Filme: Dead Again Voltar a Morrer (BR) Origem: Estados Unidos 1991 • cor / preto e branco • 107 min Direção Kenneth Branagh Produção Lindsay Doran Roteiro Scott Frank Elenco Kenneth Branagh - Mike Church / Roman Strauss Emma Thompson - Grace / Margaret Strauss Derek Jacobi - Franklyn Madson Andy Garcia - Gray Baker Robin Williams - Doutor Cozy Carlisle Christine Ebersole - Lydia Larsen Wayne Knight - 'Piccolo' Pete Dugan Jo Anderson - Irmã Madeleine/Starlet Lois Hall - Irmã Constance Género Thriller Música Patrick Doyle Edição Peter E. Berger Distribuição Paramount Pictures Lançamento 23 de agosto de 1991 Idioma inglês
Dead
Again (Voltar a Morrer (título no Brasil) ) é um filme de 1991,
dirigido por Kenneth Branagh. É o segundo filme de sua carreira como
diretor; o primeiro foi Henrique V. O filme conta com o próprio
Branagh no elenco, juntamente com sua esposa Emma Thompson, Andy
Garcia, Derek Jacobi e Robin Williams.
Sinopse
O
detetive Mike Church (Kenneth Branagh) está investigando o caso de
Grace (Emma Thompson), uma mulher que sofre de amnésia. Ele se
apaixona por ela e continua tentando descobrir a causa dos pesadelos
que ela tem. Os dois procuram o hipnotizador Franklyn Madson (Derek
Jacobi), que diz que a mulher havia sido Margaret Strauss, uma famosa
pianista que tinha sido assassinada por seu marido - Roman Strauss -
em uma outra vida, nos anos de 1940.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Filme
bem construído, com uma história onde o passado se confunde com o
presente vivido pelos novos personagens históricos. O seguimento da
obra se referencia na crença de vidas passadas, as quais são
acessadas no inconsciente pela hipnose, reveladas e tomadas por
verdadeiras (1). Na tentativa de se acharem pessoas que a reconheçam,
recebem a visita do hipnotizador, o qual, através de suas sessões,
vão localizando um passado enterrado nas memórias reprimidas, tanto
de Grace, a qual é reconhecida em Margaret Strauss, assassinada no
final da década de 40, como também de Mike Church, reconhecido como
Roman Strauss, suposto assassino da esposa.
Os
aspectos psicanalíticos da obra são intensos, vividos de forma
cruel em sua representação. Mas o que fixa na merecida evidência é
o caso da personagem do rapaz Franklyn Madson, filho da governanta,
que não encerra sua passagem pelo Édipo, estando fixado na fase
anal e simbiotizado com a mãe, e é nisso que a história se
constrói nessas relações, a qual ele é perfeitamente
caracterizado: apego ao dinheiro, colecionador e tenta realizar o
desejo de matar o pai para ficar com a mãe, no primeiro momento,
ainda identificado com a figura paterna, eliminado a concorrente da
mãe, Margaret Strauss, de forma permitir a sua mãe ficar com a sua
imagem de pai; no segundo momento, sua própria mãe, de forma ficar
com a sua idealização, que é Grace, mas para tanto, tem que
eliminar o concorrente que é Mike Church.
Outras
considerações:
No
desenvolvimento da criança, Freud entende que somos sucedidos por
tres fases distintas. A primeira é a fase oral, quando as relações
são de alimentação de outra pessoa, tendo ai também gozos
eróticos, lembrando que a criança antes da passagem do Édipo é
dona da fonte, força, finalidade e objeto sexual, portanto
auto-erotizada. É sucedida essa fase pela fase anal, quando o gozo
pela expulsão dos rejeitos processados na alimentação são
adicionados ao primeiro controle que a criança tem que é dos seus
esfíncteres, ou seja, ela sabe reter e permitir a evacuação. Nessa
fase, a criança pode desenvolver chantagens com os pais, e se não
bem estruturada, se tornará uma pessoa pródiga ou avarenta no trato
do dinheiro, já que este está relacionado questão do dar,
conceder os rejeitos dos alimentos processados ao outro, como forma
de presente. A primeira infância termina na fase fálica, onde se
descobre a existência dos órgão sexuais nos meninos e na sua falta
aparente nas meninas.
Essas
características da fixação da fase anal são bem exploradas no
filme, bem documentadas na ação com momentos ontológicos, como por
exemplo, quando ele cobra por uma revista usada a Mike Church, bem
como quando ele vê móveis antigos na casa desse último e simula um
conhecimento que falseia a origem do bem, para poder adquirir a
cadeira por preço menor.
Mas
a parte mais assustadora da sua neurose é que, como neurótico ele
não vai praticar, mas induz Grace a matar Mike Church, para assim
ter seu caminho livre para ela, ou seja, ele tem que matar de alguma
forma o “pai” (que ele identifica com Roman Strauss), realizando
seu sonho Edipiano da infância. Com essa nova identificação,
Grace, igualada a sua mãe, mas com uma carga infantil mais intensa,
ele continua simbiotizado. A sequencia em que ele assassina sua mãe
é a consequência dela ter exposto a sua culpa na morte de Margaret
Strauss em 1948, acredito, sequência não muito bem encaixada, mas,
como obra, não realidade, permitida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário