sexta-feira, 4 de maio de 2018

Evitar o desprazer para voltar ao paraiso


EVITAR O DESPRAZER PARA VOLTAR AO PARAÍSO
Jorge Generoso do Nascimento
Cursista em Especialização em Filosofia, Psicanálise e Educação – UFES – ES.


Resumo: A noção de inteligência e conhecimento ou estar ciente é uma preocupação comum na história humana, entendida como um atributo concedido por uma instância extra-humana. Na história da humanidade, os mitos respondiam essa necessidade de entender a realidade, mas, com o desenvolvimento natural do homem e as condições de pensar existentes inicialmente em sociedades como a grega, o mito cedeu lugar a razão, estendendo-se até os dias de hoje, materializado em Freud no entendimento dos processos naturais que respondem pela memória e ilação, tendo como centro de movimento o primado do prazer e o desprazer na hierarquia das paixões humanas.
Palavras Chaves: Locke, Hobbes, Condillac, Freud, empirismo, materialismo.
Abstract: The notion of intelligence and knowledge or being aware is a common concern in human history, understood as an attribute granted by an extrahuman instance. In the history of humanity, myths responded to this need to understand reality, but with the natural development of man and the conditions of thought initially existing in societies such as the Greek, myth gave way to reason, extending to the days of today, materialized in Freud in the understanding of the natural processes that respond by memory and illation, having as center of movement the primacy of pleasure and displeasure in the hierarchy of human passion
Keywords: Locke, Hobbes, Condillac, Freud, empiricism, materialism.
1. Introdução.
Faz parte este texto das obrigações finais no desenvolvimento do curso de Especialização em Filosofia, Psicanálise e Educação, apresentando a compreensão percebida de parte da disciplina, sob o título Paixões e Psicanálises.
Pretende-se com isso o aprofundamento de entendimento da hierarquia das paixões, revisitando filósofos do início e transcorrer da Idade Moderna, culminando em Freud e sua contribuição ao entendimento da psiquê humana, respondendo, dentro da crença mecanicista, como os processos elaborados pelos filósofos anteriores realmente aconteciam, ao mesmo tempo que firma de forma definitiva o primado do prazer-desprazer na hierarquia das paixões.
Portanto, houve a apropriação dos autores acima mencionados, bem como de literatura auxiliar, no sentido de dar um corpo mais geral no entendimento do desenvolvimento humano, além do abordado no material indicado de pesquisa.
2. Na aurora da era do discernimento.
No filme 2001 Uma Odisséia no Espaço, a evolução humana é mostrada a partir da capacidade inata da percepção através dos sentidos da visão, do toque, que atende somente ao perceber da realidade física e seu uso mais imediatista, no caso o atendimento das necessidades de sobrevivência do grupo pré-humano mostrado, o qual responde somente a realização dessas pulsões. A capacidade cognitiva se desenvolve a partir de um acontecimento extra natural, o qual os capacita o raciocínio para o uso de ferramentas – armas para recuperar a posse de bens necessários a sua sobrevivência, tomados a força por outro grupo mais numeroso (no caso, um poço de água e mais tarde o abate de animais, perenizando o fornecimento de alimentos e suas chances de manutenção da descendência). Mas essa capacidade pensante é obtida através do ”toque” no objeto representativo de um ente extra-terrestre, os quais na continuidade da franquia, os seus desenvolvedores confundem esses “extra-terrestres” com um princípio criador (1). É baseado em obra de ficção de Arthur C. Clark (2). O filme e a obra citadas refletem na realidade as mesmas crenças atuais de certos grupos que acreditam na manipulação/desenvolvimento do homem de alguma forma – genética ou de instrução – provenientes de entidades extra-terrestre ou mesmo intra-terrestes (3), como aconteceu em toda a história humana nos seus mitos de intervenção “divina”. Portanto, essas realidade criacionistas ou evolucionistas de intervenção não são novos na história humana. E por não ser novo, é difícil imaginar qual foi o momento certo da humanidade que isso aconteceu, ou seja, a instalação na história do homem esses mitos.
