sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Melhor Impossível - Filme


MELHOR É IMPOSSÍVEL!!! 

MESMO!!!



Ficha técnica: Título Original: As Good As It Gets (“Melhor é impossível” no Brasil).
Ano do lançamento: 1998
Produção: Estados Unidos
Direção: James L. Brooks
Roteiro: James L. Brooks e Mark Andrus
Créditos:
Jack Nicholson ... Melvin Udall
Helen Hunt ... Carol Connelly
Greg Kinnear ... Simon Bishop
Cuba Gooding Jr. ... Frank Sachs
Skeet Ulrich ... Vincent
Shirley Knight ... Beverly
Yeardley Smith ... Jackie
Lupe Ontiveros ... Nora
Jill the Dog ... Verdell (as Jill) 1


Análise:
Uma simples análise sobre os sintomas obsessivos apresentados pelo protagonista do filma, OSCAR de melhor ator 2 , sem considerar as suas questões fundadoras é um trabalho árduo, pois o filme analisado apresenta as personagens em seu estado já de ação enraizado, montado e, sim, apresenta notas de seus passados indicadoras, mas não finalizadoras.
Assim, as figuras paternas parecem se fazer presente em todas as personagens centrais: no caso da Helen (Carol Connely), a falta de um companheiro com quem possa de fato contar, se apaziguando na figura do filho, o qual ela o obrigada a abraçá-la mais do que ele gostaria; nas personagens Melvin e Simon ( Nicholson e Greg Kinnear), o pai agressivo, o primeiro por não permiti-lo errar no aprendizado de piano; o segundo, pela sua realidade homossexual.
A resolução da vida dos três, no caso da Helen, ela se dedica ao filho como se dedicaria ao pai, companheiro; tem alguma gerência pelo princípio da realidade, obrigada por ter que trabalhar e manter os cuidados com a saúde do filho, que é uma outra realidade a ser analisada, no caso, o porque de seus ataques e porque melhora quando sua mãe viaja. Recusa-se, em princípio, a viver o desejo de outro, no caso sua mãe, que tenta interferir na sua vida, ao aconselhar ou sugerir relacionamentos, não obstante ela ter uma ideia clara do que ela gostaria, e isso deixa transparecer; no caso de Melvin, ele vive suas sublimações como um escritor de livros, o qual encena seus delírios sobre os relacionamentos de outras pessoas, em particular na definição do “amor”, coisa que ele imagina, mas não tem certeza. Mas isso tem um custo que é o que foi colocado em seus entendimentos para se contrapor as suas frustrações, no caso, a sua neurose obsessiva, que em alguns momentos, assemelham-se mesmo a um estado mais ou menos “lúcido” de um autismo potencial (como nas suas repetições na rua, que estão além do que seja somente uma obsessão). E é na neurose obsessiva que ele se defende, em particular, nas atitudes de fechar sua porta; no mesmo lugar no restaurante; no uso de seus talheres. Mas essa neurose está imbricada na apresentação de sua misantropia 3 , na qual ele usa como mecanismo de defesa aliado a sua compulsão; para a personagem Simon, enfrenta a vida vivendo também de sua sublimação, no caso, de pintor. Mostra-se ainda identificado com a mãe, pois esta é a única que o responde, mesmo com medo do pai, no seu momento de necessidade, mas tem seu momento de se livrar desta simbiose, ao pintar uma “outra” mãe nua (Helen) no hotel, para onde se hospedaram quando do viagem para ajuda familiar. Essa redescoberta o livra da dependência da mãe, pois ao reafirmar sua condição, também o faz elaborar a situação que a sua vida está em suas mãos, literalmente, e com isso criar o discurso necessário para o novo enfrentamento de sua vida, começando no zero, novamente se erguendo.




