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Considerações
sobre o Capitulo IV de Totem e Tabu de Freud - O RETORNO DO TOTEMISMO
NA INFÂNCIA1.
Na sua publicação Totem e Tabu, Dr. Freud se ocupa em discutir os
vários aspectos do nascimento da religiões, primeiramente
considerando a questão do Totemismo entre várias populações da
Terra, em particular na Austrália, América do Norte e na África,
indicando que os estudos sobre isso foram apresentados por McLennan
em 1869, até ai então encarado como curiosidade, e que em outra
publicação Elemente der Völkerpsychologie, de Wundt, acreditada
como sendo a cultura totêmica como a preparadora da civilização
mais adiantada. Cita também o esboço de doze artigos sobre a
realidade totêmica de Reinach, de 1900 no seu Code du totémisme”.
Ainda cita J. G. Fraze, autor de Totemism and Exogamy, de 1910, este
último conceituando o totem como “uma classe de objetos materiais
que um selvagem encara com supersticioso respeito, acreditando
existir entre ele e todos os membros da classe uma relação íntima
e inteiramente especial”, na essa relação homem e totem é
mutuamente benéfica.
Baseado nesses autores, alude as suas ideias de como o totemismo se
apresenta, em particular sua representação por animais, e daí as
normas de conduta em relação a essas representações, onde o
animal-totem não pode ser morto ou consumido ou mesmo se isso é
feito, mas a condição que pode ser feito. A principal função
observada nisso é que o totem abarca conceitos de proximidade
familiar, de pertença dos seus membros a uma realidade totem-povo.
Aparece nesse contexto a proibição do casamento ente os membros de
uma mesma tribo totêmica, fundada no conceito da exogamia, mas
fixando o caráter de ser o animal totêmico ser tomado como o animal
ancestral dos grupos que o reverenciam.
Discute a questão da origem do Totemismo, dividindo-a em:
a) Teorias Nominalistas: no geral, o totem respondia a questão da
necessidade de haver um nome pela qual os membros do clã pudessem
ser reconhecidos. Essa ideia foi recorrente desde Garcilaso de la
Vega no Século XVII, também em Keane em 1899, que os reconhecia
como “insígnias heráldicas” as quais eram identificadoras dos
seus membros familiares. Há menção também da necessidade no
desenvolvimento humano da existência de um nome que permitisse ser
mantido pela escrita, entre outros.
b) Teorias Sociológicas.
Advoga seus defensores que o Totem é o representante visível da
religião social entre os povos que estão relacionados com ele, na
corporificação da comunidade, que é o seu verdadeiro objeto de
adoração.
Na sequência do texto, Freud faz várias objeções aos
entendimentos de autores sobre isso.
c)Teorias Psicológicas
Seus defensores baseavam-se na crença de uma “alma externa”,
onde o totem seria um receptáculo seguro de depósito da alma, e
nesse aspecto, quanto o homem primitivo confiava sua alma ao totem,
se confundia com ele na invulnerabilidade, e por isso, protegia o
totem. Isso resultaria em um respeito aos diversos animais, já que
não sabia em qual que representava o totem estaria o depósito
protetor de sua alma. Tais ideias foi abandonada posteriormente em
face de novos conhecimentos sobre o assunto. Outra teoria que se fez
presente em G.A. Wilken 1884, vincula o totem a transmigração das
almas, ou seja, o clã aceitava os animais achados certos para serem
o novo repositório da alma como membro do próprio clã. Outra, de
pesquisadores norte americanos, que o Totem antes era o espírito
guardião de um antepassado.
Freud, na sequência, examina a questão da origem da exogamia e sua
dependência ao totemismo.
Examina a questão dos dois pontos de vistas opostos na questão: o
primeiro, que a exogamia constitui parte integrante do sistema
totêmico; o segundo, a negação disso.
Trata então do tabu de relacionamento sexual da mulher com membros
do próprio totem, fornecendo explicações do porque, entre eles,
questões de sangue do totem ser o mesmo do clã, portanto, não se
poderia haver perda desse sangue, por exemplo, na menstruação. Mas
isso também era uma ampliação de outros tabus, como por exemplo, a
proibição do homem sentar-se sob a sombra de sua própria árvore
totem. Pegunta qual é a fonte do horror ao incesto que tem que ser
identificada com sendo a raiz da exogamia. Responde que sua
explicação de antipatia instintiva de relacionamento sexual entre
os parentes consanguineos é insatisfatório, mesmo porque isso
sempre foi tolerado, em particular nas classes dominantes. Mesmo
aplica-se aos próximos, defendendo a posição que horror ao incesto
não é um sentimento inato.