Não deve ser mitigada as considerações sobre os mitos, pois a existência do ser consciente sempre foi tomada como “concedida” por outrem, seja ele o criador ou um “despertador-legislador” revelado por algum emissário ou pela própria deidade. O homem plasmado de barro, na mitologia da criação da Bíblia, recebe um hálito, uma “ânima” do criador, e por isso se torna um ser vivente e consciente, aqui tomado como inteligente. Como um certificado dessa nova situação, o insuflador dessa ânima lhe mostra os animais criados em uma desfile diante desse ser plasmado e insuflado com inteligência, e esse homem nomeia todos os animais, ou seja, toma conhecimento e posse da natureza ali representada. A inteligência e o discernimento foi tomada como um “dom” dado por Deus a Salomão, e por isso ele prosperou em muito na vida (4).
Historicamente, a criação do mito para explicar a realidade pode ser localizada no decorrer da era neolítica no momento do desenvolvimento da fala (5). É nessa época que o homem tem a indústria e também a passagem da economia de coleta para a economia de produção. No seu final, marca também quando os deuses masculinos assumem o lugar dos deuses femininos (6).
A história posterior do homem o pensamento bem como uma linguagem já evoluída e com mais chance de difusão, deu margem a especulação filosófica, quando o “mythos” deu lugar para o “logos”, e os deuses tem sua posição relativizada em função da observação da natureza, especulações essas que chagaram até o final da Idade Média, continuados pelo pensamo empirista e materialista, pelo menos, no ocidente.
2. A herança medieval e de Santo Agostinho.
O cristianismo, herdeiro da filosofia religiosa judaica, acrescido dos ensinamentos de Cristo e difundido a partir da capital do império mais poderoso de então, o Império Romano, o qual foi mediador da cultura grega para o ocidente, legando-nos os princípios da civilidade, língua e filosofia, formula a questão do relacionamento da criatura com o Criador, difundindo a primazia do espírito sobre a matéria, e que o princípio inteligente tem sua origem no Criador. Mas não pode deixar de ser notada um algo materialista na formulação da heresia nestoriana, que pregava a separação, no caso de Cristo, de sua humanidade e divindade. O combate a essa heresia criou e fortaleceu o princípio do monofisismo, o qual reconhece um ser com suas realidades físicas e espirituais, único em uma só identidade unidas de forma hipostática, ou seja, o homem é um ser material e espiritual. É deste período e neste entendimento, que Santo Agostinho ordena as paixões, considerando o par amor-ódio como a fonte de partida para os demais, considerando que há, primordialmente, dois amores, um terreno, amor próprio, que leva ao desprezo de Deus, e outro celestial, que leva ao desprezo de si mesmo e amar Deus, neste caso o Sumo Bem. O esquema das paixões fica então na ordem do Amor (Ódio); Desejo (Aversão); Gozo (Sofrimento). Prega-nos o ideal cristão de que Deus é o Sumo Bem, portanto, deve ser amado, desejado e desfrutado no gozo eterno.
3. A Idade moderna e os novos entendimentos.
Mas, mesmo sem negar essa realidade, como fica expresso no pensamento de Hobbes, o desenvolvimento das ciências naturais pela observação, levou a partir dos anos 1600, a considerações sobre o que motiva o homem a se mover. Caberia aqui a discussão sobre as idades lendárias dos povos, como o paraíso terrestre, o mito de Atlântida como forma idealizadas de um bem de repouso.
Na esteira dessas mudanças, se definem algumas escolas de pensamento:
3.1. O empirismo
Filosoficamente, o empirismo é uma argumentação sobre o conhecimento, considerando que este se adquire através da experiência sensorial, legando-nos o método indutivo, que pretende que a ciência só pode ser derivada dos processos da experiência. O empirismo destaca o papel da experiência sensorial e da evidência, acima de ideias inatas ou tradições. O empirismo tem como pátria de desenvolvimento o Reino Unido já desde a Idade Média europeia, tendo como expressões o filósofo John Locke (7).
3.2 O materialismo
O materialismo se propõe a ser um tipo de fisicalismo, ou seja, que a diversidade do conhecimento elevem a física para a condição de ser o paradigma científico universal, na suposição de que tudo os aspectos da realidades internas e externas ao homem adquirem sua materialidade compreensível se entendidas como realidades físicas.
Portanto, o materialismo sustenta que a existência é a matéria como fundamento de tudo, gerando assim todos os acontecimentos de interação. Segue-se então a filiação do materialismo ao monismo, diferenciando-se do dualismo ou pluralismo.
