sábado, 10 de março de 2018

Interrelações aluno, professor, técnica/tecnologia e mediação pedagógica na educação da atualidade



Podemos responder que interrelações  podem ser estabelecidas entre aluno, professor, técnica/tecnologia e mediação pedagógica  em contextos educacionais na atualidade?


Penso que primeiro devemos, como se diz no popular, dar nomes aos bois. Não quero ser o sofista aqui, mas acredito que é necessário um maior aprofundamento do papel de uma situação chamada “era da informática”. Como definição do termo informática, refere-se de forma ampla a ser um
“… termo usado para descrever o conjunto das ciências relacionadas ao armazenamento, transmissão e processamento de informações em meios digitais, estando incluídas neste grupo: a ciência da computação, a teoria da informação, o processo de cálculo, a análise numérica e os métodos teóricos da representação dos conhecimentos e da modelagem dos problemas. Mas também a informática pode ser entendida como ciência que estuda o conjunto de informações e conhecimentos por meios digitais.” ( 1).

Dai advém, por necessidade, também entendermos onde a informática está ancorada. Nesse aspecto, como um sistema, ela necessita de um meio sólido onde pode se ser “montada” em todas as suas necessidades.
Primeiro, sua parte física, manipulável, tocável, que chamamos de circuitos eletrônicos de processamento, meio computacional, o qual é formado por peças e artefatos movidos por energia elétrica, que permitem a entrada, processamento e armazenamento dos fluxos de várias instâncias (voz, texto, imagens) que são transformadas em dígitos representados em unidades chamadas de Bit, Byte, organizados dentro uma “gramática” própria chamada de “hexadecimal”, e sua entrega em informações úteis. Além disso, esse processado todo é tocado por uma alma chamada de “programa”, que também é representado de números transformados em uma linguagem computacional, e tem a capacidade de executar formulações/resolver situações lógicas, previamente capacitados sob o nome de “programação. A esse programa, chamamos de Software do Sistema Operacional.Por fim, temos os utilitários, na forma de executáveis, os quais respondem as mais diversas necessidades humanas, de um simples texto a viagem até Plutão e além.
Isso causou uma revolução? Não, isso é a “própria revolução” (Levy, 2012)(2), não por que tenha aumentado os nossos conhecimentos, mas porque elevou ao estado de arte a questão da difusão de tudo, absolutamente tudo, além de causar um rearranjo geral nas organizações, tanto a nível econômico e financeiro, nas relações humanas, no tocante a escola, a mídia empresarial e como as empresas estão se comunicando com o seu público de interesse.
Causa algum espanto a afirmação do mesmo Levy que a escola perdeu a hegemonia do ensino (3) a partir disso, mesmo porque seus estudos datam de publicação de 1999, e pensamos que naquela época, era mais uma profecia do que uma constatação, haja vista que hoje a escola se apropriou dessa tecnologia e se consolidou de forma impar na divulgação da atividade acadêmica ao nível de hoje estarmos fazendo esse curso. Mas isso decorreu no momento que a generalização da informática permitiu que se estabelecesse o questionamento se educação, tomada como uma universalidade, era um direito ou uma mercadoria do cidadão, direito esse garantido e fornecido a sua execução pelo Estado. Questão ainda não resolvida na discussão acadêmica, mas que já se impôs através de políticas públicas, em geral de governos distanciados com os reais donos do poder, como agora observamos no pais. Para consolidar esse acontecimento as forças econômicas há muito tempo já cobrem esses nichos econômicos emergentes em graduação, como também nos seus graus posteriores, tanto por grupos empresariais nacionais como estrangeiros através de sistemas digitais,sobrando para o Estado o ensino fundamental, quando muito, o técnico. Nunca a educação esteve tanto às mãos, com ou sem qualidade, dependendo de onde é ministrada (4), mas que, no seu bojo, traz uma realidade horrorosa, que é a seu extrato de “mercado”. Por isso, causa mesmo pavor a declaração corroborativa do deputado federal pelo estado de São Paulo Nelson Marquezelli, que afirmou que “quem não tem dinheiro não faz faculdade” (5).
Mas referindo-se a entrevista do Filósofo Levy, considerada nesse curso como assunto de interesse, o que desprende dele é o ufanismo que trata a revolução causada pela informática. Não questiono isso, mas sou obrigado a considerar quem ou o que essa revolução “libertou” ou inseriu no mundo da informação, mesmo porque, parece-me que há uma confusão nos conceitos, pois a informática nada mais é do que aplicação em um meio daquilo que sempre foi executado de forma manual. A revolução tecnológica dos computadores, em termos mais vulgares, já que o computador é só uma parte disso, inobstante ser a mais visível, foi a ser o novo quadro negro, giz, livro, cinema, televisão, grupo de discussão, estúdio de televisão, estúdio de rádio.…, pois a matriz fundamental dessa revolução foi popularizar tudo isso, com a pretensão do novo, entendido aqui, como uma remodelação do velho, mas não obsoleto (6). Como já disse em outra discussão, uso regularmente tudo que me é disponibilizado pela tecnologia, mas ainda tenho o caderno e uma caneta tinteiro para uso!
Por isso que não entendo aquele ufanismo, que soou mais como uma mistificação, um “deus ex-machina” !!! A técnica, já estuda em outro fórum, foi tida como a extensão orgânica do homem, mas também como seu simulacro. Ora, a discussão centrada naquele episódio era sobre a desumanização e a humanização nesse processo da técnica. O que a era cibernética nos humaniza ou não?
Podemos entender que a era da informática ampliou a nossa capacidade de transmitir, armazenar informações, além de nos ajudar, como qualquer microscópio de um laboratório, a pesquisar, facilitar com sua velocidade a ilação, cumprindo então sua função verdadeira que é liberar o pensamento o mais possível da incumbência do manual em seu processo, de forma que isso abra caminho a ilações mais complexas com resultados mensuráveis em tempo exíguo.
Por isso, não aceito nenhuma mistificação com relação a isso, como se isso tivesse criação e alma própria: tudo que vemos hoje é resultado da aplicação de conhecimentos da física em cima de inventos que lhes permitiu isso, como a válvula inventada por Lee De Forest em 1907 (transformando-o no “pai do rádio”) (7), do transístor eletrônico, inventado nos Laboratórios da Bell Telephone por John Bardeen e Walter Houser Brattain em 1947 (8), dos capacitores, resistores, indutores (bobinas), fruto da pesquisa científica de vários físicos (Michael Faraday, inglês, Joseph Henry, norte-americano), além da invenção do tubo de raios catódicos, que nos deu o raio-x e a televisão. O que louvamos foi a capacidade dos cientistas e pesquisadores que nos legaram tais maravilhas, e são comumente esquecidos, como foi o genial inglês Alan Turing, morto em 07 de junho de 1954 por aludido suicídio, causado provavelmente por questões psicológicas decorrentes de sua humilhação sofrida constantemente por sua condição homossexual (9).
Feitos os devidos entendimentos preliminares necessários, em particular uma sentida mistificação, podemos agora então questionar o “Com base no texto "Um caso na Cibercultura" que interrelações podem ser estabelecidas entre aluno, professor, técnica/tecnologia e mediação pedagógica em contextos educacionais na atualidade?”.
Primeiro, dizer um não a qualquer mistificação da informática!!! Isso é fundamental, na medida que ela é uma poderosa ferramenta que contém em seu bojo, como já dito acima, o quadro-negro (lousa), o lápis, o caderno, a câmera de televisão, a transmissão, o arquivamento, a difusão, a própria televisão, o telefone, a videoconferência. Ora, os recursos da informática colocado as nossa disposição tem a virtude de ampliar todas as nossas capacidades no tocante a pesquisa, aferição de resultados, automatização de processos e sistemas, liberando-nos para a atividade criativa, da inquisição de novos saberes, da pesquisa e do nosso aperfeiçoamento pelo acumulo de novas opiniões e experiências.
Nesse aspecto, trata-se de um processo constante na migração de práticas sociais em formato presencial para práticas on line, virtuais, não entendido aqui como uma forma que radicalizará o abandono ou mesmo rejeição desvalorizada das práticas sociais presenciais (off-line) para práticas virtuais (online). Isto, no entanto, não deve ser
entendido de forma como abandono, rejeição ou desvalorização de práticas presenciais.
Essa interrelação estabelecida entre esses atores (professor, aluno e tecnologia), deve ser a superação de apenas consumo de informações e conteúdos, mas para a sua própria produção (10). Então, a modernidade da web, que é o sinônimo maior de conexão nos nossos dias, não deve ser medido pela velocidade de acesso, mas sim pelas práticas sociais e educacionais a serem desenvolvidas nela, na medida que deixamos de simplesmente ouvir, para também falar, produzir, inquerir, questionar e nisso, no seu bojo, aprofundar as dicussões das sociais, tanto as levantadas, como as que surgem na nossa inscrição do real, sendo debatidas, inteiradas, apontadas.
A escola tem que se apropriar cada vez mais dos recursos colocados a disposição da sociedade, não porque perdeu a hegemonia do ensino, mas exatamente porque ela é a grande amplificadora da discussão, da geração de conhecimento, da mudança e da evolução e, principalmente, da liberdade! A essa questão, não podemos responder com a sua privatização para uma classe de eleitos, mas sim que atinja todos os que estão conectados.
Por fim, seria interessante que a escola também encampasse a discussão da seguinte situação: se realmente a era da informática causou toda essa revolução falada por Levy, e se todos nós somos unânimes quanto a isso, porque, e porque mesmo, não temos hoje a realidade de vivermos realmente na “aldeia global”?