A análise dos sintomas da neurose obsessiva implica no entendimento porque elas ocorrem, saindo do campo simplesmente de observação. Esse conjunto de atitudes, chamado aqui de “transtorno” dado a multiformidade de apresentação, resume-se naquilo que é colocado na nossa ação de forma enfrentar nossas frustrações sexuais e a sua “cura”, se é que isso possa existir, dá-se exatamente no entendimento do “EGO”, ou da parte “consciente” e gerenciadora do princípio da realidade, na negação de execução.
Isso acontece quando trazemos para o consciente essas realidades e suas fontes, e nos permite a elaboração de um discurso que vá responder as nossas necessidades de desejo ou lhe dar um caminho útil para isso. Helen precisa de um companheiro que a ajude no enfrentamento da realidade que lhe foi imposta; Melvin, precisa saber que seus comportamentos misantrópicos/neuróticos não o mantém afastado dos outros, mas sim os outros que se afastam dele, e isso fica bem claro quando batem palmas e se confraternizam quando Melvin é solicitado sair do restaurante, reconhecido como uma pessoa importuna e importunadora. Simon tem conhecimento, no roubo praticado por deliquentes no seu estúdio de pintura, da sua vulnerabilidade.
As mudanças começam acontecer quando a realidade se interpõe a todos: Melvin cuidar do cão de Simon enquanto ele se recupera no hospital; Helen, pelo agravamento da saúde de seu filho. Melvin que não conta mais com a presença de Helen no restaurante para lhe servir. Tudo isso permite uma “abertura” para outras realidades. É nessas aberturas é que há condição do reconhecimento das pulsões (Melvin x Helen ; Helen x Melvin), as quais vão acontecendo na medida que se diminuem ou se reconhecem as obsessões, forçando o consciente a mudança de rumos no enfrentamento da realidade: Melvin cuida e começa a amar o cão; ao cuidar da saúde do filho de Helen, se coloca no lugar dele mostrando que é assim que ele gostaria de ser tratado, com a atenção dela, primeiro no restaurante, e mas lá no fundo, no encontro…. Helen, permite uma maior abertura ao seu interior pora Melvin, aceita estar sobre sua direção na viagem, mesmo que em determinados momentos ela se vê obrigada a retomar essa direção de forma física: seja no volante, seja no restaurante onde ela não teve dele o que achava que ele queria dela, ou seja, o seu amor, não obstante ela saber que ele a deseja; Simon, se rende a ajuda dos outros, mas se recupera do seu estado de destruição quando redescobre que não precisa estar fixado somente na sua mãe: e assim, há o encontro de todos com todos, seja na transformação de Melvin que aceita Simon em sua casa, derrotando assim aspectos de sua misantropia; Helen que dirige o esforço de Melvin em se declarar a ela, mesmo que sua neurose obsessiva ainda vá precisar de mais tratos.


Não foi o amor que curou isso tudo, mas sim a abertura do consciente aos outros que permitiu isso. Mas, ao terminar os processos de “encantamento” inicial, será sim o amor que se resultará necessário a todos como forma transformadora e duradoura dos relacionamentos.


1Maiores detalhes sobre o filme e seus diversos produtores/colaboradores: disponível em < https://www.imdb.com/title/tt0119822/?fr=c2l0ZT1kZnx0dD0xfGZiPXV8cG49MHxrdz0xfHE9QXMgR29vZCBBcyBJdCBHZXRzfGZ0PTF8bXg9MjB8bG09NTAwfGNvPTF8aHRtbD0xfG5tPTE_&fc=1&ft=20&fm=1 >. Acessado em 26 de agosto de 2018.
270º OSCAR – 1998 . Disponível em < http://www.cineplayers.com/premiacao?tp=oscar&id=8 >. Acessado em 26 de agosto de 2018.
3Misantropia → Misantropia é a aversão ao ser humano e à natureza humana no geral. Também engloba uma posição de desconfiança e tendência para antipatizar com outras pessoas ou um determinado grupo de pessoas. Um misantropo é alguém que desconfia da humanidade de uma forma generalizada. A palavra vem do grego misanthropía,[1] a junção dos termos μίσος (ódio) e άνθρωπος (homem, ser humano). O termo também é aplicável a todos aqueles que se tornam isolados por causa dos sentimentos acima mencionados (de destacar o elevado grau de desconfiança que detêm pelas outras pessoas em geral). Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Misantropia >. Acessado em 26 de agosto de 2018.

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