sexta-feira, 4 de maio de 2018

Cinema e Psicanálise - Filme Dead Again



Filme: Dead Again 
Voltar a Morrer (BR)
Origem: Estados Unidos
1991 •  cor / preto e branco •  107 min 
Direção  Kenneth Branagh
Produção  Lindsay Doran
Roteiro  Scott Frank
Elenco  
Kenneth Branagh - Mike Church / Roman Strauss
Emma Thompson - Grace / Margaret Strauss
Derek Jacobi - Franklyn Madson
Andy Garcia - Gray Baker
Robin Williams - Doutor Cozy Carlisle
Christine Ebersole - Lydia Larsen
Wayne Knight - 'Piccolo' Pete Dugan
Jo Anderson - Irmã Madeleine/Starlet
Lois Hall - Irmã Constance
Género  Thriller
Música  Patrick Doyle
Edição  Peter E. Berger
Distribuição  Paramount Pictures
Lançamento  23 de agosto de 1991
Idioma  inglês


Dead Again (Voltar a Morrer (título no Brasil) ) é um filme de 1991, dirigido por Kenneth Branagh. É o segundo filme de sua carreira como diretor; o primeiro foi Henrique V. O filme conta com o próprio Branagh no elenco, juntamente com sua esposa Emma Thompson, Andy Garcia, Derek Jacobi e Robin Williams.


Sinopse
O detetive Mike Church (Kenneth Branagh) está investigando o caso de Grace (Emma Thompson), uma mulher que sofre de amnésia. Ele se apaixona por ela e continua tentando descobrir a causa dos pesadelos que ela tem. Os dois procuram o hipnotizador Franklyn Madson (Derek Jacobi), que diz que a mulher havia sido Margaret Strauss, uma famosa pianista que tinha sido assassinada por seu marido - Roman Strauss - em uma outra vida, nos anos de 1940.


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Filme bem construído, com uma história onde o passado se confunde com o presente vivido pelos novos personagens históricos. O seguimento da obra se referencia na crença de vidas passadas, as quais são acessadas no inconsciente pela hipnose, reveladas e tomadas por verdadeiras (1). Na tentativa de se acharem pessoas que a reconheçam, recebem a visita do hipnotizador, o qual, através de suas sessões, vão localizando um passado enterrado nas memórias reprimidas, tanto de Grace, a qual é reconhecida em Margaret Strauss, assassinada no final da década de 40, como também de Mike Church, reconhecido como Roman Strauss, suposto assassino da esposa.
Os aspectos psicanalíticos da obra são intensos, vividos de forma cruel em sua representação. Mas o que fixa na merecida evidência é o caso da personagem do rapaz Franklyn Madson, filho da governanta, que não encerra sua passagem pelo Édipo, estando fixado na fase anal e simbiotizado com a mãe, e é nisso que a história se constrói nessas relações, a qual ele é perfeitamente caracterizado: apego ao dinheiro, colecionador e tenta realizar o desejo de matar o pai para ficar com a mãe, no primeiro momento, ainda identificado com a figura paterna, eliminado a concorrente da mãe, Margaret Strauss, de forma permitir a sua mãe ficar com a sua imagem de pai; no segundo momento, sua própria mãe, de forma ficar com a sua idealização, que é Grace, mas para tanto, tem que eliminar o concorrente que é Mike Church.
Outras considerações:
No desenvolvimento da criança, Freud entende que somos sucedidos por tres fases distintas. A primeira é a fase oral, quando as relações são de alimentação de outra pessoa, tendo ai também gozos eróticos, lembrando que a criança antes da passagem do Édipo é dona da fonte, força, finalidade e objeto sexual, portanto auto-erotizada. É sucedida essa fase pela fase anal, quando o gozo pela expulsão dos rejeitos processados na alimentação são adicionados ao primeiro controle que a criança tem que é dos seus esfíncteres, ou seja, ela sabe reter e permitir a evacuação. Nessa fase, a criança pode desenvolver chantagens com os pais, e se não bem estruturada, se tornará uma pessoa pródiga ou avarenta no trato do dinheiro, já que este está relacionado questão do dar, conceder os rejeitos dos alimentos processados ao outro, como forma de presente. A primeira infância termina na fase fálica, onde se descobre a existência dos órgão sexuais nos meninos e na sua falta aparente nas meninas.
Essas características da fixação da fase anal são bem exploradas no filme, bem documentadas na ação com momentos ontológicos, como por exemplo, quando ele cobra por uma revista usada a Mike Church, bem como quando ele vê móveis antigos na casa desse último e simula um conhecimento que falseia a origem do bem, para poder adquirir a cadeira por preço menor.
Mas a parte mais assustadora da sua neurose é que, como neurótico ele não vai praticar, mas induz Grace a matar Mike Church, para assim ter seu caminho livre para ela, ou seja, ele tem que matar de alguma forma o “pai” (que ele identifica com Roman Strauss), realizando seu sonho Edipiano da infância. Com essa nova identificação, Grace, igualada a sua mãe, mas com uma carga infantil mais intensa, ele continua simbiotizado. A sequencia em que ele assassina sua mãe é a consequência dela ter exposto a sua culpa na morte de Margaret Strauss em 1948, acredito, sequência não muito bem encaixada, mas, como obra, não realidade, permitida.

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