segunda-feira, 2 de julho de 2018

Questões de Ética



Questões de Ética



Classificada como “substantivo feminino”, a ética é definida como a parte da filosofia que procurar pensar de forma investigativa sobre o que faz ser, desfazer, disciplinar, organizar ou mesmo orientar o comportamento do ser humano, atendendo especialmente ao respeito do âmago das normas, dos seus valores constitutivos, proibições, conselhos, os quais se fazem presentes em qualquer extrato social. Portanto, é a reunião de regras, preceitos morais de um indivíduo, um grupo social e ou de uma sociedade. Depende de uma condição consciente e de normas supostamente conhecidas por todos os indivíduos. Considera, portanto, o homem e o seu grupo de ação, interligando-os.
A psicanálise como experiência ética se faz no sentido de colocar o homem na sua centralidade de desejo inconsciente, na subjetividade singular do sujeito, não se preocupando com os demais, e não indica ou mesmo mostra algum bem a ser conseguido, mas, pode ser vista nos valores constitutivos, proibições, conselhos, vamos assim nos referir, ligados a esse mesmo sujeito singular.
Difere-se portanto da experiência ética vivida por parte da filosofia, que entende a ética como dito acima no início, mas acrescenta o fato de que a prática ética leva a aquisição de algum bem, poderíamos dizer, de uma recompensa.
Admitimos que o que faz mover o aparelho psíquico é o desejo, entendido dentro do prazer, que por sua vez é investido pela diminuição do desprazer. Nesse aspecto, a experiência psicanalítica poderia ser entendida como um escrito, um conjunto de ações que permitiria o sujeito confronto com o acesso ao real, situação essa na ordem do impossível, pois o real é desconhecido e escapa a simbolização. Mas, como entender desse forma? Freud utilizou-se de mitos para dar a consistência necessária ao que acontecia em sua clínica, em particular o mito de Édipo, visto que o que acontecia e acontece no setting de atendimento escapa a experiência ou sua repetição em condições controladas. Lacan se utiliza da conceituação dos significantes separados de significados, os quais aderem ao próprio indivíduo nas suas representações, sendo que os significantes não se detém em significados, ordem essa invertida da conceituação de Saussurre1, que preconizava a antecedência do significado sobre o significante. Considera que o sujeito é um vazio, e que se enche do que ele representa para o outro, ou seja, o significante que ele é para o outro. Portanto, o discurso do inconsciente é o discurso do outro. Esse fato faz considerar o sujeito sob a influência de seu meio.
O sujeito nessa experiência ética, ou seja, da interpretação do seu desejo e em relação ao seu conflito do gozo, desejado internamente e mediado pelo ego com a realidade, não pode ser uma experiência de viver seus desejos, em particular sexuais, até seus limites de exaustão. Deve ser sim entendido sob a mediação entre o sujeito e seu desejo como uma experiência ética, mas sem o alcance de se decidir o modelo de vida liberador inconsequente ao meio que vive, sob pena de perder o seu principal vínculo em relação ao meio que é o de proteção contra os elementos naturais, portanto, da constante ameaça a sua vida.
O sujeito, portanto, não é passivo e não atende a normatização de estatutos, antes, há de ter após essa experiência ética, o reforço do seu “eu” e uma nova catexia libidinal, de forma manter sob controle a pulsão de morte. Devemos entender que nada se ganha vivendo debaixo de um super-ego ameaçador, alimentando as neuroses que evitam a busca do prazer, mas, ao ter essa gerência de ego, saberá dosar a sua vida em uma situação de permissão ou não.
1 Ferdinand de Saussure (Genebra , 26 de novembro de 1857 – Morges, 22 de fevereiro de 1913 ) foi um linguista e filósofo suíço, cujas elaborações teóricas propiciaram o desenvolvimento da linguística enquanto ciência autônoma. Seu pensamento exerceu grande influência sobre o campo da teoria da literatura e dos estudos culturais. Saussure entendia a linguística como um ramo da ciência mais geral dos signos, que ele propôs que fosse chamada de Semiologia. Graças aos seus estudos e ao trabalho de Leonard Bloomfield, a linguística adquiriu autonomia, objeto e método próprios. Seus conceitos serviram de base para o desenvolvimento do estruturalismo no século XX. Ferdinand de Saussure . Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_de_Saussure>. Acessado em 20 de março de 2018.


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