke >. Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
As divindades femininas: No princípio, eram as deusas. Disponível em < https://super.abril.com.br/cultura/as-divindades-femininas-no-principio-eram-as-deusas/ >. Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Barros Larraia, Roque. O jardim do Éden revisitado. Disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77011997000100005 > . Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Bíblia Eletrônica Paullus – Edição Pastoral. Disponível em < http://www.paulus.com.br/biblia-pastoral/_P9.HTM > . Acessando em 19 de fevereiro de 2018.
Bocca, Francisco Verardi. Paixões e Psicanálise dimensões modernas da natureza humana . UFES 2017.
Branco, Alberto Manual Vara. A mitologia grega, uma concepção genial produzida pela humanidade: os condicionalismos religiosos e históricos na civilização helénica. Disponível em < http://www.ipv.pt/millenium/Millenium31/4.pdf >. Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Depiné, Ágatha Cristine.O surgimento da filosofia e a evolução dos Dualismo Cartesiano. Disponível em < http://www.acervofilosofico.com/dualismo-cartesiano >. Acessado em 19 de fevereiro de 2018.
Empirismo. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Empirismo > . Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Freud, Sigmund. Publicações Pré-psicanalíticas e Esboços Inéditos (1886-1899) Vol. I - Brochura ) (Edição Digital) – Vitória – UFER 2017.
Hobbes. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Hobbes > Acessado em 19 de fevereiro de 2018.
Locke. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke > . Acessado em 19 de fevereiro de 2018.
Malmesbury, Thomas Hobbes de . Leviatan ou Matéria, Forma e Poder de Um Estado Eclesiástico e Civil. Vitória. UFES 2017.
Materialismo. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Materialismo >. Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
MITOS: a importância da Escola Jônica para a construção da racionalidade. Disponível em < http://www.pucrs.br/edipucrs/XSalaoIC/Ciencias_Humanas/Filosofia/71062-AGATHACRISTINEDEPINE.pdf >. Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Monofisismo. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Monofisismo >, Acessado em 19 de fevereiro de 2018.
Neolítico. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Neolítico >. Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Nestorianismo. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Nestorianismo >. Acessado em 19 de fevereiro de 2018.
Nestorianismo. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Nestorianismo >. Acessado em 19 de fevereiro de 2018.
O Problema da Indução. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Problema_da_indução ). Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Rêgo, Pedro. Relações entre mito e ciência. Disponível em < http://revistas.rcaap.pt/antropologicas/article/viewFile/1058/848 > . Acessado em 22 de fevereiro de 2018.

Hedonismo!!!!!


Do Hedonismo.

Inobstante o primado do prazer/desprazer hoje ser elegantemente conhecido, a sua questão fundamental esteve ligada ao entendimento do Hedonismo, palavra que nos é atual, mas originada na civilização grega (de “hedonê” → prazer, vontade ), a qual filosoficamente é entendido como sendo o prazer o maior bem da vida humana. Surgida também na Grécia, essa filosofia é bem representada em Aristipo de Cirene.
Na atualidade, a filosofia utilitarista tenta se firmar em uma pensamento mais abrangente, entendendo que o prazer na seu entendimento de felicidade deve abarcar o maior número de indivíduos.

Mesmo com antagonismos muito bem delineados, ocorre do hedonismo ser confundido com o epicurismo, entendendo este que o hedonismo tem a necessidade de ser regido pela razão, o qual se moderará.
O hedonismo na filosofia é melhor entendido por Aristipo de Cirene, que foi contemporâneo de Sócrates, o qual via dois estados da alma: o prazer como um movimento moderada do amor e a dor, como um movimento agressivo do próprio amor, distinguindo ele o caminho da felicidade como a busca constante do prazer e da diminuição da dor.
Na nossa civilização atual a partir de sua modernidade, La Mettrie, iluminista francês, atualiza o hedonismo e Sade o radicaliza levando-o ao amoralismo, cambiando o ideal de serenidade em frieza no trato com outras pessoas.
Devemos também diferenciar o egoísmo hedonista, buscado somente pelo indivíduo para o seu próprio deleite do hedonismo universalista (utilitarista) que visa ser o hedonismo colocado a todo, o que leva aos sistemas modernos a crença que a base moral e das leis é a maior felicidade para um maior número de pessoas, centrado no fato de poder um máximo de utilidade com um mínimo de restrições pessoais, o que leva ao entendimento do direito como uma simples moral do útil coletivo. Mas ao lado desse quantitativo, ou seja, do quanto mais, também é assumido um critério de qualidade, representado em uma argumento que cada indivíduo tem sua atenção voltada para a procura do bem e a riqueza evitando o mal e a miséria (Stuart Mill).

Em Condillac

Não fica portanto difícil entender que o movimento até Condillac, o qual em sua metáfora da estátua de mármore que pouco a pouco se abre as sensações através de seus sentidos, que ao observar estados atuais em comparação com estados passados, sob o a perspectiva do que é prazer/desprazer, pode mesmo ser comparada a caminhada da humanidade na sua própria descoberta, quando através dos séculos, em função das descobertas dos sistemas naturais através da experiência sensorial, indica as suas faltas e seus movimentos em busca de se preencher isso.
Essa tomada de conhecimento através dos sentidos e a comparação pelas repetições é o motor que nos faz caminhar no sentido de se buscar o prazer e se evitar o desprazer. É de se admitir também que o prazer não seja uma alternância ao desprazer, mas em Freud, é exatamente a ausência do desprazer.
Dessa forma, não ha se estranhar o primado do prazer/desprazer na atualidade, em que valores do hedonismo se multiplicam em uma velocidade assustadora, tendo como consequências a própria devastação do meio ambiente como consequência imediata e necessária. Ficamos na lembrança do hedonismo epicurista que ansiava pela moderação, hoje podendo nos ver nas tentativas da reciclagem, uso racional dos recursos, preservação, entre outros. Não devemos questionar Condillac e os demais por nos abrir esse “sistema”, ou seja, o primado do prazer / desprazer sobre os demais, como ter causado no mundo uma desregulamentação moral e mesmo um afrouxamento nos nossos recalques (para vivermos em sociedade), transformando o hedonismo mesmo na primazia do ID sem nenhum freio do SuperEgo. Não, haveremos de entender que acima disso, pela nossa própria capacidade de fazer ilações sobre as sensações em suas repetições e dai raciocinar, como nos coloca Condillac, essa é exatamente a medida que nos permitirá existir enquanto espécie exatamente por darmos atenção aos sentimentos e sensações que nos são prazerosos na manutenção de nosso bem último buscado que é a própria vida!

Afetos em São Tomas de Aquina e na Psicanálise

Afeto em São Tomás de Aquino e na Psicanálise “ Nada há no intelecto que antes não tenha passado pelos sentidos” (São Tomas ...