4. O pensamento de Hobbes, Locke, Condilac e Freud
O empirismo Inglês foi contemporâneo da chamada reforma religiosa na Inglaterra, na qual o monarca do momento era o chefe da Igreja da Inglaterra – Anglicana. Tocou mais a Locke esse momento, o qual viveu o espírito calvinista, mas ao contrário deste, pregava a tolerância religiosa, além do princípio do liberalismo, nesse esboço, entendia que ao homem deve ser garantidos o seu direito a vida, a liberdade e a propriedade privada, cabendo ao Estado a manutenção desses direitos.
Teve uma vida atribulada, inclusive de refugiado em outro país por problemas políticos na Inglaterra. Contribuiu decisivamente com o liberalismo, produzindo vários ensaios: “Cartas sobre a Tolerância”, “Ensaio sobre o entendimento humano” e dois tratados sobre o governo civil.
Mas uma de contribuições a filosofia foi seu antagonismo a Platão relativamente ao chamado “conhecimento inato”, ou seja, descarta que o homem já tenha algum conhecimento; nesse aspecto, é considerado um dos principais do empirismo, na afirmação de que a totalidade do saber e do aprender é fruto da experiência. O conhecimento inato é antagonizado por ele na ideia da folha em branco, ou seja, o homem é moldado pelas experiências de tentativas e erros, restando ao empirismo a compreensão metodológica, sistemática e crítica desse acontecimento.
Hobbes, contemporâneo de Locke, tinha concepções próprias que iam ao encontro do liberalismo de Locke, considerando que a natureza humana tinha carência de uma sociedade e um governo forte, centralizado, e que todos, para viver em sociedade, devem sacrificar um pouco do seu “eu” em favor da vivência comum, ou seja, devemos nos render em nossa autonomia em parte a favor de um governante, de forma que esse seja o fiador da vivência social.
Contribuiu de forma extraordinária ao desenvolvimento em compreender a formulação do desejo. Examina a questão do pensamento, que é uma representação ou uma qualidade, ou ainda, de algum corpo que atua em nossos sentidos, os quais, como sensações, produzirão algum efeito. Essas sensações originadas nos órgãos de sentido causam o nosso conhecimento, pela pressão que isso causa nos órgãos de sentido, os quais, introjetados no interior da pessoa, causa uma resistência, uma sensação. Mas isso tudo se deriva do movimento, que não se configura como uma ilusão, pois ele tem efeito imediato em nossa imaginação, e diferencia a questão da realidade com a aparência que resulta em nós, pois o objeto é antes de tudo uma coisa, e a ilusão ou imagem é uma outra coisa, concluindo que na totalidade dos casos, a sensação é uma ilusão originária nascida pelo momento das coisas no exterior em nossos sentidos.
Hobbes também define a memória como sendo a experiência, colocado que a imaginação refere-se apenas as coisas que foram percebidas anteriormente pela sensação. A imaginação dos adormecidos ele denomina sonhos, nascidas também nas sensações anteriores.
Étienne Bonnot de Condillac, filósofo francês, foi membro de duas importântes academias, tanto a francesa como a de Berlim. Manteve amizade com os encicopledistas como Diderot, além de Rousseau e Duclos. Manteve filiação a Locke, e mais tarde elabora suas próprias conclusões no seu Traite des Sensations, de 1754.
Para situarmos Condillac e seu Tratado das Sensações, mister se faz rever Lock.
O pensamento de Locke, sustenta a origem do conhecimento como sendo sensorial, reconhecendo a imanência das ideias de prazer e dor misturadas com todas os outros sentimentos, sendo então isso a fonte de nossas ações, em particular, a fuga da dor. Para tanto, imaginou que trazemos na bagagem de nossa criação, a capacidade inata da percepção do deleite, este como motivador de nossas ações de pensamento e ação, o que nos capacitaria, pela mistura de sensações, afetos ou paixões, a preferência de pensamentos e ações que nos impeliria a transpassar os limites da indiferença a caminho da atenção.
Contra esse pensamento, Condillac afirma que não há sistemas que sejam inatos no homem, pois tudo que se pode observar pela ciência o deve ser feito ou pensado através do racional. O conhecimento representado pelos sistemas já estão disponibilizados na natureza e satisfazem as necessidades dos homens, os quais podem principiar para todos quando o podem deduzir. Estes sistemas são as sistematizações de princípios constatados ou aferidos pela ciência.
Para Condillac, o homem deve sua existência somente ao seu corpo físico, portanto, fora as sensações que lhes são próprias, tudo o demais é organizado pela linguagem e análises das sensações e são possíveis apelas por meio dos valores adquiridos.
