Tópicos Considerados:
1. A Evolução do Pai
2. O Pai.
1. A Evolução do Pai
A psicanálise considera a evolução do pai
como um “acordo com a civilização”, contida seu seguimento em
três considerações, na qual a primeira se caracteriza pela busca
do interesse científico da psicanálise, onde a psicanálise busca a
porta de entrada da ciência, objetos tanto para Freud como Lacan; já
a segunda, na construção de um entendimento dessa evolução com a
propositura por Freud de um mito a partir das observações de Darwin
e de Atkinson, esse último na Austrália. Foi através do mito da
horda primeva é que Freud examina essa evolução, sendo atópica em
relação ao que se busca nas narrativas culturais dos povos. Por
fim, ao conteúdo simbólico do Pai na psicanálise, que ultrapassa o
mitológico, tendo como um dos pontos centrais da psicanálise.
Considera portanto os textos freudianos que foram novamente lidos por
Lacan no contexto da Linguagem.
Considera que na época da publicação de Totem e Tabu, as teses
psicanalíticas em suas relações com as demais ciências tinham um
caráter cosmopolita, mas talvez por formação vitoriana, Freud
anunciava a primazia genital. Nesse aspecto, além das investigações,
passou também a clínica no tratamento dos conflitos neuróticos,
além dos processos inconscientes.
Pensa então que se pode considerar que a psicanálise é originada
do encontro da observação de um médico e de um homem de ciência
com a histeria, sendo essa o trauma que sustenta esse encontro, fim
da pesquisa analítica e sendo também o resultado de conflitos
sexuais. Isso causa um choque no mundo, pois se relaciona com o
conteúdo teórico da época, os quais postulam que os processos de
transformação e adaptação são inerentes a todos os seres
existentes, e isso iguala o homem a natureza que o circunda,
apresentando a noção de Trieb – pulsão – instinto no sentido
biológico.
A inscrição da sexualidade na psicanálise liga-a a vida e às
funções orgânicas, mas que foi rejeitada naquele momento pelo não
desenvolvimento no entendimento do recalque e da realidade pulsional.
A também inscrição da psicanálise nos domínios do científico
existe a atenção a biologia e a pesquisa sobre o ser vivo, dentro
de sua totalidade orgânica, sendo que a psicanálise faz a
significação de cada uma na determinação do sintoma. Há também
o interesse na fisiologia microscópica, como a mostrada no Projeto,
mas que não respondia a determinação das causas neurológicas para
o psíquico, como a histeria (pois não havia um “lugar” no corpo
onde a histeria podia ser identificada a priori, mas sim só através
de seus sintomas nas “outras” partes do corpo!). Nesse aspecto,
ante ao conhecimento da biologia, que trata a sexualidade como função
orgânica, Freud lembra que a sexualidade objeto da psicanálise é a
infantil, que estão além das funções biológicas.
Na sequência, Freud nos apresenta outra situação, na qual se
permite olhar em perspectiva, a história do sujeito a partir de seu
complexo familiar, fonte tanto da neurose como da psicose. Assim a
psicanálise descobre os fenômenos psíquicos reprimidos e
recalcados ao estudar a sexualidade infantil, fenômeno desconhecido
na época, não se limitando apenas ao orgânico, mas sim a libido.
Instinto e Pulsão serão então os móveis da observação do objeto
analítico, no qual considera o estatuto sociopragmático da vida,
onde “o desenvolvimento individual, é devedor do desenvolvimento
filogenético na evolução da espécie.
Entendeu que a teoria evolutiva, psicanálise, história da natureza,
do ser vivo e da história dos homens se resumem, segundo Freud, ao
que chamou de cultura. Nesse aspecto, pode ser entendida a maior
ligação da psicanálise com as ciências da vida do que às
ciências humanas, mas também ligada a psicologia dos povos
(interesse de Freud pela cultura e civilizações antigas).
Freud se posiciona diferente a época, ao se ater a genealogia das
instituições culturais, ao aceitar que a religião, moralidade e o
direito serem atividades psíquicas superiores nos transmitidas de
povos considerados primitivos, na qual inscreve Totem e Tabu e também
por Mal Estar na Cultura, refletindo a partir de seu interior, pois
na evolução dos “primitivos”, magia, fantasia, medo e desejo
regem as relações humanas.
Portanto, a experiência analítica acha nas neuroses os mesmos
mecanismos que se observam nos formatos sociais pré-históricos.
Nesse caso, a psicanálise como o mito, não justifica as neuroses
pelo processo de evolução social, apenas mostra que a partir das
crenças infantis e da infantilidade do neurótico, compreende o
processo da civilização.
Explica, então, a partir de Totem e Tabu, a questão do incesto e
sua proibição; a morte do que faz a interdição (o Pai), o seu
reconhecimento no Totem, a assunção do seu papel e o
estabelecimento das mesmas normas que o Pai defendia. Essa mesma
situação ocorrerá no sujeito infantil, elaborado por Freud no
Complexo de Édipo.
Lacan retoma essa leitura Freudiana, mas a coloca no âmbito da
linguagem, como estrutura do inconsciente (inobstante Freud ter
alertado sobre isso, não aprofundou, pelo menos em seus escritos,
isso). Retoma então Lacan os ensinamentos de Sausurre, no qual
perverte a ordem de significado → significante, para simplesmente
Significante. Elabora nesse aspecto a figura do operando
“nome-do-pai”, como uma metáfora entendível a partir do pai
primevo.
2. O Pai
Nas religiões, como por exemplo o Judaísmo ou mesmo seu sucedâneo,
o Cristianismo, o Pai é o Deus e também o objeto de desejo.
Freud considera esse pai no objeto divinizado, como por exemplo, o
animal totêmico. Lacan interpretando Caravággio, em sua pintura O
Sacrifício de Isaac, na qual tem um “isso” (Lacan: não um
sujeito que fala em nome do Outro, mas onde é “isso”, um nome
simbólico) que fala a Abrãao, mas também Caravággio pinta um
animal sacrificial, uma lembrança desse pai primevo totemizado.
No entendimento do sacrifício do filho, é necessário o foco na
faca, o objeto que consuma um desejo de Deus. Simbolicamente , “a
faca” é o instrumento que “separa” o desejo de Deus (o Outro)
do gozo absoluto de Deus, o que em psicanálise é entendido como
“objeto causa do desejo → objeto a . Esse mesmo Deus que exige
aquela morte é o mesmo Deus tomado ao pé da letra, não pelo seu
gozo que é insondável, mas pelo seu interesse na manutenção da
ordem no mundo, NA LEI!. Nessa função paterna, vai do Pai todo
Poderoso a qualquer um que se encaixe nessa função. Essa construção
mostra a evolução do Conceito Pai, é para psicanálise uma verdade
metonímica (de contiguidade), a qual navega sob a transferência do
desejo, em cima daquilo que não tem nome, mas que se coloca no lugar
do outro, emulando o equilíbrio da Lei e do Desejo.
1Sparano,
Maria Cristina de Távora. Epistemologia da psicanálise - Dados
eletrônicos. - Vitória : Universidade Federal do Espírito Santo,
Secretaria de Ensino a Distância, 2017.

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