Freud apresenta então sua compilação teórica, na forma de um
mito, sobre o que ele entende como realidade na questão totêmica.
Apoia-se em Charles Darwin sob o estado social dos homens com
paralelos aos dos símios superiores, na qual o macho dominante
mantém suas fêmeas, por “ciume”, contra as investidas dos
demais machos.
A observação psicanalitica lembra que o relacionamento das crianças
se assemelha com a dos homens primitivos com os animais,aceitando-os
como seus iguais, mas que, havendo alguma neurose fóbica no seu
relacionamento com os animais, isso se referirá sempre a conflitos
com seu pai, referindo-se a isso com o Édipo infantil.
A Horda e o Pai Primevo – O que é o totem
Feita as considerações acima sobre a origem dos totens, a exogamia
(como forma de proibir o incesto), Freud apresenta a sua própria
formulação do que o totem é, a partir da consideração que havia
uma refeição totêmica, a qual permitia, pelo sacrifício de algum
animal, que todos participassem daquele ato, firmando-os como
pertencentes ao mesmo clã, grupo social.
A partir de Darwin, imagina o homem vivendo em pequenas horas,
liderados por um deles que tem o privilégio de ter todas as fêmeas,
proibindo o comércio sexual dos demais machos com as fêmeas sob sua
guarda.
Isso evita o incesto, ou seja, o relacionamento sexual entre parentes
e com as mães, de forma que o Pai primevo era o tirano. Em algum
momento, os irmãos daquele clã, reuniram-se, e mesmo amando seu
pai, o odiavam pelas suas proibições, juntos, armaram-se e o
mataram, além de o devorar na esperança de receber nesse ato, seus
dotes de Pai.
Feito isso, o caminho para as fêmeas se abriu, mas, ao perceberem o
porque a proibição do Pai, sentiram-se com remorso sobre o que
fizeram, e impuseram eles mesmos as mesmas leis que seu Pai tinha
ordenado.
A consequência disso foi a instituição de um totem que lembrasse
seu Pai e também lembrasse do que fizeram, de forma que o Pai morto
venceu e ficou ainda mais poderosa suas proibições.
Esses são os mesmos sentimentos da criança que deseja a mãe, mas
vê no pai o seu competidos, ao mesmo tempo que tem que eliminá-lo
para ter seu objeto de gozo. Nesse interim de coisas, entende o seu
amor e identificação com o seu pai, ao mesmo tempo que o odeia.
Essa ambiguidade de sentimentos é o que acontece no período em que
se complementa o Édipo na criança. É nesse ordem que Freud vê os
primitivos humanos com seus sentimentos infantis.
A importância do Pai
Na psicanálise, o Pai é a Lei, portanto, a fonte da interdição
dos desejos incestuosos que acometem ao sujeito infantil, que tem
como objeto a mãe. Ao analisar a horda primitiva e seu Pai Primevo,
Freud, nesse mito, elabora a situação da infância em aspecto que
provavelmente aconteceram na história, já que isso tem ampla
influência na sociedade humana, com a religião sendo o sucedâneo
da religião totêmica.
As implicações do Pai, seu sacrifício, sua vitória mesmo morto,
sobrevivem nos aspectos das religiões. O enigma do Pai tem sido o
fundante de nossa relação social, seja pelos chefes de tribos ou
aldeias; seja pela imagem do Estado e suas Leis, seja no patriarcado,
enfim, essa constituição que dirige nosso relacionamento.
É nesse conflito de amor e ódio ao Pai, que nascem nossas neuroses,
segundo Freud. No Édipo temos tomado o nosso objeto de nosso poder,
nos transformando de autoerotizados em erotizados, e o Édipo é
exatamente isso: a tomada do objeto de gozo de nosso poder, pela ação
do Pai.
Por fim, imaginamos nossa constituição a luz do fenômeno Cultural,
tendo a figura do Pai sua centralização mais imediata e necessária.
1Freud,
Sigmund. Totem e Tabu:algumas correspondências entre a vida
psíquica dos selvagens e a dos neuróticos. Porto Alegre. L&PM
Editores. 2013

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