Sob esse ponto de vista, é correto afirmar que todos os sistemas da natureza são dependentes da racionalidade e dos elementos externos para serem conhecidos, pois estão na dependência do processo de interpretação das sensações por cotação em relação a sensação anterior, dentro do extrato do ser humano representado pelo corpo e alma, o primeiro, possuidor dos sentidos, a segundo, das sensações.
A memória será sempre em Condillac como o resultado da sensação captada pelos sentidos transformada, isto é, resultado da comparação com as sensações anteriores.
Em um processo de facilitação de entendimento, em Condillac a estruturação do sistema proposto é que primeiro há as sensações, que são movidas para a ordem da atenção, sendo então comparadas e julgadas, culminando em tornar-se reflexão. A memória e o juízo das coisas são originadas no relacionamento com as coisas do mundo, medidas pela prazer ou sofrimento causados.
Dr. Sigmund Freud, fundador da psicanálise, nasceu Freiberg in Mähren, em 1856, originalmente pertencente ao Império Austríaco, hoje pertencente a Republica Tcheca.
Herdeiro de tudo isso, restou a Freud dar uma ordem material científica a essas sistematizações que tanto o empirismo como o materialismo produziram em termos de conhecer o ser humano e a partir de seus conhecimentos e observações, manifesta então o Projeto de uma psicologia científico-naturalista, baseados na naturalidade do homem desenvolvida por Hobbes, Locke e Condillac, dando uma física realmente materialista e mecanicista dessa herança filosófica das paixões.
Imaginou o sistema nervoso, suas excitações, os aspectos das considerações sobre a natureza quantitativa (cargas de energia nervosa que ele chama de Q), assentado no princípio da Lei da Inércia, ou seja, que tende ao repouso. Em sua visão, considera a natureza peculiar do neurônio em descarregar os impulsos recebidos, mantida o que transita nos neurônios em níveis os mais baixos possíveis.
Considerou a permeabilidade ou não dos neurônios, os quais diferencia aqueles que permitem o percurso livre para o descarregamento de suas excitações, chamados de Phi, os quais recebem estímulos externos, dos neurônios que chama de Psi, originados essas excitações de forma endógena.
Ao reconhecer as diversas fontes de excitação, interna e externa, ao modo de Condillac e de sua Estátua que se abre aos estímulos externos e responde a eles, designou como aparelho neurológico e suas funções de percepção, memória e consciência.
Propõe um sistema neuronal iniciando de forma primária, inconsciente, o qual visa somente se manter livre de estímulos; bem como de uma segunda função, que faz essas excitações, mesmo descarregadas, manter alguma memória. Essas excitações emanam dos processos de fome, respiração, sexualidade, entre outros.
A repetição desses estímulos endógenos será causa de comparações e que levarão a sua conquista através de funções representativas desses interesses. É a partir dessa fonte de estímulos endógenos que se desenvolve uma regra de constância, o qual se manifesta no arrefecimento ao princípio da inércia, obrigado o princípio do prazer ser menos um escoamento, descarga das excitações mas sim uma eliminação do excesso, mantendo seu nível constante.
Deve-se se trazer aqui que a função primária tem concomitantemente ao seu lado o início de função secundária (pré-consciência e consciência), função essa que ocorre na manutenção da adequabilidade de excitação e uma constância no seu próprio recarregamento. O escoamento e conservação de Q, influi no entendimento de parte do tecido nervoso, ou seja, a capacidade de ser impresso de forma permanente por processos únicos, entendido como sendo a conservação da alteração passada após o estado de excitação. Isso conduziu Freud a pensar em em neurônios perceptivos e neurônios recordativos. As barreiras de contato controlam a qualidade perceptiva, que agem nos neurônios perceptivos e os recordativos, e isso nos permite entender que assim está materializado o instituído por Condillac.
Portanto, Freud também além da explicação de como os fatos quantitativos ingressam no sujeito, mas ele também teve que responder como os fatos qualitativos – prazer e desprazer – são naturalizados também desse sistema nervoso neuronial. Ao introduzir no estudo o fenômeno da dor, o possibilita examinar o papel do desprazer, os quais, como a dor, movimenta tanto os sistema neuronial phi e o psi.
Para formalizar no meio físico neuronial as sensações conscientes, propõe a massa neuronial que denomina “ômega”, os quais, em excitação, apresentariam como resultado as sensações conscientes.
