leviatã
substantivo masculino
Origem
⊙ ETIM lat. bíblico Leviathan 'espécie de monstro aquático'
Malmesbury, Thomas
Hobbes de . Leviatan ou Matéria, Forma e Poder de Um Estado
Eclesiástico e Civil. Vitória. UFES 2017.
Alguns entendimentos.....
Capítulo
I
O
autor trata da origem do pensamento do homem, analisado primeira de
forma isolada e depois na sequência, as dependências de uns dos
outros, exprimindo que os pensamento são uma representação ou a
forma de alguma qualidade, ou de um acontecimento de um corpo além
de nós, nomeado de objeto, que atua nos olhos, ouvidos e em outras
partes do corpo, considerando que suas formas de atuação produz
também resultados diversos. Hobbes considera, outro sim, que a
origem de tudo é o que ele denomina de “sensações”, a partir
de sua origem que está exatamente nos órgãos de sentido, a partir
de ação de corpos exteriores ou objetos que pressionam os órgãos
próprios (gosto, tato, olhos, ouvidos e partes nervosas do corpo), o
qual se arremetem em direção ao interior e causam uma resistência.
Essa resistência é chamada de Sensação. Mas isso tudo se deriva
do movimento, que não se configuram como uma ilusão, pois eles tem
efeito imediato em nossa imaginação, e diferencia a questão da
realidade com a aparência que resulta em nós, pois o objeto é
antes de tudo uma coisa, e a ilusão ou imagem é uma outra coisa,
concluindo que na totalidade dos casos, a sensação é uma ilusão
originária nascida pelo momento das coisas no exterior em nossos
sentidos.
Capítulo
II.
Hobbes
apresenta a questão do movimento a partir da afirmação que as
coisas imóveis permanecerão assim até serem agitadas; mas que,
quando em movimento, não é facilmente aceitável que assim
permanecerá, a menos que seja impedida. Isso decorre do modelo
humano que os homens usam para avaliar as outras coisas, pois, depois
de um movimento, os homens se encontrarão em estados de cansaço ou
dor, e por isso naturalmente irão a procura de um repouso; por isso
,tal entendimento é aplicado as demais coisas.
Mas
o que decorre é que quando um corpo está em movimento assim
permanece, e qualquer coisa que o detenha, o fará não em um
instante, mas em toda uma sequência. Essa certeza aplicação ao
processo interno dos homens, quando vê, sonha, ouve… pois mesmo
diante do desaparecimento dos objetos, sua imagem permanece em nós,
mesmo que de forma obscura. Esse processo os latinos chamam de
imaginação. Os gregos, chamaram isso de fantasia. A imaginação no
entendimento de Hobbes, então, nada mais é do que uma sensação
diminuída, ocorrendo nos homens estando adormecidos ou despertos. A
dinâmica das sensações resulta em graus de imaginação fortes ou
fracos de acordo com com o tempo decorrido desde a visão ou sensação
do objeto, ou seja, quanto maior a observação, mais fraca é a
imaginação.
Hobbes
também define a memória como sendo a experiência, sendo que a
imaginação refere-se apenas as coisas que foram percebidas
anteriormente pela sensação, definida como simples quando
imaginamos um objeto, ou composta quando juntamos qualidades ao
objeto, como por exemplo, ao ver um cavalo (sensação simples) e
imaginamos depois um centauro (sensação composta).
A
imaginação dos adormecidos ele denomina sonhos, nascidas também
nas sensações anteriores. Esses sonhos tem motivações próprias
do que os agitou anteriormente, portanto, imaginando uma situação
fresca, de frio, pode-se sonhar com coisas aterradoras; no calor,
imagina-se um inimigo, pois essas sensações provocam alterações
nos órgãos.
Do
não entendimento da distinção ente sonhos e ilusões, deram origem
as religiões ou crenças antigas em sátiros, faunos, ninfas , e na
época de Hobbes, em fadas ,fantasmas e gnomos entre outros. Essas
crenças permitem ainda a existência de exorcismos e suas
necessidades de realização (cruzes, água benta). Não descarta que
Deus possa promover as aparições não naturais, mas não deve ser
fé nos homens que o faça com a repetência dita nas crenças
,restando ao homem sensato apena a crença naquilo que a razão
apontar como verdadeira ou crível.
Capítulo
VI
Neste
capítulo, Hobbes fala a Origem interna dos movimentos voluntários
vulgarmente chamados de paixões e da linguagem que os exprime.
Entende
que há nos animais dois movimentos próprios: um chamado de vital,
iniciando-se na geração e de forma ininterrupta durante a vida
(circulação do sangue, respiração, digestão…), não
necessitando esses movimentos ajuda da imaginação. O outro, é
chamado de movimento voluntário, identificado no andar, falar,
exercitar-se , mas dependente do que foi imaginado na mente. Já que
a sensação é o movimento provocado nos órgãos, a imaginação é
o resíduo deste mesmo movimento que permaneceu depois da sensação.
Mesmo que não observemos, há movimento quando a coisa movida é
invisível. Portanto, esses movimentos invisíveis no interior do
corpo, antes de manifestarem nos seus sucedâneos, chama-se esforço.
E
o esforço indo em direção de algo que o causa, chama-se apetite ou
desejo. Por sua vez, no sentido contrário, ou seja, de se evitar,
chama-se aversão. Hobbes entende que as Escolas não admitem no
desejo de mexer ou mover-se um movimento real, mas sim metafórico, o
que ele rebate dizendo que somente palavras podem ser metafóricas,
corpos e movimentos, não.
Do
que os homens deseja, diz-se que também amam; na aversão, diz-se
que odeiam; isso tem seu continuo na afirmação que desejo e amor
serem a mesma coisa; a aversão, significa então ausência.
Dos
apetites e aversões, afirma, alguns nascem com o homem (apetite pela
comida, entre outros); outros são particulares e derivam da
experiência. Das coisas que não desejamos ou não odiamos, dizemos
que desprezamos, sendo o desprezo apenas a imobilidade do coração
(isso ou pelo coração estar emulado por objetos mais potentes ou
por falta de experiência). Dai, como o corpo constituído
encontrar-se sempre em modificações, é entendido que as coisas nem
sempre provoquem o mesmo efeito nos apetites e aversões; ou que que
todos os homens sejam coincidentes nos mesmos desejos do mesmo
objeto. Qualquer que seja esse objeto de apetite, será chamado por
cada um de “bom”. Já ao objeto do ódio e aversão, é chamado
de mau e aquele do desprezo, é chamado de vil e indigno, observado
que o uso dessas palavras (bom, mau , desprezível) é sempre em
relação a quem usa, pois não há nada que seja só simples e
absoluto.


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