sexta-feira, 4 de maio de 2018

Hobbes e o seu Leviathan: alguns entendimentos

leviatã
substantivo masculino
  1. 1.
    mit monstro marinho do caos primitivo, mencionado na Bíblia, e cujas origens remontariam à mitologia fenícia ☞ inicial freq. maiúsc.

  2. 2.
    p.metf. p.ext. pol o Estado, como soberano absoluto e com poder sobre seus súditos que assim o autorizam através do pacto social ☞ inicial maiúsc.
Origem
⊙ ETIM lat. bíblico Leviathan 'espécie de monstro aquático'


Malmesbury, Thomas Hobbes de . Leviatan ou Matéria, Forma e Poder de Um Estado Eclesiástico e Civil. Vitória. UFES 2017.
Alguns entendimentos.....

Capítulo I
O autor trata da origem do pensamento do homem, analisado primeira de forma isolada e depois na sequência, as dependências de uns dos outros, exprimindo que os pensamento são uma representação ou a forma de alguma qualidade, ou de um acontecimento de um corpo além de nós, nomeado de objeto, que atua nos olhos, ouvidos e em outras partes do corpo, considerando que suas formas de atuação produz também resultados diversos. Hobbes considera, outro sim, que a origem de tudo é o que ele denomina de “sensações”, a partir de sua origem que está exatamente nos órgãos de sentido, a partir de ação de corpos exteriores ou objetos que pressionam os órgãos próprios (gosto, tato, olhos, ouvidos e partes nervosas do corpo), o qual se arremetem em direção ao interior e causam uma resistência. Essa resistência é chamada de Sensação. Mas isso tudo se deriva do movimento, que não se configuram como uma ilusão, pois eles tem efeito imediato em nossa imaginação, e diferencia a questão da realidade com a aparência que resulta em nós, pois o objeto é antes de tudo uma coisa, e a ilusão ou imagem é uma outra coisa, concluindo que na totalidade dos casos, a sensação é uma ilusão originária nascida pelo momento das coisas no exterior em nossos sentidos.
Capítulo II.
Hobbes apresenta a questão do movimento a partir da afirmação que as coisas imóveis permanecerão assim até serem agitadas; mas que, quando em movimento, não é facilmente aceitável que assim permanecerá, a menos que seja impedida. Isso decorre do modelo humano que os homens usam para avaliar as outras coisas, pois, depois de um movimento, os homens se encontrarão em estados de cansaço ou dor, e por isso naturalmente irão a procura de um repouso; por isso ,tal entendimento é aplicado as demais coisas.
Mas o que decorre é que quando um corpo está em movimento assim permanece, e qualquer coisa que o detenha, o fará não em um instante, mas em toda uma sequência. Essa certeza aplicação ao processo interno dos homens, quando vê, sonha, ouve… pois mesmo diante do desaparecimento dos objetos, sua imagem permanece em nós, mesmo que de forma obscura. Esse processo os latinos chamam de imaginação. Os gregos, chamaram isso de fantasia. A imaginação no entendimento de Hobbes, então, nada mais é do que uma sensação diminuída, ocorrendo nos homens estando adormecidos ou despertos. A dinâmica das sensações resulta em graus de imaginação fortes ou fracos de acordo com com o tempo decorrido desde a visão ou sensação do objeto, ou seja, quanto maior a observação, mais fraca é a imaginação.
Hobbes também define a memória como sendo a experiência, sendo que a imaginação refere-se apenas as coisas que foram percebidas anteriormente pela sensação, definida como simples quando imaginamos um objeto, ou composta quando juntamos qualidades ao objeto, como por exemplo, ao ver um cavalo (sensação simples) e imaginamos depois um centauro (sensação composta).
A imaginação dos adormecidos ele denomina sonhos, nascidas também nas sensações anteriores. Esses sonhos tem motivações próprias do que os agitou anteriormente, portanto, imaginando uma situação fresca, de frio, pode-se sonhar com coisas aterradoras; no calor, imagina-se um inimigo, pois essas sensações provocam alterações nos órgãos.
Do não entendimento da distinção ente sonhos e ilusões, deram origem as religiões ou crenças antigas em sátiros, faunos, ninfas , e na época de Hobbes, em fadas ,fantasmas e gnomos entre outros. Essas crenças permitem ainda a existência de exorcismos e suas necessidades de realização (cruzes, água benta). Não descarta que Deus possa promover as aparições não naturais, mas não deve ser fé nos homens que o faça com a repetência dita nas crenças ,restando ao homem sensato apena a crença naquilo que a razão apontar como verdadeira ou crível.


Capítulo VI
Neste capítulo, Hobbes fala a Origem interna dos movimentos voluntários vulgarmente chamados de paixões e da linguagem que os exprime.
Entende que há nos animais dois movimentos próprios: um chamado de vital, iniciando-se na geração e de forma ininterrupta durante a vida (circulação do sangue, respiração, digestão…), não necessitando esses movimentos ajuda da imaginação. O outro, é chamado de movimento voluntário, identificado no andar, falar, exercitar-se , mas dependente do que foi imaginado na mente. Já que a sensação é o movimento provocado nos órgãos, a imaginação é o resíduo deste mesmo movimento que permaneceu depois da sensação. Mesmo que não observemos, há movimento quando a coisa movida é invisível. Portanto, esses movimentos invisíveis no interior do corpo, antes de manifestarem nos seus sucedâneos, chama-se esforço.
E o esforço indo em direção de algo que o causa, chama-se apetite ou desejo. Por sua vez, no sentido contrário, ou seja, de se evitar, chama-se aversão. Hobbes entende que as Escolas não admitem no desejo de mexer ou mover-se um movimento real, mas sim metafórico, o que ele rebate dizendo que somente palavras podem ser metafóricas, corpos e movimentos, não.
Do que os homens deseja, diz-se que também amam; na aversão, diz-se que odeiam; isso tem seu continuo na afirmação que desejo e amor serem a mesma coisa; a aversão, significa então ausência.
Dos apetites e aversões, afirma, alguns nascem com o homem (apetite pela comida, entre outros); outros são particulares e derivam da experiência. Das coisas que não desejamos ou não odiamos, dizemos que desprezamos, sendo o desprezo apenas a imobilidade do coração (isso ou pelo coração estar emulado por objetos mais potentes ou por falta de experiência). Dai, como o corpo constituído encontrar-se sempre em modificações, é entendido que as coisas nem sempre provoquem o mesmo efeito nos apetites e aversões; ou que que todos os homens sejam coincidentes nos mesmos desejos do mesmo objeto. Qualquer que seja esse objeto de apetite, será chamado por cada um de “bom”. Já ao objeto do ódio e aversão, é chamado de mau e aquele do desprezo, é chamado de vil e indigno, observado que o uso dessas palavras (bom, mau , desprezível) é sempre em relação a quem usa, pois não há nada que seja só simples e absoluto.



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