Inobstante sua filiação a Condillac, mas no seu reconhecimento de que as estimulações causam desprazer, por isso seu destino é o de ser descarregado, diferencia-se de Condillac, pois o sistema nervoso tende sempre a inércia do repouso. E assim, afirma que o que nos perturba é a excitação, e o prazer é a inexistência ou diminuição do desprazer. Vivemos e buscamos o Prazer.
Conclusão
Fica nítido que a necessidade do homem explicar sua existência desperta, que pensava e fazia ilações, tenha tentado entender os acontecimentos naturais, observados, a partir do uso de uma linguagem narrativa que abriga a metáfora, a metonímia, a fantasia e o fantasioso, na tentativa de entender a própria gênese dos fenômenos, inclusive ele próprio, além de dar uma resposta ao objetivo de suas vidas.
A resposta do seu eu inteligente, pensante, é tida como um presente dado, como uma concessão de forças que são representadas nos mitos, mas também não são compreendidas na sua totalidade. No entendimento dos mitos, as realidade se tornam presentes e são aceitas como tal. Mas, em algum momento da história, esses mitos não foram mais suficientes para explicar a realidade concreta, e isso marca o início de nossa história registrada com mais precisão.
Povos como os gregos, nos legaram de forma crivada, bem definida, esse momento, quando o mito cede lugar a razão, esta a serviço do entendimento da natureza, sua constituição, movimentos, entre outros. Mesmo esse pensamento já apontar para os próprios processos naturais como causa do existir, do ter consciência de sua vida, finitude, só foi no final da Idade Média europeia que esse corpo de pensamento tomou sua forma que chega até o nosso século presente.
Pensadores como Locke, Hobbes e Condillac fazem a nova filiação do homem ao processo natural, portanto, para chegarmos hoje no reconhecimento dessa capacidade humana de sentir e mesmo ter memória, a partir do entendimento que os sistemas estão na natureza, não em nós, patenteia-se essa filiação natural, os quais são reconhecidos no homem pelas sensações, não por capacidades inatas e são essas sensações que nos farão interagir com o meio natural e será a fonte de nosso conhecimento.
A evolução nos dotou dos sentidos, mas a ordem da interpretação dessa realidade se faz no nosso interior. Os filósofos anteriores a Freud imaginaram o processo; Freud descreveu como isso acontece na nossa entidade biológica, acrescentando-lhes, podemos ousar dizer, o desejo de uma paz que nasce da não excitação, mas da inércia, do repouso. E é isso que aqui nos interessa. Nesse aspecto, podemos imaginar que sentimos saudades do paraíso do sistema de coleta, pois no momento que nos industrializamos, enchemos nossas vidas de tensões que precisam ser descarregadas, pois psicanaliticamente falando, o que recalcamos, retorna depois como um sintoma.
A moral comum impediu em muito o reconhecimento do prazer-desprazer como o embolo que é fonte de nossa movimentação no motor da vida. É verdade, somos constituídos na falta, mas, assim como em Hobbes, temos necessidade do recalque de nosso desejo imediato de se livrar das tensões de forma se tornarem em prazer puro, de forma podermos viver em comunidade e com todas as suas vantagens em nos garantir a vida, a liberdade e a posse de bens. O conhecimento humano do prazer como motor de nossa atividade não deve nos levar ao prazer pelo prazer de um hedonismo doentio, mas sim nos prover de meios de civilidade, de superar a nossa carga inicial de desejos incontrolados.
Ao descrever a função do desprazer, Freud coloca na ordem correta a direção de nossas paixões em Prazer (desprazer) ; Desejo (Aversão); Amor (Ódio).
Notas:
1- 2001: A Space Odyssey (2001 - Uma Odisseia no Espaço no Brasil) é um filme anglo-americano de 1968 dirigido e produzido por Stanley Kubrick, co-escrito por Kubrick e Arthur C. Clarke e baseado no livro homônimo do próprio Arthur. O filme lida com os elementos temáticos da evolução humana, existencialismo, tecnologia, inteligência artificial e vida extraterrestre. É notável por seu realismo científico, efeitos especiais pioneiros, imagens ambíguas que são abertas a ponto de se aproximarem do surrealismo, som no lugar de técnicas narrativas tradicionais e o uso mínimo de diálogo.
