Relação
com as tecnologias no cotidiano
Nasci
27 dias depois do lançamento do Sputinik ao espaço (lançado em 04
de outubro de 1957) pelo governo da então URSS, quebrando assim a
chamada hegemonia da civilização norte-americana. Dai as vertentes
do desenvolvimento tecnológico se desenvolveram mais do que nunca,
em atenção às necessidades da chamada corrida espacial. Portanto,
vivi nessa transição de uma cultura onde havia o pai que
trabalhava, a mãe que cuidava do lar e nós que sonhávamos ser
astronautas ou cosmonautas, nome aplicável de acordo com as crenças
políticas (capitalistas são astronautas; comunistas, cosmonautas!)
para um mundo altamente tecnológico.
Ao
lado de toda a revolução social que ocorreu, desde o “É proibido
proibir” francês, o Woodstock norte-americano, ditadura militar na
América Latina, também vi o aparecimento dos relógios sem corda,
movidos a energia cinética; os movidos a baterias internas; do
sumiço e reaparecimento dos ponteiros nos relógios, enfrentando com
garbo os chamados “digitais”; do sumiço das canetas tinteiros
(uso uma até hoje!) pelas “esferográficas”; das calculadores
eletrônicas com visor; de uma coisa que só acessávamos através da
ficção científica exploradas nos filmes da cultura SyFy –
computadores!! Adquiri o meu primeiro computador pessoal, um TK-2000,
que aceitava duas programações: Assembly e BASIC. Mas, como um rio
poderoso, já tínhamos encadeado várias novidades na atualização
de outras tecnologias já existentes, como a televisão em cores,
câmeras portáteis de cinema, e toda uma facilidade de objetos com
as mais diversas funcionalidades tanto para facilitar como infernizar
a vida de qualquer um.
Utilizo
com regularidade todas as inovações que aparecem, na verdade, nas
adaptações que aparecem, pois tudo está baseado em princípios
físicos modulados ou controlados por circuitos onde temos válvulas,
transístores, diodos, capacitores, resistências e bobinas
elétricas: isso resume nossa tecnologia, a qual está embarcada em
tudo que é possível hoje. Portanto, não tenho medo do progresso da
técnica, mas acredito que ela passa por um processo que indica
seriamente a nossa falta de controle sobre seus efeitos e ações
paralelas. Serve para nos aproximar, mas também responde
perigosamente aos nossos desejos de distância dos outros. Hoje uso
telefone celular, uma batedeira de pães e bolos com controle
eletrônico, forno de micro-ondas programável; fogão e forno com
temporizador, televisão dita “smart” → penso que o Q.I. dela
não seja tão alto assim! e um veículo com o tal “computador de
bordo”, que nos ensina a economizar combustível e diz,
milagrosamente, como está a temperatura externa, além de monitorar
todas as funções do motor e demais sistemas do veículo, indicando
luz amarela para alguma má função ou vermelha, que não representa
boa coisa!
Mas
o rei do uso é sem dúvida aquele que se apropria de todas as
facilidades da chamada modernidade digital: o todo poderoso
computador, o qual, sem ele, provavelmente não estaríamos cursando
essa especialização com tal riqueza de facilidades de comunicação
e pesquisa!
Mas,
observo, que ainda privilegio o encontro pessoal: a técnica para mim
é um meio, não um fim no meu encontro com o outro!.

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