Questões de Ética
Classificada
como “substantivo feminino”, a ética é definida como a parte da
filosofia que procurar pensar de forma investigativa sobre o que faz
ser, desfazer, disciplinar, organizar ou mesmo orientar o
comportamento do ser humano, atendendo especialmente ao respeito do
âmago das normas, dos seus valores constitutivos, proibições,
conselhos, os quais se fazem presentes em qualquer extrato social.
Portanto, é a reunião de regras, preceitos morais de um indivíduo,
um grupo social e ou de uma sociedade. Depende de uma condição
consciente e de normas supostamente conhecidas por todos os
indivíduos. Considera, portanto, o homem e o seu grupo de ação,
interligando-os.
A
psicanálise como experiência ética se faz no sentido de colocar o
homem na sua centralidade de desejo inconsciente, na subjetividade
singular do sujeito, não se preocupando com os demais, e não indica
ou mesmo mostra algum bem a ser conseguido, mas, pode ser vista nos
valores constitutivos, proibições, conselhos, vamos assim nos
referir, ligados a esse mesmo sujeito singular.
Difere-se
portanto da experiência ética vivida por parte da filosofia, que
entende a ética como dito acima no início, mas acrescenta o fato de
que a prática ética leva a aquisição de algum bem, poderíamos
dizer, de uma recompensa.
Admitimos
que o que faz mover o aparelho psíquico é o desejo, entendido
dentro do prazer, que por sua vez é investido pela diminuição do
desprazer. Nesse aspecto, a experiência psicanalítica poderia ser
entendida como um escrito, um conjunto de ações que permitiria o
sujeito confronto com o acesso ao real, situação essa na ordem do
impossível, pois o real é desconhecido e escapa a simbolização.
Mas, como entender desse forma? Freud utilizou-se de mitos para dar a
consistência necessária ao que acontecia em sua clínica, em
particular o mito de Édipo, visto que o que acontecia e acontece no
setting de atendimento escapa a experiência ou sua repetição em
condições controladas. Lacan se utiliza da conceituação dos
significantes separados de significados, os quais aderem ao próprio
indivíduo nas suas representações, sendo que os significantes não
se detém em significados, ordem essa invertida da conceituação de
Saussurre1,
que preconizava a antecedência do significado sobre o significante.
Considera que o sujeito é um vazio, e que se enche do que ele
representa para o outro, ou seja, o significante que ele é para o
outro. Portanto, o discurso do inconsciente é o discurso do outro.
Esse fato faz considerar o sujeito sob a influência de seu meio.
O
sujeito nessa experiência ética, ou seja, da interpretação do seu
desejo e em relação ao seu conflito do gozo, desejado internamente
e mediado pelo ego com a realidade, não pode ser uma experiência de
viver seus desejos, em particular sexuais, até seus limites de
exaustão. Deve ser sim entendido sob a mediação entre o sujeito e
seu desejo como uma experiência ética, mas sem o alcance de se
decidir o modelo de vida liberador inconsequente ao meio que vive,
sob pena de perder o seu principal vínculo em relação ao meio que
é o de proteção contra os elementos naturais, portanto, da
constante ameaça a sua vida.
O
sujeito, portanto, não é passivo e não atende a normatização de
estatutos, antes, há de ter após essa experiência ética, o
reforço do seu “eu” e uma nova catexia libidinal, de forma
manter sob controle a pulsão de morte. Devemos entender que nada se
ganha vivendo debaixo de um super-ego ameaçador, alimentando as
neuroses que evitam a busca do prazer, mas, ao ter essa gerência de
ego, saberá dosar a sua vida em uma situação de permissão ou não.
1
Ferdinand de Saussure (Genebra , 26
de novembro de 1857 – Morges, 22 de fevereiro de 1913 ) foi um
linguista e filósofo suíço, cujas elaborações teóricas
propiciaram o desenvolvimento da linguística enquanto ciência
autônoma. Seu pensamento exerceu grande influência sobre o campo
da teoria da literatura e dos estudos culturais. Saussure entendia
a linguística como um ramo da ciência mais geral dos signos, que
ele propôs que fosse chamada de Semiologia. Graças aos seus
estudos e ao trabalho de Leonard Bloomfield, a linguística
adquiriu autonomia, objeto e método próprios. Seus conceitos
serviram de base para o desenvolvimento do estruturalismo no século
XX. Ferdinand de Saussure . Disponível em <
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_de_Saussure>.
Acessado em 20 de março de 2018.

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