2. Sir Arthur Charles Clarke, mais conhecido como Arthur C. Clarke (Minehead, Somerset, Inglaterra, 16 de dezembro de 1917 — Colombo, Sri Lanka, 19 de março de 2008) foi um escritor e inventor britânico radicado no Sri Lanka, autor de obras de divulgação científica e de ficção científica como o conto The Sentinel, que deu origem ao filme 2001: Uma Odisséia no Espaço e o premiado Encontro com Rama.
3. Pedro Rego nos diz que o mito é uma necessidade e produção humana e não poderia estar desaparecido das sociedades ocidentais e que temos nossos mitos atuais: “..Vivemos numa época capitalista e numa sociedade de consumo desenfreada onde o maior mito é a felicidade do consumo. Da mesma forma os heróis míticos povoam constantemente o nosso imaginário fazendo-nos querer ser como eles, servindo-nos como exemplos para a acção quotidiana ou para vidas imaginada. Ayrton Senna, Romário e Ronaldo, Marlyn Monroe….” Continua lembrando que a concepção de que o mito é forma errada de ver as coisas como citado por Sir James Frazer entre outros, vem cada vez mais sendo abandonada pois, citando Bernardo Bernardi, “A análise moderna pôs os mitos sob outra perspectiva, como parte integrante de uma cultura particular, pertençe à sua linguagem e neste sentido o seu valor é completo”. (Relações entre Mito e Ciência – Universidade Fernando Pessoa, Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal).
4. Em Gênesis 2, 4-7” Quando Javé Deus fez a terra e o céu,5 ainda não havia na terra nenhuma planta do campo, pois no campo ainda não havia brotado nenhuma erva: Javé Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem que cultivasse o solo e fizesse subir da terra a água para regar a superfície do solo. Então Javé Deus modelou o homem com a argila do solo, soprou-lhe nas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivente.” Depois, o homem usa desse inteligência e discernimento e toma posse da criação : Gênesis 10-20:” Então Javé Deus formou do solo todas as feras e todas as aves do céu. E as apresentou ao homem para ver com que nome ele as chamaria: cada ser vivo levaria o nome que o homem lhe desse. O homem deu então nome a todos os animais, às aves do céu e a todas as feras...”. Em 1 Reis 10-13, Salomão recebe como dom o discernimento: “ Então Deus disse para ele: «Porque você pediu isso, e não vida longa para você, nem riquezas, nem a morte de seus inimigos, mas discernimento para ouvir e julgar, eu farei o que você pediu. Darei a você mente sábia e inteligente, como ninguém teve antes de você e ninguém terá depois. Eu lhe darei também o que você não pediu: riqueza e fama, de modo que não haverá nenhum rei que se iguale a você, durante toda a sua vida.” (Bíblia eletrônica Paulus- Edição Pastoral).
5. Neolítico (pedra nova) ou Período da Pedra Polida é o período histórico que vai aproximadamente do X milênio a.C., com o início da sedentarização e surgimento da agricultura, ao III milênio a.C., dando lugar à Idade dos Metais. Não se aplica à pré-história europeia nem americana, incluindo a do Brasil. As primeiras aldeias eram criadas próximas a rios, de modo a usufruir da terra fértil (onde eram colocadas sementes para plantio) e água para seres humanos e animais. Também nesse período começou a domesticação de animais (cabra, boi, cão, dromedário, etc). O trabalho passa a ser dividido entre homens e mulheres, os homens cuidam da segurança, caça e pesca, enquanto as mulheres plantam, colhem e educam os filhos. A disponibilidade de alimento permite também às populações um aumento do tempo de lazer e a necessidade de armazenar os alimentos e as sementes para cultivo leva à criação de peças de cerâmica, que vão gradualmente ganhando fins decorativos. (Neolítico – Wikipédia).
