MELHOR É IMPOSSÍVEL!!!
MESMO!!!
Ficha
técnica: Título Original: As Good As It Gets (“Melhor é
impossível” no Brasil).
Ano
do lançamento: 1998
Produção:
Estados Unidos
Direção:
James L. Brooks
Roteiro:
James L. Brooks e Mark Andrus
Créditos:
Jack
Nicholson ... Melvin Udall
Helen
Hunt ... Carol Connelly
Greg
Kinnear ... Simon Bishop
Cuba
Gooding Jr. ... Frank Sachs
Skeet
Ulrich ... Vincent
Shirley
Knight ... Beverly
Yeardley
Smith ... Jackie
Lupe
Ontiveros ... Nora
Jill
the Dog ... Verdell (as Jill) 1
Análise:
Uma
simples análise sobre os sintomas obsessivos apresentados pelo
protagonista do filma, OSCAR de melhor ator 2
, sem considerar as suas questões fundadoras é um trabalho árduo,
pois o filme analisado apresenta as personagens em seu estado já de
ação enraizado, montado e, sim, apresenta notas de seus passados
indicadoras, mas não finalizadoras.
Assim,
as figuras paternas parecem se fazer presente em todas as personagens
centrais: no caso da Helen (Carol Connely), a falta de um companheiro
com quem possa de fato contar, se apaziguando na figura do filho, o
qual ela o obrigada a abraçá-la mais do que ele gostaria; nas
personagens Melvin e Simon ( Nicholson e Greg Kinnear), o pai
agressivo, o primeiro por não permiti-lo errar no aprendizado de
piano; o segundo, pela sua realidade homossexual.
A
resolução da vida dos três, no caso da Helen, ela se dedica ao
filho como se dedicaria ao pai, companheiro; tem alguma gerência
pelo princípio da realidade, obrigada por ter que trabalhar e manter
os cuidados com a saúde do filho, que é uma outra realidade a ser
analisada, no caso, o porque de seus ataques e porque melhora quando
sua mãe viaja. Recusa-se, em princípio, a viver o desejo de outro,
no caso sua mãe, que tenta interferir na sua vida, ao aconselhar ou
sugerir relacionamentos, não obstante ela ter uma ideia clara do que
ela gostaria, e isso deixa transparecer; no caso de Melvin, ele vive
suas sublimações como um escritor de livros, o qual encena seus
delírios sobre os relacionamentos de outras pessoas, em particular
na definição do “amor”, coisa que ele imagina, mas não tem
certeza. Mas isso tem um custo que é o que foi colocado em seus
entendimentos para se contrapor as suas frustrações, no caso, a sua
neurose obsessiva, que em alguns momentos, assemelham-se mesmo a um
estado mais ou menos “lúcido” de um autismo potencial (como nas
suas repetições na rua, que estão além do que seja somente uma
obsessão). E é na neurose obsessiva que ele se defende, em
particular, nas atitudes de fechar sua porta; no mesmo lugar no
restaurante; no uso de seus talheres. Mas essa neurose está
imbricada na apresentação de sua misantropia 3
, na qual ele usa como mecanismo de defesa aliado a sua compulsão;
para a personagem Simon, enfrenta a vida vivendo também de sua
sublimação, no caso, de pintor. Mostra-se ainda identificado com a
mãe, pois esta é a única que o responde, mesmo com medo do pai, no
seu momento de necessidade, mas tem seu momento de se livrar desta
simbiose, ao pintar uma “outra” mãe nua (Helen) no hotel, para
onde se hospedaram quando do viagem para ajuda familiar. Essa
redescoberta o livra da dependência da mãe, pois ao reafirmar sua
condição, também o faz elaborar a situação que a sua vida está
em suas mãos, literalmente, e com isso criar o discurso necessário
para o novo enfrentamento de sua vida, começando no zero, novamente
se erguendo.
A
análise dos sintomas da neurose obsessiva implica no entendimento
porque elas ocorrem, saindo do campo simplesmente de observação.
Esse conjunto de atitudes, chamado aqui de “transtorno” dado a
multiformidade de apresentação, resume-se naquilo que é colocado
na nossa ação de forma enfrentar nossas frustrações sexuais e a
sua “cura”, se é que isso possa existir, dá-se exatamente no
entendimento do “EGO”, ou da parte “consciente” e
gerenciadora do princípio da realidade, na negação de execução.
