sábado, 10 de março de 2018

Relação com as tecnologias no cotidiano







Relação com as tecnologias no cotidiano

Nasci 27 dias depois do lançamento do Sputinik ao espaço (lançado em 04 de outubro de 1957) pelo governo da então URSS, quebrando assim a chamada hegemonia da civilização norte-americana. Dai as vertentes do desenvolvimento tecnológico se desenvolveram mais do que nunca, em atenção às necessidades da chamada corrida espacial. Portanto, vivi nessa transição de uma cultura onde havia o pai que trabalhava, a mãe que cuidava do lar e nós que sonhávamos ser astronautas ou cosmonautas, nome aplicável de acordo com as crenças políticas (capitalistas são astronautas; comunistas, cosmonautas!) para um mundo altamente tecnológico.
Ao lado de toda a revolução social que ocorreu, desde o “É proibido proibir” francês, o Woodstock norte-americano, ditadura militar na América Latina, também vi o aparecimento dos relógios sem corda, movidos a energia cinética; os movidos a baterias internas; do sumiço e reaparecimento dos ponteiros nos relógios, enfrentando com garbo os chamados “digitais”; do sumiço das canetas tinteiros (uso uma até hoje!) pelas “esferográficas”; das calculadores eletrônicas com visor; de uma coisa que só acessávamos através da ficção científica exploradas nos filmes da cultura SyFy – computadores!! Adquiri o meu primeiro computador pessoal, um TK-2000, que aceitava duas programações: Assembly e BASIC. Mas, como um rio poderoso, já tínhamos encadeado várias novidades na atualização de outras tecnologias já existentes, como a televisão em cores, câmeras portáteis de cinema, e toda uma facilidade de objetos com as mais diversas funcionalidades tanto para facilitar como infernizar a vida de qualquer um.
Utilizo com regularidade todas as inovações que aparecem, na verdade, nas adaptações que aparecem, pois tudo está baseado em princípios físicos modulados ou controlados por circuitos onde temos válvulas, transístores, diodos, capacitores, resistências e bobinas elétricas: isso resume nossa tecnologia, a qual está embarcada em tudo que é possível hoje. Portanto, não tenho medo do progresso da técnica, mas acredito que ela passa por um processo que indica seriamente a nossa falta de controle sobre seus efeitos e ações paralelas. Serve para nos aproximar, mas também responde perigosamente aos nossos desejos de distância dos outros. Hoje uso telefone celular, uma batedeira de pães e bolos com controle eletrônico, forno de micro-ondas programável; fogão e forno com temporizador, televisão dita “smart” → penso que o Q.I. dela não seja tão alto assim! e um veículo com o tal “computador de bordo”, que nos ensina a economizar combustível e diz, milagrosamente, como está a temperatura externa, além de monitorar todas as funções do motor e demais sistemas do veículo, indicando luz amarela para alguma má função ou vermelha, que não representa boa coisa!
Mas o rei do uso é sem dúvida aquele que se apropria de todas as facilidades da chamada modernidade digital: o todo poderoso computador, o qual, sem ele, provavelmente não estaríamos cursando essa especialização com tal riqueza de facilidades de comunicação e pesquisa!
Mas, observo, que ainda privilegio o encontro pessoal: a técnica para mim é um meio, não um fim no meu encontro com o outro!.




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