Do Hedonismo.
Inobstante o primado do
prazer/desprazer hoje ser elegantemente conhecido, a sua questão
fundamental esteve ligada ao entendimento do Hedonismo, palavra que
nos é atual, mas originada na civilização grega (de “hedonê”
→ prazer, vontade ), a qual filosoficamente é entendido como sendo
o prazer o maior bem da vida humana. Surgida também na Grécia, essa
filosofia é bem representada em Aristipo de Cirene.
Na atualidade, a filosofia
utilitarista tenta se firmar em uma pensamento mais abrangente,
entendendo que o prazer na seu entendimento de felicidade deve
abarcar o maior número de indivíduos.
Mesmo com antagonismos muito bem
delineados, ocorre do hedonismo ser confundido com o epicurismo,
entendendo este que o hedonismo tem a necessidade de ser regido pela
razão, o qual se moderará.
O hedonismo na filosofia é melhor
entendido por Aristipo de Cirene, que foi contemporâneo de Sócrates,
o qual via dois estados da alma: o prazer como um movimento moderada
do amor e a dor, como um movimento agressivo do próprio amor,
distinguindo ele o caminho da felicidade como a busca constante do
prazer e da diminuição da dor.
Na nossa civilização atual a partir
de sua modernidade, La Mettrie, iluminista francês, atualiza o
hedonismo e Sade o radicaliza levando-o ao amoralismo, cambiando o
ideal de serenidade em frieza no trato com outras pessoas.
Devemos também diferenciar o egoísmo
hedonista, buscado somente pelo indivíduo para o seu próprio
deleite do hedonismo universalista (utilitarista) que visa ser o
hedonismo colocado a todo, o que leva aos sistemas modernos a crença
que a base moral e das leis é a maior felicidade para um maior
número de pessoas, centrado no fato de poder um máximo de utilidade
com um mínimo de restrições pessoais, o que leva ao entendimento
do direito como uma simples moral do útil coletivo. Mas ao lado
desse quantitativo, ou seja, do quanto mais, também é assumido um
critério de qualidade, representado em uma argumento que cada
indivíduo tem sua atenção voltada para a procura do bem e a
riqueza evitando o mal e a miséria (Stuart Mill).
Em Condillac
Não fica portanto difícil entender
que o movimento até Condillac, o qual em sua metáfora da estátua
de mármore que pouco a pouco se abre as sensações através de seus
sentidos, que ao observar estados atuais em comparação com estados
passados, sob o a perspectiva do que é prazer/desprazer, pode mesmo
ser comparada a caminhada da humanidade na sua própria descoberta,
quando através dos séculos, em função das descobertas dos
sistemas naturais através da experiência sensorial, indica as suas
faltas e seus movimentos em busca de se preencher isso.
Essa tomada de conhecimento através
dos sentidos e a comparação pelas repetições é o motor que nos
faz caminhar no sentido de se buscar o prazer e se evitar o
desprazer. É de se admitir também que o prazer não seja uma
alternância ao desprazer, mas em Freud, é exatamente a ausência do
desprazer.
Dessa forma, não ha se estranhar o
primado do prazer/desprazer na atualidade, em que valores do
hedonismo se multiplicam em uma velocidade assustadora, tendo como
consequências a própria devastação do meio ambiente como
consequência imediata e necessária. Ficamos na lembrança do
hedonismo epicurista que ansiava pela moderação, hoje podendo nos
ver nas tentativas da reciclagem, uso racional dos recursos,
preservação, entre outros. Não devemos questionar Condillac e os
demais por nos abrir esse “sistema”, ou seja, o primado do prazer
/ desprazer sobre os demais, como ter causado no mundo uma
desregulamentação moral e mesmo um afrouxamento nos nossos
recalques (para vivermos em sociedade), transformando o hedonismo
mesmo na primazia do ID sem nenhum freio do SuperEgo. Não, haveremos
de entender que acima disso, pela nossa própria capacidade de fazer
ilações sobre as sensações em suas repetições e dai raciocinar,
como nos coloca Condillac, essa é exatamente a medida que nos
permitirá existir enquanto espécie exatamente por darmos atenção
aos sentimentos e sensações que nos são prazerosos na manutenção
de nosso bem último buscado que é a própria vida!

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