Isso
acontece quando trazemos para o consciente essas realidades e suas
fontes, e nos permite a elaboração de um discurso que vá responder
as nossas necessidades de desejo ou lhe dar um caminho útil para
isso. Helen precisa de um companheiro que a ajude no enfrentamento
da realidade que lhe foi imposta; Melvin, precisa saber que seus
comportamentos misantrópicos/neuróticos não o mantém afastado dos
outros, mas sim os outros que se afastam dele, e isso fica bem claro
quando batem palmas e se confraternizam quando Melvin é solicitado
sair do restaurante, reconhecido como uma pessoa importuna e
importunadora. Simon tem conhecimento, no roubo praticado por
deliquentes no seu estúdio de pintura, da sua vulnerabilidade.
As
mudanças começam acontecer quando a realidade se interpõe a todos:
Melvin cuidar do cão de Simon enquanto ele se recupera no hospital;
Helen, pelo agravamento da saúde de seu filho. Melvin que não conta
mais com a presença de Helen no restaurante para lhe servir. Tudo
isso permite uma “abertura” para outras realidades. É nessas
aberturas é que há condição do reconhecimento das pulsões
(Melvin x Helen ; Helen x Melvin), as quais vão acontecendo na
medida que se diminuem ou se reconhecem as obsessões, forçando o
consciente a mudança de rumos no enfrentamento da realidade: Melvin
cuida e começa a amar o cão; ao cuidar da saúde do filho de Helen,
se coloca no lugar dele mostrando que é assim que ele gostaria de
ser tratado, com a atenção dela, primeiro no restaurante, e mas lá
no fundo, no encontro…. Helen, permite uma maior abertura ao seu
interior pora Melvin, aceita estar sobre sua direção na viagem,
mesmo que em determinados momentos ela se vê obrigada a retomar essa
direção de forma física: seja no volante, seja no restaurante onde
ela não teve dele o que achava que ele queria dela, ou seja, o seu
amor, não obstante ela saber que ele a deseja; Simon, se rende a
ajuda dos outros, mas se recupera do seu estado de destruição
quando redescobre que não precisa estar fixado somente na sua mãe:
e assim, há o encontro de todos com todos, seja na transformação
de Melvin que aceita Simon em sua casa, derrotando assim aspectos de
sua misantropia; Helen que dirige o esforço de Melvin em se declarar
a ela, mesmo que sua neurose obsessiva ainda vá precisar de mais
tratos.
Não
foi o amor que curou isso tudo, mas sim a abertura do consciente aos
outros que permitiu isso. Mas, ao terminar os processos de
“encantamento” inicial, será sim o amor que se resultará
necessário a todos como forma transformadora e duradoura dos
relacionamentos.
1Maiores
detalhes sobre o filme e seus diversos produtores/colaboradores:
disponível em <
https://www.imdb.com/title/tt0119822/?fr=c2l0ZT1kZnx0dD0xfGZiPXV8cG49MHxrdz0xfHE9QXMgR29vZCBBcyBJdCBHZXRzfGZ0PTF8bXg9MjB8bG09NTAwfGNvPTF8aHRtbD0xfG5tPTE_&fc=1&ft=20&fm=1
>. Acessado em 26 de agosto de 2018.
270º
OSCAR – 1998 . Disponível em <
http://www.cineplayers.com/premiacao?tp=oscar&id=8
>. Acessado em 26 de agosto de 2018.
3Misantropia
→ Misantropia é a aversão ao ser humano e à natureza humana no
geral. Também engloba uma posição de desconfiança e tendência
para antipatizar com outras pessoas ou um determinado grupo de
pessoas. Um misantropo é alguém que desconfia da humanidade de uma
forma generalizada. A palavra vem do grego misanthropía,[1] a
junção dos termos μίσος (ódio) e άνθρωπος (homem,
ser humano). O termo também é aplicável a todos aqueles que se
tornam isolados por causa dos sentimentos acima mencionados (de
destacar o elevado grau de desconfiança que detêm pelas outras
pessoas em geral). Disponível em <
https://pt.wikipedia.org/wiki/Misantropia
>. Acessado em 26 de agosto de 2018.



Nenhum comentário:
Postar um comentário