6. Essas descobertas (de estátuas) levaram historiadores e arqueólogos a sugerir que, bem antes de venerar deuses masculinos, os antepassados do homem teriam adorado as deusas, cujo reinado chegou até a Idade do Bronze, há cerca de 5 mil anos. Não se sabe a rigor o exato significado daquelas estatuetas, até porque pouco ou quase nada se conhece dos costumes dos homens pré-históricos. Mas não resta dúvida de que por um bom tempo as deusas reinaram sozinhas, deixando os poderes masculinos à sombra. Em seu livro Um é o outro, a filósofa e professora francesa Elisabeth Badinter tenta explicar a supremacia feminina a partir do que se supõe teriam sido as relações entre homens e mulheres naquelas épocas distantes. A idéia é que o homem do Neolítico—ao contrário dos seus antecessores do Paleolítico, que eram caçadores, e dos seus descendentes da Idade do Bronze, guerreiros—dedicava-se à criação de rebanhos e à agricultura. Ou seja, já não era necessário arriscar a vida para sobreviver. Nesses tempos relativamente pacíficos, em que a força bruta não contava tanto como fator de prestígio e as diferenças sociais entre os sexos se estreitavam, é bem possível que deusas—e não deuses —tivessem encarnado as principais virtudes da cultura neolítica. (As divindades femininas: No princípio, eram as deusas)
7. O problema da indução é a questão filosófica sobre se o raciocínio indutivo (uma generalização ou uma previsão não dedutiva) leva ao conhecimento. Uma generalização é qualquer argumento não dedutivo cuja conclusão é mais geral do que as premissas. Ou seja, o problema da indução refere-se a: 1. Generalizar sobre as propriedades de uma classe de objetos com base em algumas observações do número de instâncias específicas da classe (por exemplo, a inferência de que "todos os cisnes que temos visto são brancos e, portanto, todos os cisnes são brancos", antes da descoberta do cisne negro); 2. Pressupor que uma sequência de eventos no futuro ocorrerá como sempre foi no passado (por exemplo, que as leis da física manifestar-se-ão como sempre foram observadas). Segundo a linha indutivista, a ciência começa com a observação. A observação, por sua vez, fornece uma base segura sobre a qual o conhecimento científico pode ser construído, e o conhecimento científico é obtido a partir de proposições de observação por indução (Problema da indução - Wikipédia)


REFERÊNCIAS.
2001 Uma odisseia no espaço. Filme. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/2001:_A_Space_Odyssey > Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
A filosofia de Santo Agostinho. Disponível em < http://www.clerus.org/clerus/dati/2009-02/16-13/A_Filosofia_de_Santo_Agostinho.html >. Acessado em 19 de fevereiro de 2018.
Artur C. Clark. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_C._Clarke >. Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
As divindades femininas: No princípio, eram as deusas. Disponível em < https://super.abril.com.br/cultura/as-divindades-femininas-no-principio-eram-as-deusas/ >. Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Barros Larraia, Roque. O jardim do Éden revisitado. Disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77011997000100005 > . Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Bíblia Eletrônica Paullus – Edição Pastoral. Disponível em < http://www.paulus.com.br/biblia-pastoral/_P9.HTM > . Acessando em 19 de fevereiro de 2018.
Bocca, Francisco Verardi. Paixões e Psicanálise dimensões modernas da natureza humana . UFES 2017.
Branco, Alberto Manual Vara. A mitologia grega, uma concepção genial produzida pela humanidade: os condicionalismos religiosos e históricos na civilização helénica. Disponível em < http://www.ipv.pt/millenium/Millenium31/4.pdf >. Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Depiné, Ágatha Cristine.O surgimento da filosofia e a evolução dos Dualismo Cartesiano. Disponível em < http://www.acervofilosofico.com/dualismo-cartesiano >. Acessado em 19 de fevereiro de 2018.
Empirismo. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Empirismo > . Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Freud, Sigmund. Publicações Pré-psicanalíticas e Esboços Inéditos (1886-1899) Vol. I - Brochura ) (Edição Digital) – Vitória – UFER 2017.
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Malmesbury, Thomas Hobbes de . Leviatan ou Matéria, Forma e Poder de Um Estado Eclesiástico e Civil. Vitória. UFES 2017.
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MITOS: a importância da Escola Jônica para a construção da racionalidade. Disponível em < http://www.pucrs.br/edipucrs/XSalaoIC/Ciencias_Humanas/Filosofia/71062-AGATHACRISTINEDEPINE.pdf >. Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Monofisismo. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Monofisismo >, Acessado em 19 de fevereiro de 2018.
Neolítico. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Neolítico >. Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Nestorianismo. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Nestorianismo >. Acessado em 19 de fevereiro de 2018.
Nestorianismo. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Nestorianismo >. Acessado em 19 de fevereiro de 2018.
O Problema da Indução. Disponível em < https://pt.wikipedia.org/wiki/Problema_da_indução ). Acessado em 22 de fevereiro de 2018.
Rêgo, Pedro. Relações entre mito e ciência. Disponível em < http://revistas.rcaap.pt/antropologicas/article/viewFile/1058/848 > . Acessado em 22 de fevereiro de 2018.

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