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(1) Informática. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Informática > Acessado em 18 de setembro de 2017.

(2) As Formas do Saber - Pierre Lévy, entrevista. SescTV. São Paulo. 2012. Disponível em < Clique aqui!!!
>. Acessado em 18 de setembro de 2017.

(3) Ibdem.

(4) A educação é direito do cidadão não uma mercadoria. Disponível em < http://caiohostilio.com.br/2011/04/18/educacao-e-direito-do-cidadao-e-nao-mercadoria/ >. Acessado em 18 de setembro de 2017.

(5) Quem não tem dinheiro não faz faculdade”, diz deputado a manifestante. Disponível em < http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/quem-nao-tem-dinheiro-nao-faz-faculdade-diz-deputado-a-manifestante/ >. Acessado em 18 de setembro de 2017.

(6). É interessante observar o sinal sonoro que alguns telefones celulares emitem no recebimento de chamadas telefônicas, pois além dos “jingles” musicais, ainda cabe o sinal de “campainha” dos antigos telefones de mesa!

(7) Lee de Forest. Disponível em < http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/LeeDeFor.html >. Acessado em 18 de setembro de 2017.

(8) Transístor. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Transístor >. Acessado em 18 de setembro de 2017.

(9) Sua história bem ou mal contada, foi mostrada no filme “The Imitation Game” (O Jogo da Imitação). A Wikipédia traz uma bem montada história do Gênio Matemático, disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Alan_Turing >. Acessado em 18 de setembro de 2017.

(10) Questões de comunicação na era digital: tecnologia, cibercultura e linguagem. Disponível em <http://revista.uniabeu.edu.br/index.php/RE/article/viewFile/457/pdf_239 >. Acessado em 18 de setembro de 2017.












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