Resumir e analisar Freud parece uma obra inatingível, pois seu
universo criativo vai além de nossas simples considerações. Sua
vida e sua obra confundem-se na mesma estrada, na qual o cientista
ousou observar o eu inconsciente a partir de suas observações dos
outros e mesmo, incrível, de si. Com certeza, não foi o caso único
no mundo, mas talvez o mais famoso.
Falar da falta na condição necessária para o desejo não se
explica de forma simples, pois sua construção é a própria
construção do sujeito, sua subjetividade consequente, entre outros
aspectos.
Somos feito na relação do outro, na relação da falta, pois só
desejamos o que nos falta. Freud nasceu,cresce, militou e foi
atingido pelo ambiente do anti-semitismo. Portanto, não deve haver
espanto que ele tenha desejado ser a diferença em mundo onde
precisava se manter, casar e produzir conhecimento.
Mais do que ninguém ele sabe sobre o desamparo, da perda da coisa
inominável, da figura do pai.
E é na análise da histeria que ele se resolve, que ele percebe as
nuances vividas em uma sociedade que se achava auto-suficiente nas
suas decisões, herdeira do “penso, logo existo”, na repressão
aos desejos do sexo, da libido, em particular nas mulheres, essas as
maiores vítimas dessa repressão. Foi sua sagacidade que observou
que, se a boca não fala, o corpo se revolta. Estava ai marcado o
início da psicanálise, como uma saber do mais profundo do ser
humano, que é seu inconsciente, seu verdadeiro motor, a partir dos
desejos incestuosos das histéricas.
O desejo, portanto, tem a relação íntima com o sujeito do
inconsciente, nas suas escolhas, na busca de uma coisa perdida.
Outras perdas se materializaram em sua vida, como a saída de Viena
para Inglaterra, onde morre, além de parte da família nos porões
do nazismo.
Sua obra gigantesca, marcada inicialmente pela grande obra do século
passado, que foi o livro A interpretação dos Sonhos, definiu e
modificou o pensamento ocidental e sua influência deverá durar
ainda vários séculos a frente.




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